O movimento não é trivial, nem frequente, explica Lucas Collazo, apresentador do podcast Stock Pickers; entenda
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O Bitcoin vive um período atípico de desvalorização, acumulando uma sequência de quedas pouco comum até mesmo em sua história marcada por volatilidade. Segundo Lucas Collazo, apresentador do podcast Stock Pickers, o movimento “não é trivial, nem frequente”.
Ele afirma que fases prolongadas de queda costumam mudar o tom do debate: “Quando sobe, todo mundo pergunta para onde vai. Quando cai, passam a questionar o que realmente está sendo avaliado”.
Para ele, entender a dinâmica do Bitcoin exige olhar além do gráfico — exige compreender a ideia que o originou.
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A origem em meio a uma crise de confiança
A história do Bitcoin começa em 2008, ano em que a crise financeira global expôs a fragilidade estrutural do sistema bancário tradicional. Foi nesse contexto que surgiu o documento “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System”, assinado pelo enigmático Satoshi Nakamoto.
A proposta não nasceu como investimento, mas como um sistema de pagamentos capaz de funcionar sem intermediários.
“O Bitcoin surge de um problema muito concreto: como permitir transferências de valor na internet sem depender de uma autoridade central.”
A solução combinou criptografia, uma rede distribuída e o mecanismo de prova de trabalho — um processo que exige gasto energético para validar blocos e proteger o sistema contra fraudes. Em 2009, o bloco Gênese marcou o início da rede, que por anos operou quase invisível ao mercado financeiro.
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Da pizza aos ciclos explosivos
O primeiro uso real do Bitcoin ocorreu em 2010, quando 10 mil unidades foram usadas para comprar duas pizzas. O valor era irrisório à época, mas o gesto simbolizou a transição da teoria para a prática. A partir daí, o mercado se formou, plataformas surgiram e a volatilidade passou a fazer parte do DNA do ativo. Desde então, ciclos de euforia seguidos por correções profundas se repetiram em 2013, 2017 e 2021.
Esses movimentos, afirma Collazo, são consequência de uma combinação específica: oferta programada e demanda volátil. Com emissão limitada a 21 milhões de unidades e halvings periódicos, a oferta cresce de forma cada vez mais lenta. Isso cria, segundo ele, uma assimetria clara: “Se a demanda dispara, o preço reage rápido; se cai, o ajuste é violento”.
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Rede e ativo: duas histórias diferentes
Para analisar o Bitcoin, Collazo defende separar o funcionamento da rede do comportamento do ativo. A rede segue operando independentemente do humor do mercado; o preço, por outro lado, reflete expectativas, medo, euforia e liquidez global.
Períodos de queda prolongada, aponta, funcionam como filtros naturais: “Quem entrou só pela valorização rápida tende a sair. Quem fica é obrigado a encarar o ativo sem a ajuda da euforia”.
O Bitcoin, destaca ele, nunca se encaixou perfeitamente nas categorias tradicionais — não é empresa, não paga juros, não tem lastro estatal. É usado como tecnologia, meio de troca, ativo escasso e instrumento especulativo. E talvez esteja aí sua complexidade. “O Bitcoin é mais interessante de estudar quando está em queda do que quando está em alta”, diz Collazo. “Com o mercado calmo, qualquer narrativa parece boa. O que realmente testa o sistema é a instabilidade.”
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