Busca por proteção reduz yields no melhor mês em um ano e atrai US$ 16,3 bilhões em 2026
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Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos encerram seu melhor desempenho mensal em um ano, em meio ao aumento dos riscos globais. A retomada da demanda reforça que investidores ainda veem os Treasuries como o principal porto seguro em momentos de turbulência.
Em um mês marcado por sinais de alerta em outros mercados — desde evidências concretas do poder disruptivo e potencialmente desinflacionário da inteligência artificial até a alta das tensões geopolíticas e preocupações com riscos ocultos no crédito privado — investidores migraram para a dívida do governo americano.
O resultado: os Treasuries renderam 1,5% em fevereiro, no melhor desempenho desde o mesmo mês do ano passado. Os papéis de prazo mais longo avançaram 4%.
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A alta reforça que, ao menos por ora, o mercado de US$ 30 trilhões em títulos do governo dos EUA mantém vantagem como estratégia de proteção, apesar das dúvidas recentes sobre o apelo defensivo desses ativos sob as políticas turbulentas do segundo mandato do presidente Donald Trump.
“Sem dúvida os Treasuries continuarão sendo um refúgio”, disse James Athey, gestor de portfólio da Marlborough Investment Management. “O mercado é grande, líquido e dominante demais para ser facilmente deixado de lado como destino de fuga para qualidade.”
Os ganhos deram direção positiva a um mercado que vinha operando em faixa estreita há meses, em meio a sinais mistos sobre emprego, crescimento e inflação nos EUA. Muitos investidores afirmam que será necessário um catalisador econômico claro para que os Treasuries rompam de vez essa faixa, mas a busca por segurança tem garantido uma base de compras que compensa pressões negativas.
“Há um componente de porto seguro no mercado de Treasuries”, afirmou Gregory Faranello, chefe de estratégia e negociação de juros nos EUA da AmeriVet Securities. “Podemos romper esses níveis, e tecnicamente o mercado está bem posicionado, mas não vejo fundamento para que as taxas caiam muito mais a partir daqui.”
O movimento também impulsionou outros mercados de dívida soberana, levando um índice global de títulos públicos ao quarto mês consecutivo de ganhos. No Japão, os títulos caminham para o maior rali mensal desde novembro de 2023. Investidores estrangeiros ampliaram compras de dívida japonesa, no segundo maior volume já registrado no mês passado.
Ainda assim, os Treasuries seguem como principais beneficiários. Nos dois primeiros meses do ano, cerca de US$ 16,3 bilhões ingressaram no mercado, segundo a EPFR. Isso ajudou a reduzir o rendimento dos títulos de 10 anos — referência para taxas de hipotecas e cartões de crédito — em cerca de 0,2 ponto percentual desde o fim de janeiro.
Ganhando força
O movimento ganhou tração com a disseminação contínua de novas ferramentas de inteligência artificial, que ameaçam transformar diversos setores e conter o poder de precificação na economia, provocando volatilidade nas ações americanas e levando o S&P 500 a cair até 1,6% em uma única sessão.
O aumento das tensões no Oriente Médio — intensificadas por alertas de Trump sobre negociações com o Irã — também contribuiu para a cautela, assim como preocupações com riscos no mercado de crédito privado, estimado em US$ 1,8 trilhão.
“O mercado está reprecificando o risco de crédito”, tornando o risco de juros embutido nos Treasuries mais atraente, especialmente com a inflação em tendência de queda, disse Priya Misra, gestora da JPMorgan Investment Management.
Apesar dos ganhos no mês, os Treasuries ainda não romperam claramente a faixa em que operam desde setembro. O rendimento dos títulos de dois anos tem oscilado entre 3,4% e 3,6%, enquanto o papel de 10 anos permanece próximo do piso de 4%.
George Catrambone, chefe de renda fixa da DWS Americas, adotou postura neutra nos títulos de 10 anos nesta semana, avaliando que esse trecho da curva “andou bastante em pouco tempo” e que, perto de 4%, “não é um nível ruim para uma pausa”. Já a equipe da Marlborough, segundo Athey, passou recentemente de posição neutra para vendida, diante da visão para a trajetória dos juros neste ano.
Investidores afirmam que precisam de novos dados para definir o rumo do mercado. Isso pode ocorrer na próxima semana, com a divulgação do relatório de emprego dos EUA. No momento, operadores veem probabilidade quase nula de corte de juros pelo Federal Reserve em março. Em janeiro, a autoridade monetária manteve a taxa básica na faixa entre 3,5% e 3,75%, e alguns dirigentes chegaram a mencionar a possibilidade de alta.
Embora os cortes tenham sido adiados, o mercado ainda projeta pelo menos duas reduções até o fim do ano, período em que Kevin Warsh, indicado por Trump, deve assumir a presidência do Fed.
Parte dos analistas aponta o desempenho recente superior dos títulos de cinco anos como reflexo da precificação de riscos de que o avanço acelerado da inteligência artificial possa afetar o mercado de trabalho e reduzir preços ao consumidor nos próximos anos. Essa leitura também levou investidores a reforçar apostas de que o Fed continuará cortando juros no ano que vem, em vez de elevá-los.
Mesmo com o viés positivo, alguns investidores seguem abaixo do peso em Treasuries e, com o Fed mantendo a taxa estável por período prolongado, aguardam sinais mais claros de enfraquecimento da economia para confirmar o rali.
“Eu precisaria ver algo relevante para comprar nesses níveis”, afirmou Jack McIntyre, gestor da Brandywine Global Investment Management. Isso dependeria de “clareza nos dados que mostrem enfraquecimento do mercado de trabalho”. Por ora, eles “ainda veem os títulos americanos presos a uma faixa de negociação”.
©️2026 Bloomberg L.P.
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