A cisão de parte dos negócios, uma oferta de ações e uma injeção de capital são debatidas
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Investidores se desfizeram de títulos da Raízen (RAIZ4) em meio à crescente preocupação de que seus dois principais acionistas, Cosan (CSAN3) e Shell, não cobrirão um déficit de quase US$ 4 bilhões.
Em reuniões realizadas esta semana para tratar das crescentes pressões financeiras sobre a empresa, a Raízen e seus consultores discutiram possíveis cenários, incluindo um haircut na dívida em uma reestruturação, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. A cisão de parte dos negócios, uma oferta de ações e uma injeção de capital também foram debatidas, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas porque as negociações são privadas. As discussões estão em fase inicial e nenhuma decisão foi tomada, acrescentaram.
A Raízen vem enfrentando dificuldades para lidar com altas taxas de juros, safras abaixo do esperado e uma série de apostas ambiciosas — do etanol de segunda geração ao combustível de aviação sustentável — que ainda não geraram retornos significativos. A empresa precisa de um aporte de capital de 20 bilhões a 25 bilhões de reais (US$ 3,8 bilhões a US$ 4,8 bilhões), afirmou o UBS BB Investment Bank no final do ano passado.
As negociações entre os dois conglomerados se arrastam há meses sem uma solução, agravando os problemas da empresa.
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O golpe mais recente veio esta semana, depois que a Cosan anunciou o resgate de títulos com cláusulas explícitas de inadimplência cruzada com a Raízen. Os investidores interpretaram isso como um sinal de que o conglomerado estará menos disposto a apoiar a produtora de açúcar e etanol, o que fez com que os títulos em dólar despencassem em toda a curva.
A onda de vendas se intensificou na quarta-feira, com os títulos com vencimento em 2032 caindo até 12 centavos de dólar — a pior queda desde sua emissão em 2025. Os rendimentos dos títulos agora estão acima de 14%.
A Shell se absteve de injetar capital adicional por conta própria, pois isso elevaria sua participação na Raízen para mais de 50%, exigindo a consolidação da dívida da empresa em seu próprio balanço.
A Cosan, por sua vez, ainda tenta se reorganizar após a aquisição das ações da Vale (VALE3), que gerou prejuízos. Os recursos de um aumento de capital, no qual o BTG Pactual Holding se tornou acionista, não serão usados para capitalizar a Raízen, disseram as fontes, já que a própria Cosan precisa do financiamento.
O BTG obteve influência significativa nas negociações após investir 4,5 bilhões de reais na Cosan, mas já afirmou que não terá um papel ativo na reestruturação financeira da Raízen. Rubens Ometto, fundador bilionário da Cosan, dificilmente investirá dinheiro próprio, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.
Um porta-voz da Shell afirmou que a empresa reconhece os “significativos desafios financeiros” que afetam a Raízen e que continua trabalhando com as equipes de liderança da Raízen e da Cosan para apoiar a redução do endividamento e buscar “soluções equitativas”.
Entre as opções em discussão está uma oferta de ações, mas consultores estão céticos quanto à capacidade da Raízen de atrair um investidor âncora para a venda. Uma divisão do negócio — incluindo a separação da unidade de distribuição de combustíveis, que continua sendo um de seus ativos mais valiosos — também foi debatida, disseram as fontes.
Um empréstimo entre empresas do mesmo grupo também foi discutido, mas a ideia foi arquivada por razões técnicas, acrescentaram.
Venda de títulos
Os títulos em dólar da empresa causaram uma perda de 18% para os investidores nos últimos seis meses, um dos piores desempenhos entre os títulos corporativos de mercados emergentes, segundo dados compilados pela Bloomberg.
No JPMorgan, analistas elevaram a classificação dos títulos na quarta-feira, citando uma “oportunidade tática” após a venda de títulos na terça-feira. Em nota, o banco afirmou que a Raízen conta com liquidez confortável, um plano de venda de ativos em andamento e expectativas de melhoria do fluxo de caixa, classificando a queda como uma “reação exagerada”.
A Raízen enfrenta uma dívida líquida de 53,4 bilhões de reais, segundo seu último relatório de resultados — a próxima divulgação de resultados está prevista para 12 de fevereiro. Esse montante está distribuído entre detentores de títulos, fundos de crédito e os maiores bancos de varejo do Brasil.
A S&P Global Ratings já rebaixou a classificação da empresa para BBB- com perspectiva negativa, enquanto a Moody’s Ratings a rebaixou para grau especulativo, citando a piora dos indicadores de crédito e fluxos de caixa negativos.
“Com um dos patrocinadores tentando preservar caixa ou priorizar retornos, e o outro provavelmente usando os recursos para reduzir dívidas, uma menor injeção de capital próprio já deve estar precificada”, disse Nicolas Giannone, analista da Balanz UK. “Somado aos preços ainda baixos do açúcar e à ausência de atualizações sobre a venda na Argentina, as condições estão reunidas para uma liquidação.”
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