8 de março de 2026

​China: Embarque de petróleo de Irã e Rússia reduz impacto do conflito em refinarias 

A China é o maior importador mundial de petróleo e suas refinarias independentes são o principal mercado para o ‌petróleo iraniano
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2 ⁠Mar (Reuters) – As refinarias de petróleo na China provavelmente não terão dificuldade em ⁠superar as perturbações a curto prazo causadas pelo conflito com o Irã graças a recentes embarques ‌recordes de petróleo bruto iraniano e russo e ao armazenamento agressivo do governo, afirmaram traders.

A China é o maior importador mundial de petróleo e suas refinarias independentes são o principal mercado para o ‌petróleo iraniano, que é negociado com um grande desconto graças às sanções dos EUA que assustam a maioria dos compradores.

Na segunda-feira, os operadores chineses permaneceram em sua maioria à margem, buscando digerir o impacto do ataque conjunto dos EUA e Israel ao Irã, os ataques retaliatórios de Teerã no Golfo e a expansão do conflito para o Líbano. Os preços do petróleo subiam 9% na segunda-feira.

“O mercado está nervoso e a ⁠situação ‌pode mudar a qualquer momento”, disse um trader sênior de uma grande refinaria independente.

Um segundo trader de ⁠uma refinaria com sede na província de Shandong que processa petróleo iraniano disse que “não conseguiu se convencer a fazer uma oferta”, pois não consegue avaliar como a situação irá evoluir.

DESCONTOS MAIS REDUZIDOS NO PETRÓLEO IRANIANO?

Dito isso, não há muita preocupação com os suprimentos para as entregas de março e abril, com barris russos abundantes, bem como volumes recordes de petróleo iraniano no mar, acrescentou ​o trader.

Sua fábrica também diversificou seus suprimentos, aumentando as importações da Rússia e do Brasil desde o terceiro trimestre do ano passado, porque o petróleo iraniano, que antes era o mais lucrativo, perdeu ​parte de sua vantagem de preço.

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Embora ainda não haja indicações claras de preços, alguns operadores esperam que os descontos para o petróleo iraniano diminuam devido às expectativas de um abastecimento mais restrito. Um trader citou uma oferta de ICE Brent menos US$9 por barril na entrega, ante menos US$ 11 na semana passada.

Há também especulações no mercado de que os suprimentos iranianos poderiam até mesmo ser removidos ‌da lista de sanções de Washington se a campanha militar resultar no ​controle dos EUA sobre as exportações de petróleo iraniano.

No acumulado do ano, as importações de petróleo da China provenientes do Irã representam 11,5% do total de suas importações marítimas, com o petróleo da Rússia logo atrás, com 10,5%, de acordo com a ⁠empresa de rastreamento de petroleiros Kpler.

A ​Kpler estimou o petróleo iraniano ​carregado em fevereiro em 2,15 milhões de barris por dia, o nível mais alto desde julho de 2018, enquanto a Vortexa estimou ⁠em 2 milhões de bpd. Os exportadores iranianos teriam ​se apressado em enviar petróleo antes de um possível conflito.

Enquanto isso, as importações russas da China devem subir pelo terceiro mês consecutivo, atingindo um recorde em fevereiro, após a Índia ter reduzido drasticamente suas compras. As transações antecipadas para ​embarques de abril da mistura russa ESPO permaneceram com descontos significativos na ICE Brent, entre US$8 e US$9 por barril.

Emma Li, analista da Vortexa na China, disse que os ​abundantes embarques russos e iranianos ⁠significam que é improvável que as refinarias independentes se voltem para o mercado convencional no curto prazo.

Graças à campanha de estocagem de Pequim, ⁠a China acumulou cerca de 900 milhões de barris em estoques controlados pelo Estado, o equivalente a 78 dias de importações, de acordo com estimativas da Vortexa e de operadores.

Caso o petróleo iraniano não tenha mais o desconto das sanções, espera-se que as refinarias independentes chinesas retornem aos seus padrões de compra anteriores.

Na época, o petróleo russo era sua primeira escolha, enquanto cargas do Brasil, Canadá e produção offshore chinesa também eram favorecidas, disseram ​operadores.

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