12 de fevereiro de 2026

​Drones de cartéis ou teste do Pentágono? Fechamento de aeroporto gera caos nos EUA 

Agência de aviação fechou por algumas horas o espaço aéreo em El Paso, entre versão oficial de drones de cartéis e relatos de testes de tecnologia antidrone com laser perto do aeroporto
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Por algumas horas nesta quarta-feira (11), o tranquilo aeroporto de El Paso, no Texas, virou um inesperado foco de confusão.

Na noite de terça-feira (10), a Administração Federal de Aviação (FAA) emitiu um breve aviso a pilotos informando que o espaço aéreo na região seria fechado — por um período sem precedentes de 10 dias — por “motivos especiais de segurança”. Quase tão rápido quanto impôs a medida, a FAA suspendeu as restrições na manhã de quarta-feira.

Relatos conflitantes sobre o que motivou a decisão começaram a surgir rapidamente.

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Autoridades do governo Trump, incluindo o secretário de Transportes, Sean Duffy, disseram que o bloqueio foi uma resposta a drones operados por cartéis de drogas mexicanos que teriam violado o espaço aéreo dos EUA. Duffy afirmou em uma postagem em rede social que a FAA e o Departamento de Defesa “agiram rapidamente” para lidar com a incursão e “neutralizaram” a ameaça.

Outras pessoas com conhecimento da situação traçam um quadro diferente, que aponta para uma falha de comunicação entre partes-chave do governo dos EUA.

A FAA fechou o espaço aéreo porque o Pentágono estava operando drones e testando tecnologia de laser de alta energia para combater aeronaves não tripuladas, como parte de uma iniciativa voltada a enfrentar possíveis ameaças de drones operados por cartéis, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Uma delas disse que os drones do Pentágono estavam voando fora das rotas normais.

As atividades militares estavam sendo realizadas em espaço aéreo próximo ao Aeroporto Internacional de El Paso, que divide o espaço aéreo com uma base do Exército dos EUA, levantando preocupações na FAA sobre possível interferência com aeronaves civis, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as informações não são públicas.

FAA e Departamento de Defesa tinham uma reunião marcada para 20 de fevereiro para discutir os impactos de segurança dessa tecnologia antidrone, mas o departamento queria agir mais rápido, disse uma das pessoas.

A FAA não respondeu a pedidos de comentário. O Departamento de Defesa não respondeu a pedidos de comentário sobre os testes da tecnologia antidrone nem sobre a coordenação com a FAA em protocolos de segurança. O Exército se recusou a comentar e encaminhou as perguntas ao Departamento de Defesa.

As versões divergentes alimentaram a confusão sobre o que motivou essa medida altamente incomum.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse em sua coletiva diária que seu governo investigaria as razões por trás do fechamento do espaço aéreo no Texas.

“Não há informação sobre uso de drones na fronteira”, afirmou.

Os deputados Rick Larsen, principal democrata no Comitê de Transportes e Infraestrutura da Câmara, e André Carson, membro de maior escalão democrata na subcomissão de aviação, classificaram a situação como “inaceitável”.

Em comunicado, eles culparam legislação que amplia os poderes do Departamento de Defesa para combate a drones, por permitir que o Pentágono “aja de forma imprudente no espaço aéreo público”.

O governo federal não forneceu aviso prévio às autoridades locais, ao aeroporto nem à presença militar local antes do fechamento, disse Chris Canales, membro do conselho municipal de El Paso.

“Não temos razão para acreditar que exista qualquer tipo de ameaça imediata à segurança de El Paso, mas também não recebemos nenhuma justificativa para a restrição de voo por parte da FAA ou de qualquer autoridade federal”, afirmou ele em e-mail à Bloomberg na quarta-feira, antes de a restrição ser suspensa.

Autoridades de alto escalão do Departamento de Segurança Interna (DHS) disseram a parlamentares no ano passado que cartéis de drogas mexicanos usam drones armados para atacar uns aos outros e podem representar ameaça às forças armadas ou à polícia dos EUA, e pediram ajuda para combater drones usados por grupos criminosos para vigilância e contrabando.

O presidente Donald Trump prometeu combater os cartéis mexicanos, que vêm usando cada vez mais drones para contrabandear drogas pela fronteira sul dos EUA. A decisão de fechar o espaço aéreo tão perto da fronteira com o México alimentou especulações de que os militares poderiam estar prestes a cumprir as repetidas ameaças de Trump de atacar organizações de tráfico de drogas em solo estrangeiro.

No fim do ano passado, a FAA pediu que pilotos tivessem cautela por causa da “intensificação de atividade militar em ou ao redor da Venezuela”, à medida que o governo Trump concentrava forças na região. Posteriormente, autoridades fecharam temporariamente partes do espaço aéreo do Caribe, enquanto os militares dos EUA realizavam uma operação surpresa para capturar o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

O Exército dos EUA vem há anos desenvolvendo armas de energia dirigida, incluindo lasers de alta energia, para ajudar a combater drones inimigos como alternativa mais barata e versátil do que mísseis.

© 2026 Bloomberg L.P.

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