6 de março de 2026

​“Não invista em crédito, mas em renda fixa eficiente”, diz CEO de gestora de R$ 22 bi 

O que o executivo defende é que o investidor deve buscar renda fixa bem montada, com retorno compatível com o risco
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Pode soar contraditório ouvir o líder de uma das maiores casas de crédito do Brasil dizer, em tom quase provocativo: “Não invista em crédito privado.” Mas foi exatamente essa a mensagem que Ulisses Nehmi, presidente da Sparta Investimentos — gestora independente com R$ 22 bilhões sob gestão — escolheu como pauta ao ser convidado para uma entrevista.

A frase, claro, vem carregada de nuances: o que Nehmi defende é que o investidor deve buscar renda fixa bem montada, com retorno compatível com o risco, ganhos assimétricos e, de preferência, isenção de imposto de renda.

“Aproveite, não invista em crédito, invista em renda fixa eficiente, com bom retorno para o risco que você corre, e isso vai te fazer feliz”, resumiu.

Para ele, o investidor brasileiro quer algo simples: previsibilidade, ausência de sustos e, se possível, menos imposto. E é exatamente esse o cardápio que a Sparta vem montando nos últimos anos, com produtos que vão de fundos de infraestrutura negociados em bolsa a estratégias prefixadas com proteção automática contra ciclos de alta de juros.

A declaração foi feita durante o programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, que abriu o episódio reconhecendo que a pauta fugia da zona de conforto habitual do canal, mais voltado a ações e risco.

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“Eu coloquei uma das principais casas de renda fixa do Brasil para falar ‘não invista em crédito privado’”, brincou Collazo, que não escondeu a admiração pelo modelo de negócios da gestora.

O apresentador destacou que a Sparta é referência em comunicação entre as gestoras brasileiras: “Eu cito vocês como referência no tema entre as gestoras do Brasil. Vocês fazem muito bem o antes, o durante e o depois da venda, sempre perto do cliente.”

Na entrevista, Nehmi revelou detalhes da sua carteira pessoal — que, segundo ele próprio, é “tão ridícula que as pessoas dariam risada” de tão simples. A base é renda fixa concentrada em fundos da própria Sparta, especialmente os de infraestrutura negociados em bolsa.

“Eu costumo dizer que tenho que ter renda fixa o suficiente para o resto não atrapalhar”, explicou. Completam a carteira uma parcela de previdência, um pouco de Tesouro IPCA longo e posições em ações no Brasil e no exterior por meio de fundos de índice e da própria Berkshire Hathaway, de Warren Buffett.

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A lição de Buffett e o capital que não sai

A menção à Berkshire não é casual. Nehmi é um admirador confesso de Buffett e já foi três vezes à reunião anual de acionistas em Omaha, no estado americano de Nebraska. Ele conta que assistiu à mais recente, quando o megainvestidor, aos 95 anos, anunciou que se aposentaria.

“Você vê a quantidade de pessoas que vai a um estádio, acorda cedo, viaja para o meio do nada para ver o cara falando. E o que ele diz ao longo de 60 anos parece que foi dito ontem — as coisas não mudaram”

— Nehmi, presidente da Sparta Investimentos.

Foi dessa filosofia que veio a inspiração para um dos movimentos mais estratégicos da Sparta: a criação de fundos negociados em bolsa com capital permanente — ou seja, dinheiro que não pode ser resgatado, dando estabilidade ao gestor.

Nehmi explicou que, entre 2019 e 2020, após solavancos no mercado de crédito e a pandemia, ficou evidente o problema central de quem gere crédito: o risco de os cotistas pedirem o dinheiro de volta na pior hora.

“O grande desafio é que eu posso ter um resgate que eu não controlo. Pediu resgate, são 30 dias e tem que pagar. Mas se eu tiver que vender na hora em que deveria estar comprando, estou com o pé trocado”, explicou.

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A solução veio ao observar quem comprava ativos nos momentos de pânico: as tesourarias dos bancos, que dispõem de capital próprio.

“Quem está comprando na hora que está todo mundo vendendo? Tesourarias de banco. Elas têm capital, compram com desconto — coisa boa”, raciocinou Nehmi. A conexão com a Berkshire ficou natural: era preciso criar um veículo de capital permanente que permitisse à Sparta comprar quando todos vendiam.

A primeira oferta foi, nas palavras do presidente, “suadíssima”: captou apenas R$ 32 milhões. Mas a tese se provou.

Hoje, a Sparta acumula R$ 5,5 bilhões nesses fundos — capital que não sai e que representa quase um terço do mercado de fundos de infraestrutura listados no Brasil.

“Na hora em que todo mundo estiver vendendo forçado porque está sofrendo resgates, a gente, junto com as tesourarias, estará comprando. Nota de R$ 100 por R$ 80”, resumiu Nehmi.

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