12 de fevereiro de 2026

​Brasil está ‘investível’ por falta de opções e EUA ainda preocupam, dizem gestoras 

Alocações no Brasil continuam aparecendo nos portfólios, mas não por uma mudança estrutural nos fundamentos domésticos, mas pela piora das condições no exterior
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A Bolsa vem atingindo novas máximas e o dólar caindo em 2026, mas a visão de gestoras locais é de que não há ainda um céu de brigadeiro para os ativos brasileiros – principalmente considerando a redução dos prêmios, ou seja, a elevação dos preços após o forte fluxo estrangeiro neste começo de ano.

Essa é a leitura que emerge das cartas mensais de algumas das principais casas do País, que pintam um cenário menos triunfalista do que o movimento recente dos mercados pode sugerir.

O Brasil continua aparecendo nos portfólios, mas não por uma mudança estrutural nos fundamentos domésticos. O que sustenta a atratividade é, sobretudo, a comparação com um cenário internacional mais restritivo, no qual faltam alternativas claras de risco-retorno.

A Opportunity aponta que o carrego segue relevante em um ambiente global mais seletivo, mas ressalta que a fragilidade fiscal limita uma visão mais construtiva no longo prazo. Na mesma linha, a Genoa Capital avalia que o fluxo para ativos brasileiros reflete mais a escassez de alternativas no exterior do que uma melhora consistente dos fundamentos domésticos.

A Adam Capital adota um tom mais crítico ao tratar do cenário doméstico. Na avaliação da gestora, “o Brasil apresenta uma das piores taxas de poupança bruta em relação ao PIB”, nível considerado insuficiente para sustentar ciclos de investimento sem pressionar o balanço de pagamentos. A casa afirma ainda que esse quadro “consolida um cenário de desancoragem fiscal que eleva o custo de capital e limita o potencial de crescimento de longo prazo”.

A gestora também questiona a leitura de que a política monetária esteja excessivamente restritiva. Segundo a carta, “os dados mostram uma economia rodando com dinamismo”, o que indicaria que o atual patamar de juros exerce contenção menor do que o consenso acredita. Nesse contexto, a Adam afirma que “a sinalização de relaxamento monetário pelo Copom parece ignorar a deterioração dos fundamentos internos”.

Ao mesmo tempo, cresce entre gestores a avaliação de que riscos relevantes nos Estados Unidos ainda não estão plenamente refletidos nos preços dos ativos. Gestoras indicam que o mercado ainda opera com um cenário-base relativamente benigno, apesar do aumento das incertezas fiscais e políticas.

A Ibiuna Investimentos, por exemplo, questiona se um ambiente externo favorável pode continuar prevalecendo sobre os fundamentos locais na precificação dos ativos brasileiros, sugerindo que a distribuição de riscos permanece assimétrica e que choques relevantes ainda podem estar fora do preço. A leitura é que decisões de política econômica nos EUA seguem com potencial para gerar movimentos abruptos nos mercados.

Diante desse cenário, a Kapitalo afirma priorizar “estruturas que preservem capital em cenários adversos”, com foco em assimetria e proteção.

“Acreditamos que nesses processos de realocação de portfólios, as tendências de preços não são graduais”, afirma a gestora na carta do fundo K10. “O mais provável é continuarmos observando sequências de saltos de preços, com correções, ao longo do caminho.”

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