28 de fevereiro de 2026

​XP Asset vê valorização do fundo de infraestrutura XPIE mesmo com juros nas máximas 

Na última data-base, o papel era negociado a cerca de R$ 56, o que representa, nas contas da gestora, um retorno potencial equivalente à inflação mais 13,7% ao ano
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O XP Infra II (XPIE), fundo de infraestrutura listado e gerido pela XP Asset, fechou o quarto trimestre de 2025 com uma valorização patrimonial de aproximadamente 4,5%, elevando a cota patrimonial de R$ 77 para R$ 81,10.

O ganho, equivalente a cerca de R$ 50 milhões no conjunto de participações diretas do fundo, surpreendeu num cenário em que os títulos públicos atrelados à inflação (NTN-Bs) atingiram patamares históricos de juros — condição que, em tese, tende a reduzir ou até anular a valorização de ativos como os que compõem o portfólio.

A lógica é simples: quando os juros reais sobem, a taxa usada para calcular o valor presente dos projetos também sobe, o que normalmente comprime o preço dos ativos. Ainda assim, segundo a XP Asset, a qualidade operacional dos projetos — todos já em funcionamento e com receitas previsíveis — permitiu que o portfólio se valorizasse de forma relevante mesmo nesse ambiente adverso.

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Na bolsa, porém, a cota segue bem abaixo do patrimônio. Na última data-base, o papel era negociado a cerca de R$ 56, o que representa, nas contas da gestora, um retorno potencial equivalente à inflação mais 13,7% ao ano. Com quase 10 mil cotistas e um volume médio diário de negociação de R$ 1,8 milhão, o fundo já devolveu R$ 587 milhões aos investidores desde sua criação — R$ 67,41 por cota em pouco menos de sete anos.

A gestora confirmou a meta de distribuição de R$ 1 por cota ao mês ao longo de 2026. Para 2027, porém, sinalizou uma redução para a faixa entre R$ 0,75 e R$ 0,85 por cota mensal, em razão do encerramento dos pagamentos da debênture Alísio, título de dívida adquirido em 2023 cujos fluxos se estendem até meados de 2027. Segundo a XP Asset, essa redução já vinha sendo comunicada ao mercado com antecedência.

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Cortes de energia: desfecho melhor que o esperado

O tema que mais movimentou os ativos de geração de energia do fundo ao longo de 2025 foi o chamado curtailment — os cortes compulsórios de geração impostos pelo operador do sistema elétrico, que obrigam usinas a reduzir ou interromper a produção mesmo quando há capacidade disponível.

A aprovação da Medida Provisória 1.304 trouxe um desfecho considerado extremamente positivo pela XP Asset: dos três tipos de corte existentes, dois deixaram de ser cobrados do gerador, aliviando de forma significativa o impacto financeiro sobre os parques do fundo.

O efeito prático foi imediato. No caso de Apodi, usina solar de 162 MWp localizada no Ceará, o fundo recebeu R$ 20 milhões em ressarcimento de cortes passados que haviam sido contabilizados pela regra antiga.

A provisão para perdas que o fundo mantinha sobre o ativo caiu de 28% para 8%. Ao longo do período, Apodi distribuiu R$ 40 milhões em dividendos aos seus acionistas, dos quais R$ 4 milhões foram direcionados ao Infra II.

Nos parques eólicos Vila Acre I e Vila Acre II, adquiridos há cerca de dois anos por R$ 270 milhões no total, houve reversão de uma provisão de aproximadamente R$ 15 milhões, o que elevou o lucro de 2025 e abriu espaço para mais distribuições.

Os dois parques também registraram ventos melhores ao longo do ano: a geração acumulada em 12 meses saltou de 13 para 15 megawatts médios. Juntos, os ativos já devolveram quase R$ 80 milhões ao fundo em menos de dois anos.

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A gestora destacou que, mesmo antes da aprovação da MP, o banco credor dos projetos autorizou a distribuição de R$ 43 milhões em dividendos de Vila Acre I — o que, na visão da XP Asset, é a maior prova de que os ativos estão financeiramente saudáveis apesar das incertezas regulatórias.

O cenário em fevereiro de 2026 é descrito como marginalmente melhor do que o projetado, com as cobranças de curtailment das eólicas ainda suspensas e sem impacto no caixa do fundo.

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