Após Paes indicar vice ligada a igrejas, Douglas Ruas, pré-candidato do PL ao governo, troca afagos com Malafaia em inauguração de templo
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O início da corrida pelo Palácio Guanabara neste ano já vem sendo pautado por uma disputa pelo apoio de lideranças evangélicas, que movimenta as pré-candidaturas do prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), e do secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL). Paes indicou na semana passada a advogada Jane Reis (MDB), que é evangélica e casada com um pastor, para ser sua futura candidata a vice-governadora. O gesto, porém, foi ignorado por um aliado de longa data: o pastor Silas Malafaia, que rompeu com Paes e apresentou Douglas, anteontem, para os fiéis de sua igreja.
O eleitorado cristão é especialmente relevante no Rio, estado em que 32% da população se declara evangélica — acima da média nacional, de quase 27%. No sábado, ao inaugurar um novo templo da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, sua igreja, em Cabo Frio (RJ), Malafaia pediu que Douglas se levantasse para receber aplausos dos fiéis, e disse que “coisas boas” virão no caminho do secretário.
— Fica de pé, Douglas. Vocês podem dar um aplauso, por favor? (Vem aí) Coisas boas, não é coisa ruim, não — disse Malafaia.
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Durante o evento, Douglas fez elogios a Malafaia, a quem chamou de “referência”, e disse que o templo inaugurado em Cabo Frio será “uma casa de muitas bençãos”. O secretário de Cidades compareceu à igreja acompanhado pelo senador suplente Bruno Bonetti (PL), um dos principais aliados do presidente estadual do PL, deputado Altineu Côrtes, que é o maior fiador da candidatura de Douglas.
A troca de afagos entre Malafaia e Douglas ocorreu um dia depois de o pastor anunciar sua decisão de fazer campanha contra Paes neste ano. Malafaia argumentou ter tomado a decisão por conta da aliança do prefeito do Rio com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e acusou o petista de “debochar do povo cristão” com o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói. A escola, cujo enredo homenageou Lula, trouxe uma ala que ironizava grupos “neoconservadores”, como líderes evangélicos, retratados em latas de conserva.
Malafaia disse que apoiará ou Douglas, ou o chefe da Polícia Civil fluminense, Felipe Curi, os dois nomes cotados pelo PL para disputar o governo estadual, ambos rivais de Paes.
— E não adianta (Paes) botar uma vice evangélica que não mudarei de posição — disse Malafaia ao GLOBO, na sexta-feira.
Conversa com Flávio
A escolha de Jane Reis como vice representou justamente uma tentativa de cativar o eleitorado evangélico. Ontem, em entrevista à CNT, o ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB), irmão de Jane, citou atributos como “advogada”, “grande mãe” e “mulher de pastor” ao citar os motivos que pautaram a escolha de Paes para o posto em sua chapa. Jane é casada com o pastor Rafael Corato, que também é ligado à Assembleia de Deus, mas a um ramo distinto ao de Malafaia.
Na mesma entrevista, Reis alfinetou a montagem da candidatura bolsonarista ao governo estadual, e disse ter explicado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que não estava disposto a “embarcar em aventura”.
— Em função da minha desistência de ser candidato, ele (Flávio) me perguntou o que eu ia fazer, pediu para eu “esperar um pouco”. Mas eu disse: “Estou decidido, não vou esperar o candidato que vocês vão programar para o governo do estado”. Meu ativo político não está para embarcar em aventura — disse Reis à CNT.
A fala do ex-prefeito é uma referência à pouca bagagem política de Douglas, que se elegeu em 2022 para o primeiro mandato de deputado estadual; e de Curi, que nunca disputou um cargo eletivo.
Apesar da recusa em seguir junto com o PL na eleição estadual, Reis disse ter assegurado a Flávio que apoiará sua candidatura à Presidência — embora Paes, o candidato que apoiará ao governo, vá fazer campanha para o presidente Lula. Segundo o ex-prefeito de Duque de Caxias, ele e Paes discutiram apenas a chapa ao governo, sem necessariamente se alinharem para outros cargos.
Apoio a Castro
Na corrida ao Senado, por exemplo, Reis declarou na entrevista à CNT que pedirá votos para o atual governador Cláudio Castro (PL). A eventual candidatura de Castro obrigará a Assembleia Legislativa (Alerj) a eleger um governador-tampão, com mandato até o fim do ano; nessa disputa, Reis disse apoiar o atual chefe da Casa Civil, Nicola Miccione (PL), que é o preferido de Castro para o posto.
Segundo Reis, a aliança com Paes foi firmada em uma reunião no último dia 12, logo depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) adiar a análise de um recurso do ex-prefeito de Duque de Caxias, que tentava reverter uma condenação por crime ambiental. Sem o fim do julgamento, Reis entendeu que corre o risco de seguir inelegível neste ano, mesma situação que já o havia impedido de ser vice de Castro em 2022.
— Esse processo vem se arrastando (no STF), e eu entendi que ele demanda tempo, por isso declarei que não seria mais candidato a nenhum cargo neste ano. Naquela mesma noite, Paes me ligou, querendo ir lá na minha casa conversar de política — disse Reis à CNT. — Ele (Paes) me falou, “vem ser governador junto comigo, indica quem você quiser para a chapa”. A Jane estava na mesa, eu falei: “Pode ser a Jane”.
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