10 de fevereiro de 2026

​Como o Brasil virou potência das transferências e gastou quase R$ 1 bi na janela 

País lidera o mundo em número de contratações e aparece como terceiro maior investidor
The post Como o Brasil virou potência das transferências e gastou quase R$ 1 bi na janela appeared first on InfoMoney.  

O futebol brasileiro iniciou 2026 consolidado em um novo patamar no mercado internacional de transferências. De acordo com relatório divulgado pela Fifa, o Brasil foi a associação que mais contratou jogadores na janela de janeiro e terminou o período como o terceiro maior investidor do mundo, com gasto total de US$ 180 milhões, cerca de R$ 948 milhões.

No total, 456 atletas chegaram a clubes brasileiros, número que coloca o país com folga na liderança global em volume de negociações. A Espanha, segunda colocada, registrou 244 contratações — pouco mais da metade do total brasileiro. O dado ilustra uma mudança estrutural: o Brasil deixou de ser apenas um grande exportador de talentos para se firmar também como mercado comprador e articulador.

No recorte financeiro, apenas Inglaterra (US$ 363 milhões) e Itália (US$ 283 milhões) superaram o investimento brasileiro. A posição no ranking reflete um cenário de maior estabilidade econômica dos clubes, crescimento de receitas comerciais e uma gestão mais profissionalizada.

Leia também

Quanto custam as medalhas das Olimpíadas de Inverno?

As medalhas deste ano utilizam metal reciclado proveniente de seus próprios resíduos

— Os números mostram um mercado brasileiro mais ativo e mais sofisticado. O volume de contratações reflete não só poder de investimento, mas uma mudança de mentalidade, com atenção a oportunidades de mercado, atletas livres e modelos sustentáveis, analisa Cláudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management.

O que explica a virada de chave

Especialistas apontam três fatores centrais para a ascensão do Brasil nesse mercado: aumento de receitas, melhoria na governança e leitura estratégica do mercado internacional. A entrada de investidores, a criação de SAFs, contratos de mídia mais robustos e maior profissionalização dos departamentos de futebol permitiram aos clubes operar com mais previsibilidade financeira.

Outro ponto-chave foi a mudança no perfil das negociações. Segundo o relatório, 59% das transferências internacionais envolveram jogadores livres, enquanto 24% foram empréstimos. Apenas 17% exigiram pagamento de taxas. Esse modelo favoreceu clubes brasileiros, que passaram a reforçar elencos com menor risco financeiro e maior eficiência esportiva.

Portugal aparece como o principal país de origem dos atletas contratados por clubes brasileiros, seguido por Japão, Uruguai, Colômbia e Malta, evidenciando a ampliação do raio de atuação dos clubes no mercado global.

— O Brasil vive um momento de consolidação como mercado comprador. Isso exige atuação cada vez mais profissional na gestão de carreira, na construção de imagem e na tomada de decisão dos atletas, afirma Marcos Casseb, sócio da Roc Nation Sports Brazil.

Um mercado mais maduro

A idade média dos atletas envolvidos nas transferências internacionais foi de 24,9 anos, sinalizando foco em jogadores prontos, mas ainda com margem de valorização. No panorama global, janeiro de 2026 registrou 5.973 transferências internacionais, recorde histórico, com movimentação financeira total de US$ 1,9 bilhão (cerca de R$ 10 bilhões).

Para Alexandre Frota, ex-presidente do Ceará e atual CEO da FutPro Expo, o momento confirma uma transformação profunda.

— O futebol brasileiro deixou de ser apenas formador para assumir papel central na engrenagem global. Isso impacta gestão, governança e profissionalização dos clubes, afirma.

O relatório da Fifa ainda não contabiliza negociações fechadas após o encerramento da base de dados. Por isso, a transferência de Lucas Paquetá para o Flamengo, a maior da história do futebol brasileiro, não aparece nos números — um indicativo de que o protagonismo do país pode ser ainda maior nos próximos balanços.

The post Como o Brasil virou potência das transferências e gastou quase R$ 1 bi na janela appeared first on InfoMoney.

 InfoMoney