Milhares de agentes de segurança italianos serão mobilizados, embora a presença de integrantes do órgão de imigração dos Estados Unidos tenha provocado indignação
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MILÃO — Para as autoridades responsáveis pela segurança das Olimpíadas de Inverno, que começam nesta semana no norte da Itália, o “momento de ouro” deve acontecer antes mesmo de as disputas começarem pra valer.
A cerimônia de abertura, na sexta-feira, deve atrair bilhões de espectadores e reunir uma fila de autoridades no estádio San Siro, em Milão, para a grande estreia dos Jogos. É também um alvo preferencial.
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“Se alguém quiser mexer com os Jogos, sabotar os Jogos, a cerimônia de abertura é o caminho mais óbvio”, disse em entrevista Franz Regul, que comandou a área de cibersegurança nas Olimpíadas de Verão de 2024, em Paris.
A cerimônia (marcada para as 14h de sexta, no horário de Brasília) envolve mais de 1.000 artistas, que passaram centenas de horas ensaiando, e funciona como cartão de visitas da Itália para o mundo. Proteger os Jogos — que também terão provas acontecendo ao mesmo tempo em instalações nas montanhas de Cortina e Livigno — exige uma das maiores e mais complexas operações de segurança da história italiana, com 6.000 agentes em campo e uma frota de drones de vigilância e robôs para inspeções.
“Nós treinamos, nos preparamos para os Jogos e, no nosso caso, durante a cerimônia de abertura, temos a nossa própria final olímpica”, afirmou Regul.
As ameaças antes mesmo da festa de abertura ficaram mais claras na quarta-feira, quando autoridades italianas disseram ter frustrado uma tentativa de ataque cibernético contra alguns sites do governo e ligados às Olimpíadas, incluindo páginas de hotéis em Cortina. O chanceler Antonio Tajani afirmou a jornalistas que os ataques eram “de origem russa”.
Em 2018, um grande ataque cibernético atribuído à Rússia provocou uma interrupção sem precedentes na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Inverno de Pyeongchang, na Coreia do Sul. A ofensiva derrubou o acesso à internet e transmissões, impediu o uso de drones que fariam parte de um número coreografado e tirou do ar o site dos Jogos. Também impossibilitou que torcedores imprimissem ingressos e chegassem ao estádio, deixando um número incomum de cadeiras vazias.
Segundo o governo britânico, a Rússia tentou mascarar aquele ataque como se tivesse sido realizado pela Coreia do Norte.
As ações russas são motivo de preocupação para os Jogos há mais de uma década, desde que a descoberta de um amplo esquema de doping estatal resultou em proibições internacionais a atletas russos competirem pelo país em grandes eventos esportivos — restrições mantidas após a invasão da Ucrânia, em 2022. Em Milão-Cortina, russos só podem competir como atletas neutros, sem bandeira.
As tentativas de Moscou de atrapalhar edições recentes também incluíram invasões de sistemas e até uma campanha de desinformação antes dos Jogos de Paris, com um falso documentário que usava uma voz que imitava a do ator Tom Cruise.
Daniel Byman, diretor do Programa de Guerra, Ameaças Irregulares e Terrorismo do Center for Strategic and International Studies, em Washington, diz que os organizadores se preocupam principalmente com ameaças vindas de Estados nacionais “porque eles tendem a ser mais capacitados e ter mais recursos”.
Antes mesmo de o governo italiano revelar o ataque russo frustrado, porém, quem vinha causando irritação no país eram agentes de outra nação: os Estados Unidos.
A revelação, na semana passada, de que integrantes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE) acompanhariam autoridades americanas nas Olimpíadas gerou forte reação na Itália. Políticos e manifestantes criticaram o histórico do órgão na repressão migratória durante o governo Trump, em operações em Minnesota.
Autoridades americanas vêm insistindo que toda a responsabilidade pela segurança é da Itália. Elas dizem que o grupo do ICE não fará trabalho de controle migratório e virá da divisão Homeland Security Investigations (HSI), acostumada a atuar com parceiros internacionais em temas de segurança e ordem pública.
“O papel do HSI nas Olimpíadas será estritamente consultivo e baseado em inteligência, sem qualquer participação em patrulhamento ou ações de fiscalização”, afirmou em nota o embaixador dos EUA na Itália, Tilman J. Fertitta, na semana passada.
Ainda assim, a presença do ICE se tornou o principal foco de tensão diplomática antes dos Jogos. O prefeito de Milão chegou a dizer que o governo italiano deveria barrar o órgão, que ele classificou como uma milícia envolvida em “atos criminosos”.
A controvérsia foi tão grande que o comitê olímpico americano anunciou, nesta semana, que a “Ice House”, espaço de hospitalidade para atletas dos EUA em um hotel de Milão, será rebatizada como “Winter House”. O local “foi pensado como um espaço privado, livre de distrações”, disseram os organizadores em comunicado.
Byman, ex-analista de inteligência do governo americano, afirmou não se lembrar de presença do ICE em nenhuma Olimpíada anterior.
Para garantir a segurança dos Jogos de Paris, considerados um dos mais bem-sucedidos dos últimos anos, os organizadores fecharam grandes áreas da cidade para o tráfego e colocaram milhares de militares nas ruas. Mesmo assim, antes do amanhecer no dia da abertura, um ato de sabotagem afetou a rede de trens de alta velocidade da França, deixou milhares de viajantes sem transporte e atrapalhou um momento de forte apelo simbólico para o país. Ninguém reivindicou a autoria.
No caso de Milão-Cortina, o plano de segurança também prevê o uso de robôs capazes de inspecionar áreas perigosas ou de difícil acesso e — assim como em Paris — um centro de comando cibernético que funcionará 24 horas por dia, monitorando as redes dos Jogos e infraestruturas-chave de transporte.
c.2026 The New York Times Company
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