5 de fevereiro de 2026

​AMD tem maior tombo desde 2018 após projeção fraca frustrar mercado 

Guidance de receita decepciona investidores e reforça percepção de que a empresa ainda avança menos do que o esperado em IA; ações chegaram a cair 16% em Nova York
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A AMD registrou sua pior queda nas ações em mais de sete anos depois que a projeção de vendas da fabricante de chips decepcionou os investidores — um sinal de que a empresa não está avançando em inteligência artificial (IA) no ritmo que Wall Street esperava.

As vendas do primeiro trimestre devem ficar em torno de US$ 9,8 bilhões, com margem de US$ 300 milhões para mais ou para menos, informou a companhia em comunicado na terça-feira. Analistas estimavam US$ 9,39 bilhões em média, mas algumas projeções superavam US$ 10 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Em um ponto positivo com ressalvas, a AMD reportou algumas vendas de chips mais antigos na China. Isso elevou a receita — e sinalizou que a empresa está driblando restrições comerciais —, mas pesou nas margens de lucro.

A projeção frustrou investidores que esperavam um retorno maior do aumento dos gastos com IA. A AMD ainda corre atrás da Nvidia Corp. nesse mercado lucrativo, mas a fabricante afirma que um novo projeto mais poderoso — previsto para o segundo semestre — vai lhe dar vantagem.

As ações chegaram a cair 16%, para US$ 204,01, em Nova York, na quarta-feira — a maior queda intradiária desde outubro de 2018. Os papéis acumulavam alta de 13% no ano até o fechamento de terça-feira.

A CEO Lisa Su manteve o tom otimista de sempre e repetiu a previsão de que a receita de IA da empresa chegará à casa de dezenas de bilhões de dólares em 2027. Ela minimizou perguntas sobre a possibilidade de falta de componentes e disse que a companhia conseguirá atender ao aumento esperado de pedidos.

“Não há dúvida de que a demanda continua forte”, disse Su a analistas em teleconferência. “E, por isso, estamos trabalhando com nossos parceiros da cadeia de suprimentos para aumentar a oferta também.”

As vendas do quarto trimestre cresceram 34%, para US$ 10,3 bilhões, acima da estimativa média de US$ 9,7 bilhões. O lucro foi de US$ 1,53 por ação, excluindo certos itens. Analistas projetavam US$ 1,32 em média, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O negócio de data centers da AMD — principal beneficiário dos gastos com IA — avançou 39%, para US$ 5,38 bilhões no período. Analistas previam US$ 4,97 bilhões em média. As vendas ligadas a computadores pessoais subiram 34%, para US$ 3,1 bilhões, ante previsão média de US$ 2,89 bilhões.

Assim como a Nvidia, a AMD lida com restrições dos EUA sobre o que pode exportar para a China — o maior mercado de chips do mundo. O presidente Donald Trump se moveu recentemente para aliviar as restrições, mas o processo de obtenção das licenças necessárias junto ao Departamento de Comércio tem levado tempo.

A empresa gerou US$ 390 milhões em receita no último trimestre com a venda de chips MI308 de gerações anteriores para clientes chineses. Para o trimestre atual, espera cerca de US$ 100 milhões nesse tipo de venda — a queda é sinal de menor demanda por um produto que está ficando mais defasado.

A AMD busca vender seu processador mais novo, o MI325, na China, mas ainda não tem licenças para oferecer esse chip. A companhia disse que continua discutindo o tema com Washington e com potenciais clientes chineses.

De forma mais ampla, a AMD espera que grandes contratos com OpenAI e Oracle Corp. — além da demanda geral por equipamentos de IA — gerem dezenas de bilhões de dólares em nova receita. Analistas e investidores têm pressionado executivos por projeções mais precisas sobre quando isso deve acontecer.

Os acordos recentes da AMD com OpenAI, Oracle e o Departamento de Energia dos EUA refletem o aumento do interesse por sua série MI de aceleradores de IA. Esses produtos, que competem diretamente com chips da Nvidia, são usados em data centers para criar e operar serviços de IA.

A AMD também é uma das maiores fornecedoras de chips gráficos e de CPUs usadas em PCs e servidores. A Intel, principal rival da AMD nesse segmento, divulgou no mês passado uma projeção decepcionante, dizendo não conseguir oferta suficiente para atender à forte demanda. Wall Street interpretou isso como um indicativo de que a AMD continua ganhando participação de mercado.

© 2026 Bloomberg L.P.

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