11 de fevereiro de 2026

​Inflação acelera na Argentina em meio a crise no órgão de estatísticas sob Milei 

Alta de 2,9% em janeiro supera projeções e vem após a saída do chefe do INDEC, em meio a impasse sobre nova metodologia de cálculo e pressão do FMI
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A inflação na Argentina acelerou pelo quinto mês consecutivo em janeiro, enquanto Javier Milei enfrenta os desdobramentos da renúncia do chefe da agência nacional de estatísticas por causa de um desentendimento com o presidente.

Os preços ao consumidor subiram 2,9% no mês passado em relação a dezembro, acima da mediana de 2,4% estimada por analistas consultados pela Bloomberg e um pouco acima do período anterior. Em relação a um ano atrás, a taxa de inflação avançou para 32,4%, de acordo com dados publicados na terça-feira pela agência de estatísticas INDEC.

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Alimentos, restaurantes, hotéis e contas de serviços públicos lideraram as altas de preços no mês passado.

Os números vêm após o ex-chefe do INDEC, Marco Lavagna, renunciar abruptamente na semana passada, quando Milei decidiu adiar a implementação, pela agência, de uma nova metodologia de cálculo da inflação que passaria a valer justamente com o dado de janeiro. O índice de inflação atual da Argentina é baseado em uma cesta de bens que não é alterada há duas décadas e é amplamente considerada defasada.

Autoridades do Fundo Monetário Internacional também estão em Buenos Aires nesta semana para revisar o programa de US$ 20 bilhões do governo, e espera-se que discutam especificamente o cronograma de adoção da nova metodologia. O FMI ainda não comentou a decisão de Milei de adiar a nova versão.

O ministro da Economia, Luis Caputo, vem tentando conter as repercussões, destacando que os títulos indexados à inflação da Argentina não se moveram com a saída de Lavagna. Caputo afirma que ele deixou o cargo em bons termos, mas que ele e Milei discordaram do momento de implementar a nova cesta de bens — que deverá dar maior peso a serviços que não existiam há 20 anos — até que a inflação estivesse mais controlada.

Embora as altas de preços ao consumidor tenham desacelerado de forma significativa desde que Milei assumiu, enfrentando taxas de inflação de três dígitos, ele tem dificuldade em avançar com sua agenda de austeridade — em parte por meio do corte de subsídios às tarifas de serviços públicos — e, ao mesmo tempo, conter a inflação. Depois de a inflação mensal tocar 1,5% em meados de 2025, ela vem subindo gradualmente por uma série de fatores.

Além de janeiro, os riscos de novas pressões de alta tendem a aumentar. Milei planeja elevar novamente as contas de luz e gás dos consumidores em fevereiro para ajudar a manter o superávit fiscal do governo. Os custos com educação e vestuário também costumam disparar em março, com a volta às aulas no Hemisfério Sul.

Ainda se espera uma desaceleração da inflação neste ano, embora em ritmo mais lento. Economistas consultados pelo banco central em janeiro projetavam inflação anual de 22% até o fim do ano.

© 2026 Bloomberg L.P.

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