19 de fevereiro de 2026

​Petróleo sancionado e encalhado no mar cria escassez em terra, destaca Goldman Sachs 

Na visão do banco, o petróleo sancionado acumulado no mar tem distorcido o equilíbrio global entre oferta e preços
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Mesmo antes das tensões geopolíticas entre Irã e EUA eclodirem nesta semana e fazerem o petróleo brent bater os US$ 71 o barril, a commodity já mostrava resiliência mesmo em um cenário de oferta alta.

Isso porque, na visão do Goldman Sachs, o petróleo sancionado acumulado no mar tem distorcido o equilíbrio global entre oferta e preços, sustentando o Brent mesmo diante de um expressivo superávit.

O banco estima que, em 2025, o mercado global teve excedente de 1,5 milhão de barris por dia. Entretanto, ao contrário do que seria esperado, os preços não recuaram de forma consistente. A explicação, segundo o banco, está no local onde o petróleo está sendo estocado.

“Grande parte desse superávit não chegou aos centros de precificação; está preso no mar”, aponta o documento. Enquanto isso, os estoques terrestres da OCDE — os indicadores mais relevantes para a formação de preços — permanecem praticamente estáveis.

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O estudo revela que Rússia, Irã e Venezuela acumulam hoje 375 milhões de barris de petróleo sancionado em navios, um salto de 130 milhões em 12 meses. Esse volume representa cerca de um terço de todo o aumento dos estoques globais visíveis no período. O fenômeno decorre de uma combinação de oferta elevada e demanda enfraquecida por barris sancionados, especialmente no final de 2025.

A queda de demanda tem origem em fatores geopolíticos: novas sanções e riscos diplomáticos elevaram o custo indireto dessas compras, enquanto margens de refino elevadas favoreceram petróleo não descontado. Além disso, refinarias independentes da China esgotaram suas cotas de importação no fim de 2025, reduzindo as compras de petróleo russo e iraniano.

A Rússia viu seus volumes no mar atingirem 160 milhões de barris após a retração das importações indianas, embora o fluxo tenha se estabilizado com a retomada das compras chinesas. O Irã viveu dinâmica semelhante, também com cerca de 160 milhões de barris acumulados. Já a Venezuela segue um caminho oposto: seus estoques flutuantes estão diminuindo graças ao aumento das importações autorizadas, que superam as exportações em até 0,4 milhão de barris por dia.

Para 2026, o Goldman Sachs prevê que o acúmulo no mar deve perder força, representando 21% dos estoques adicionais globais, ante 47% em 2025. Ainda assim, o banco alerta para riscos significativos: pressões geopolíticas, mudanças na postura da China e da Índia e eventuais negociações envolvendo Rússia e Irã podem alterar drasticamente o comportamento desses fluxos.

O relatório também apresenta estimativas claras para o impacto nos preços. Caso 1 milhão de barris por dia de petróleo sancionados permaneçam no mar durante um ano, o Brent pode subir até US$ 8. Por outro lado, uma redução de 100 milhões de barris nos estoques marítimos, impulsionada por eventuais alívios de sanções, poderia derrubar os preços entre US$ 3 e US$ 4.

Assim, o petróleo no mar está criando uma “escassez artificial” em terra, sustentando preços que normalmente cairiam diante do excesso de oferta – e a evolução das tensões geopolíticas será decisiva para definir se esse petróleo continuará navegando sem destino.

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