Joanna Griffiths, fundadora da empresa de moda íntima Knix, tenta tomar decisões com mais clareza e lidar com burnout extremo
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Cada pessoa lida de um jeito com o estresse do trabalho: alguns limpam a mente com corridas às 5 da manhã ou desabafando com seus terapeutas, enquanto outros deixam a chamada “terapia do varejo” fazer sua mágica. Joanna Griffiths experimentou por anos trabalhar com coaches executivos para ajudá-la a enfrentar os desafios de liderar a Knix, uma empresa de moda íntima avaliada em US$ 400 milhões. Agora, porém, ela vem encontrando um novo impulso ao entrar em um estado meditativo, semelhante a um transe.
“Eu adoro hipnoterapia, que tem sido muito útil”, conta Griffiths à Fortune. “[Minha hipnoterapeuta] trabalha com muitos empreendedores de alto perfil, atletas e criativos em posições muito seniores. Estamos realmente trabalhando para reprogramar meu cérebro e a forma como reajo em diferentes situações.”
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Nos últimos cinco anos, ela vem trabalhando com a hipnoterapeuta norte-americana Grace Smith, apresentada a ela por outra fundadora de sucesso. Smith, cofundadora da Grace Hypnotherapy, já atraiu 78 mil usuários para seu aplicativo e uma lista de clientes famosos — que vai de CEOs de empresas da Fortune 500 e celebridades de primeira linha a atletas olímpicos e funcionários da Casa Branca.
Griffiths diz que o foco principal do trabalho tem sido seu medo de fracassar, enfrentando grandes decisões de negócios, como a possibilidade de abrir o capital da Knix e, potencialmente, passar a ser examinada sob um microscópio como fundadora mulher. Nas sessões quinzenais de uma hora, ela vem aprendendo a tomar decisões mais inteligentes “a partir de um lugar de otimismo, e não de medo”.
“Colocamos ênfase demais no medo do fracasso”, continua. “Muitas vezes não nos permitimos pensar nisso até o fim e dizer: ‘Ok, se isso realmente der errado, o que é que vai acontecer? Eu ainda tenho minha família? Ainda tenho minha saúde? Ainda tenho meu conhecimento interno?’”
Um olhar por dentro das sessões de hipnoterapia com fundadores bem-sucedidos
O conceito de hipnoterapia evoca muitos clichês da cultura pop: um participante disposto caindo em transe ao som de um pêndulo balançando e de um metrônomo marcando o tempo, realizando inconscientemente tudo o que lhe é pedido. Mas as sessões de Griffiths com Smith são orientadas a objetivos e têm caráter meditativo, ajudando-a a lidar com o esgotamento e com decisões intensas.
A presidente da Knix afirma que a hipnoterapia elimina o ruído e traz clareza sobre como abordar o que é mais urgente. Griffiths e Smith se encontram pelo Zoom, passando os primeiros 15 a 20 minutos conversando sobre os desafios atuais, seguidos por uma sessão de hipnoterapia de 30 a 40 minutos para tratar especificamente das questões mais prementes.
Os temas vão desde uma grande decisão no horizonte até a forma de lidar com uma dinâmica difícil dentro da equipe; e, uma a três vezes por ano, as duas se encontram presencialmente para sessões de dia inteiro, mergulhando na infância da fundadora da Knix, bem como em seus objetivos profissionais futuros.
Ao longo dos últimos cinco anos, Griffiths diz que Smith a ajudou a “lidar com meus medos e inseguranças e a atravessá-los, em vez de deixá-los me travar”.
“Ganhei muita clareza sobre as coisas… como o fato de eu não querer comandar uma empresa de capital aberto, de onde eu tirava significado, todas essas grandes questões”, explica. “Costumo sair com uma compreensão visual muito clara e uma representação do que fazer a seguir. Como outros estados meditativos, também é ótimo para a saúde do cérebro e para ‘resetar’ o sistema nervoso.”
O diagnóstico de burnout extremo e o aprendizado de como recarregar as energias
Com mais de uma década de experiência como fundadora, aos 42 anos Griffiths conhece de perto as complexidades sociais e o peso emocional do empreendedorismo.
A canadense lançou a marca de produtos menstruais em Toronto, em 2012, logo após concluir seu MBA no Insead, na França. Para tirar a Knix do papel, amigos, familiares e ex-colegas de trabalho entraram como investidores-anjo, com aportes que variavam de US$ 15 mil a US$ 100 mil.
Ela atuou como CEO por uma década antes de fechar uma venda de US$ 320 milhões que avaliou a Knix em US$ 400 milhões, quando a Essity comprou 80% do negócio. Griffiths se lembra das dificuldades nos anos que antecederam a aquisição, em 2022.
Segundo ela, havia muita crítica direcionada a fundadoras mulheres — e ser colocada sob um “conjunto diferente de expectativas” só aumentou sua pressão mental.
Ela se recorda até de um episódio em que uma conhecida gestora de venture capital de San Francisco a chamou de “preguiçosa” porque ela não havia postado o look do dia naquela manhã.
Abrir o capital teria apenas agravado o estresse que já enfrentava, e Griffiths diz que não queria “desaparecer”, como acontece com outras fundadoras depois de seus IPOs.
Quando a covid-19 varreu o mundo, a vida de Griffiths parecia não parar de mudar. A cada seis meses desde 2020, houve algum tipo de virada decisiva que a tirou do eixo.
Ela atravessou a pandemia, teve três filhos, levantou uma rodada de capital de US$ 50 bilhões e vendeu a empresa por US$ 320 milhões — tudo isso em apenas dois anos e meio.
Após a venda, permaneceu como presidente, mas continuava acumulando funções demais, e a pressão só aumentava. Foi apenas em 2024 que tudo mudou: Griffiths fez sete voos noturnos em 21 dias e diz que seu “cérebro entrou em colapso”.
“Recebi o diagnóstico de burnout extremo [em 2024] pela primeira vez na vida, e isso foi realmente revelador para mim. Você precisa cuidar de si mesma e encontrar tempo para recarregar”, relembra a fundadora millennial.
“A cultura da correria e o uso da ocupação constante como um distintivo de honra são coisas que nos foram impostas como sinal de sucesso.”
A hipnoterapia vem ajudando a combater essa mentalidade americana profundamente enraizada do “trabalhe até cair”. Ao lidar com o burnout crônico, ela finalmente aceita que não pode dizer sim para tudo. Aproveitar um tempo para si e estabelecer limites também se tornaram prioridades maiores depois de mais de uma década no jogo.
Embora Griffiths não esteja mais à frente da empresa como CEO, ela continua sendo o rosto e a mente por trás do negócio multimilionário de moda íntima. Como fundadora e presidente, segue levando a empresa a novos patamares — e, apenas em dezembro passado, a Knix alcançou a marca de 1 bilhão de dólares canadenses (US$ 732 milhões) em vendas líquidas. Daqui para frente, porém, ela aprendeu a se afastar da cultura da correria do empreendedorismo.
“Tenho sido bem firme em dizer não”, afirma Griffiths, acrescentando que gostaria de ter aprendido antes a “valorizar os momentos mais tranquilos, o tempo livre e a criação de limites”.
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