17 de fevereiro de 2026

​Deputada rival de Trump testa política externa e acende especulação sobre candidatura 

A congressista de Nova York Alexandria Ocasio-Cortez, conhecida por ser uma das vozes mais fortes contra Trump, fez aparição inesperada em conferência em Munique
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A deputada Alexandria Ocasio-Cortez, mais conhecida por suas posições progressistas do que por sua atuação em política externa ao longo de sete anos no Congresso, sinalizou uma mudança de abordagem ao participar da Conferência de Segurança de Munique neste fim de semana. A presença alimentou especulações sobre uma eventual candidatura à Presidência em 2028.

Convidada pelos organizadores do evento anual que reúne líderes globais, Ocasio-Cortez participou de dois painéis e apresentou sua visão sobre os riscos do autoritarismo, Taiwan, Groenlândia e Gaza. A participação funcionou como teste e vitrine, oferecendo uma indicação de como poderia ser a política externa dos democratas no pós-Joe Biden.

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Ela defendeu uma política externa que enfrente a desigualdade recorde e busque reverter um mundo “dominado por um punhado de elites, um punhado de oligarcas que se sentam em falsas democracias e fazem acordos de bastidores entre si”. Em um dos painéis, afirmou que a ajuda incondicional dos EUA a Israel “viabilizou um genocídio”.

“Estamos em uma encruzilhada. Acredito que os líderes estão cada vez mais reconhecendo que precisamos apresentar uma visão alternativa”, disse.

A congressista de Nova York foi uma das várias lideranças democratas com ambições futuras a comparecer, incluindo a governadora de Michigan, Gretchen Whitmer, e o governador da Califórnia, Gavin Newsom. Ele buscou tranquilizar a Europa ao afirmar que haverá vida política após o presidente Donald Trump.

“Ele será medido em anos, não em décadas”, disse Newsom.

Ainda assim, foi Ocasio-Cortez quem mais atraiu atenção. Era sua primeira vez na conferência anual, e ela não integra as comissões de Relações Exteriores ou de Forças Armadas da Câmara. Sua atuação em política externa até agora concentrou-se principalmente na América Latina e na oposição à guerra de Israel em Gaza.

Comentaristas republicanos nos EUA disseram que ela não estava preparada para o horário nobre após o que classificaram como uma resposta confusa a uma pergunta de Francine Lacqua, da Bloomberg, sobre se os EUA defenderiam Taiwan em caso de ataque da China.

Geralmente ágil nas respostas, Ocasio-Cortez hesitou, afirmando: “essa é uma, uma, você sabe, eu acho que, essa é uma, hum, essa é, claro, uma, ah, uma política muito antiga, hum, dos Estados Unidos”.

Ela, no entanto, se recuperou com uma resposta mais articulada. Os EUA deveriam “evitar qualquer confronto desse tipo e que essa pergunta sequer surja”, afirmou.

A hesitação ocorreu “porque ela queria ter cuidado com o que estava dizendo”, disse Matt Duss, que assessora Ocasio-Cortez em política externa, em entrevista. “Eu gostaria que mais políticos esperassem para responder em vez de disparar frases prontas.”

Segundo Duss, participar do evento foi “uma oportunidade de levar uma perspectiva que raramente é ouvida em Munique e em outras conferências de segurança — a necessidade de uma política que apoie a classe trabalhadora e enfrente a desigualdade”.

Em contraste com o vice-presidente JD Vance, que no ano passado se reuniu com políticos de extrema direita, Ocasio-Cortez

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