16 de fevereiro de 2026

​Rio Open abre espaço para a mais nova promessa do tênis brasileiro 

Guto Miguel, de 16 anos, vai disputar pela primeira vez a chave principal de um torneio ATP e sonha enfrentar João Fonseca
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A pouca idade de Luís Augusto Queiroz Miguel, o Guto Miguel ou Gutão para os mais íntimos, está estampada no sorriso de menino e no brilho no olhar de quem ganhou de presente uma vaga na chave principal do Rio Open —o wild card seria para o qualifying que começa hoje no Jockey Club Brasileiro, mas a desistência de Gael Monfils abriu portas para o goiano de 16 anos.

 A postura de atleta, o físico esguio e a firmeza nas palavras, no entanto, comprovam que se está diante da mais nova promessa do tênis brasileiro. Atual número 3 do ranking mundial juvenil da ATP, Guto vai disputar o principal torneio da carreira até o momento a partir de segunda-feira. O adversário só será definido amanhã.

 — É o maior torneio e sendo no Brasil é ainda mais importante para mim. É uma experiência única. Eu venho treinando bem e confiante. Eu tive boas semanas de torneios no começo do ano. Então acho que quanto mais solto eu jogar e quanto mais focado eu estiver, melhor vai ser o resultado. Tomara que consiga algumas vitórias aqui. E, por que não, né? Vamos tentar tentar fazer história — diz Guto Miguel, que terá o apoio presencial da família.

 Não seria nada ruim, segundo ele, um confronto futuro com João Fonseca, a grande aposta do torneio e responsável pelo recente boom do tênis no país. A quadra central Guga Kuerten certamente iria abaixo.

— Mas um joguinho interessante seria eu contra o João, né? Isso é legal. Não precisa ser na primeira rodada. Mas se rolar vai ser bom — sonha o garoto.

Leia também: Onde assistir João Fonseca no Rio Open 2026?

 O discurso confiante é resultado de quem vem aprendendo a lidar bem com a pressão. Não sem ajuda. Cercado por uma equipe multidisciplinar necessária no nível profissional, Guto tem acompanhamento psicológico desde 2024.

 Foi fundamental para o jovem manter a calma nos momentos mais importantes do jogo, mas Guto evita detalhar as mudanças mais profundas em seu comportamento.

 — Ele me mudou bastante, eu era bem estressado. Mas não posso falar tudo, é meu segredo — brinca Guto, que agora já conta com patrocínios para bancar as viagens. — Antes, era meu pai e minha madrinha.

 Foi exatamente há dois anos que Guto Miguel passou a figurar nas páginas especializadas de tênis. Os primeiros títulos de simples vieram em Cali e Bogotá, na Colômbia. Mas a virada de chave aconteceu mesmo ano passado.

O tenista conquistou torneios importantes na categoria, na Bélgica e no Canadá, disputou os quatro Grand Slams juvenis, chegou às semifinais do US Open, marcou os primeiros pontos no ranking da ATP ao participar de competições profissionais da ITF e encerrou a temporada com o título do J500 de Mérida, no México, em dezembro, alcançando sua maior vitória na carreira juvenil.

 O crescimento, contudo, não foi fruto apenas dos triunfos e do forehand agressivo. Logo após a semifinal do US Open, Guto participou do Challenger da Costa do Sauípe, com tenistas mais rodados no circuito. Surpreendeu ao ficar com o título nas duplas ao lado de Eduardo Ribeiro. Mas percebeu que ainda precisa evoluir um tanto entre os profissionais.

— Eu tive a chance de jogar a primeira rodada. E ali deu para ver que eu tenho o nível para jogar com os caras. Mas eu tinha que melhorar muitas coisas, e o ponto positivo foi esse. Conversei com os treinadores, e eles me falaram que tenho bastante chance de ser um desses caras logo. Mas curtir o processo é o mais importante no momento — afirma ele, que deixou Goiânia aos 13 anos para treinar em Brasília e hoje faz parte do Time Rede Tênis.

 Sem apressar os passos, Guto e equipe decidiram mesclar torneios juvenis com algumas participações no Challenger. Ao contrário do irmão mais velho, Felipe, que optou pelo tênis universitário nos Estados Unidos, o garoto tem a certeza de que seu caminho é no circuito profissional. O sonho da temporada é a conquista de Roland Garros juvenil. Apesar de ser bom na quadra dura, o saibro é seu piso predileto:

— É a tradição do Brasil.

 

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