Mudanças incluem filtros estatísticos, controle de capacidade e combinação de estratégias descorrelacionadas para reduzir volatilidade
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A XP vem promovendo uma reestruturação na governança e na construção dos seus robôs de renda variável. A mudança inclui novos filtros de qualidade, limites operacionais e um modelo de portfólios descorrelacionados com foco em suavizar drawdowns e melhorar a consistência dos resultados.
Os robôs começaram a ganhar escala na plataforma ao longo do ano passado. “Eles começaram a ganhar corpo ali para junho e julho. A partir do segundo semestre, começamos a estruturar governança e inserir parâmetros de risco dentro dos robôs”, afirma Davi Xavier, head de risco da XP.
A declaração foi feita durante o painel do XP Quant Summit 2026, evento promovido pela XP que reuniu assessores de investimentos, heads de renda variável e donos de escritório para discutir o avanço da tecnologia no mercado financeiro. Com o tema “A nova onda | Tecnologia transformando o mercado financeiro”, o encontro abordou o uso de automações, inteligência artificial e machine learning aplicados à renda variável.
Segundo Xavier, a curva de evolução ficou mais clara a partir de dezembro: “Foi de dezembro para cá que a gente começou de fato a melhorar o desempenho.”
A XP identificou que o modelo anterior favorecia estratégias direcionais (movimento claro de alta ou de baixa), que performavam bem em mercados de tendência, mas poderiam ter melhor desempenho em momentos de lateralização ou volatilidade errática.
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Novo modelo prioriza descorrelação e controle de risco
A principal mudança foi a criação de um novo modelo de construção de portfólios, batizado internamente de “Projeto Quant”. As estratégias passam por filtros de qualidade baseados em reamostragem estatística, simulações de Monte Carlo (tipo de algoritmo computacional que usa amostragem aleatória repetida) e análise de risco-retorno.
“A gente encontrou uma forma de unir o melhor de cada desenvolvedor. Pegamos estratégias descorrelacionadas, de desenvolvedores diferentes, e garantimos que juntas elas se complementem”, diz João Fontes, sales de renda variável da XP.
O objetivo é reduzir a volatilidade excessiva sem eliminar o potencial de retorno. “Você pode ter três estratégias distintas no portfólio. Em um dia específico, uma pode performar muito bem, enquanto as outras não operam ou performam menos, mas sem apagar o resultado positivo”, pontua Fontes.
Projeto Quant. Foto XP.
A lógica central é suavizar a curva de capital. “A partir da descorrelação, a gente estabiliza o drawdown e cria uma experiência mais linear e saudável para o cliente, sem tirar o principal atrativo, que é o potencial de retorno”, acrescenta Pedro Gonçalves, Sales de Renda Variável da XP.
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Foco em alocação e horizonte de médio prazo
A XP reforça que os robôs devem ser usados como complemento de carteira, não como aposta concentrada. A recomendação média é de 1% a 3% do patrimônio, podendo chegar a 5% para perfis mais agressivos.
“O cliente não aguenta um drawdown de 50% ou 60% no mês. Então o capital recomendado agora é personalizado para que seja estatisticamente improvável um drawdown acima de 20% a 25% em 21 dias”, comenta Fontes.
De acordo com Gonçalves, a ideia central do modelo é combinar estratégias que de fato são complementares em um portfólio, que tenham uma boa qualidade, deixando a experiência mais saudável, sem tirar o principal atrativo do produto que é o potencial de retorno.
Desde a implementação do novo modelo, a casa afirma que os resultados vêm mostrando maior consistência. Em 11 dos últimos 13 meses analisados, os portfólios reformulados superaram o modelo anterior em termos de P&L (Lucros e Perdas) por contrato.
Comparação de resultados dos modelos. Foto: XP.
A aposta da XP é que a combinação de governança mais rígida, diversificação real entre estratégias e controle de capacidade traga maior escalabilidade ao produto — aproximando o varejo de metodologias já utilizadas no mercado institucional.
A nova dor do mercado é filtrar o ruído dos dados
Para Rodrigo Malacarne, CEO da OnTick Invest, a grande transformação do mercado financeiro nas últimas duas décadas não foi necessariamente a troca de profissionais, mas a mudança estrutural na forma de operar. “Muitas das pessoas que trabalhavam no mercado financeiro há 20 anos continuam trabalhando hoje. O que mudou foram os protocolos, os sistemas e a forma de interagir com o mercado”, afirma.
Hoje, segundo ele, há abundância de dados estruturados e não estruturados, incluindo informações vindas de redes sociais, imagens de satélite e downloads de aplicativos. “Os dados se tornaram a matéria-prima da decisão financeira.”
Se antes o desafio era acessar informação, agora o problema é processá-la. “Hoje o problema não é mais o acesso. É a velocidade para tratar e transformar esse volume enorme de dados em algo útil para a tomada de decisão”, explica.
De acordo com o executivo, cerca de 99% do que é produzido pode ser considerado ruído, enquanto apenas uma pequena fração tem relevância real para embasar decisões de compra e venda de ativos.
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