8 de fevereiro de 2026

​Escala 6×1 entra no centro da campanha de Lula e acende alerta fiscal no mercado 

Proposta ganha tração política em ano eleitoral, divide estudos técnicos e preocupa setores intensivos em mão de obra
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A retomada dos trabalhos no Congresso colocou a revisão da jornada de trabalho no centro da agenda política do governo em 2026. Defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como uma das prioridades do ano, a proposta de extinguir a escala 6×1 sem redução salarial passou a ser lida pelo mercado não apenas como um debate trabalhista, mas como um risco fiscal e econômico com potencial de impacto direto sobre emprego, produtividade e crescimento.

No Mapa de Risco, novo programa de política do Infomoney, que foi ao ar nessa sexta-feira (6), analistas apontaram que a discussão ganhou tração justamente no momento em que o calendário eleitoral passa a influenciar o comportamento do Congresso.

“Essa é possivelmente a última eleição do presidente Lula. O PT deve usar a campanha para tentar se reconectar com pautas muito sensíveis à sua base eleitoral, especialmente a dos trabalhadores”, afirmou a analista de política da XP, Bárbara Baião.

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Do ponto de vista técnico, o debate é marcado por leituras opostas. Uma nota do Centro de Liderança Pública estima que o fim da escala 6×1 poderia resultar na perda de mais de 600 mil empregos formais, com queda relevante de produção, especialmente em setores como comércio, agropecuária e construção. Já estudos citados por defensores da proposta apontam efeito inverso, com geração de vagas e aumento da massa salarial.

Segundo um levantamento feito pelo Dieese, a redução de 44h para 40h semanais geraria potencial de 3,6 milhões de novos postos de trabalho formal e a redução para 36h geraria 8,8 milhões de postos com possível massa adicional de 9,2 bilhões em salários.

Para a analista de política da XP, Bianca Lima, o ponto central não é apenas o mérito da proposta, mas a probabilidade de avanço legislativo em um ambiente político favorável a pautas populares. “Se esse tema for pautado nos plenários, a chance de progresso é alta, porque é muito difícil ir contra uma pauta tão popular às vésperas da eleição”, avaliou Bianca.

Meio do caminho

Apesar do discurso mais ambicioso, a avaliação entre analistas é de que, caso avance, a proposta tende a ser moderada. “Não vejo espaço para uma guinada brusca, como uma jornada 4×3. O que poderia avançar é um meio do caminho, algo como 5×2, com uma discussão muito sensível sobre manutenção de salário, custo para as empresas e tempo de transição”, disse Bianca.

Esse desenho preocupa especialmente setores intensivos em mão de obra, como bares, restaurantes e comércio, que já atuam junto ao Congresso para tentar mitigar impactos. A leitura é que qualquer redução de jornada com salário preservado implica aumento de custo num cenário de juros elevados e margens pressionadas.

Ano eleitoral acelera risco

O timing da discussão reforça a percepção de risco. Segundo Bárbara Baião, o próprio governo já admite que a proposta pode ganhar corpo ainda no primeiro semestre, justamente quando deputados e senadores estão mais atentos ao humor do eleitorado.

“É uma pauta muito popular e a aposta do Planalto é que haja adesão, especialmente se a relação com a presidência da Câmara seguir mais azeitada”, afirmou.

Para o mercado, o risco está menos no texto final e mais no sinal político. A combinação de pressão eleitoral, agenda trabalhista e incerteza sobre compensações econômicas tende a aumentar a cautela com ativos ligados a consumo e serviços, além de alimentar dúvidas sobre o compromisso do governo com a previsibilidade fiscal às vésperas da disputa presidencial.

O Mapa de Risco, novo programa de política do Infomoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no Youtube e no seu tocador de podcast preferido.

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