A escalada nas tensões no Oriente Médio — com EUA e Israel dando início no sábado a ataques contra o Irã, que revidou — paralisou o Estreito de Ormuz
The post Ibovespa sobe blindado por Petrobras em pregão de escalada de tensão geopolítica appeared first on InfoMoney.
(Reuters) – O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira, blindado pelas petrolíferas, notadamente Petrobras (PETR3;PETR4), em meio à disparada do petróleo no exterior, em um começo de março com aumento no risco geopolítico após os Estados Unidos e Israel atacarem o Irã.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,28%, a 189.307,02 pontos, após marcar 186.637,98 pontos na mínima e 190.110,43 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somou R$31,7 bilhões.
A escalada nas tensões no Oriente Médio — com EUA e Israel dando início no sábado a ataques contra o Irã, que revidou — paralisou o Estreito de Ormuz, rota de exportação de petróleo mais importante do mundo, fazendo a commodity disparar.
O preço do barril sob o contrato Brent saltou para US$82,37 nesta segunda-feira, antes de desacelerar o avanço e fechar com acréscimo de 6,7%, a US$77,74.
De acordo com o gestor de multimercados Felipe Sze, do ASA, o conflito no Oriente Médio e a consequente redução do tráfego no Estreito de Ormuz forçam uma precificação imediata de risco geopolítico que sobrepõe os fundamentos de curto prazo.
“Espera-se um cenário de altíssima volatilidade diante da imprevisibilidade da escalada militar e dos riscos diretos à infraestrutura de energia”, afirmou.
Ele pontuou que o viés para o petróleo é de alta a cada dia em que o conflito não se resolve, mas avalia que os preços devem cair de forma acentuada assim que houver uma resolução.
Ibovespa surpreende e fecha em alta, com Petrobras, B3 e guerra no radar
Índices nos EUA terminam mistos, em meio às incertezas das guerra no Irã
Dólar hoje sobe a R$ 5,16 por conflito no Irã, mas fecha longe das máximas
No sábado, Estados Unidos e Israel lançaram uma ampla ofensiva aérea contra o Irã, que resultou na morte importantes líderes do país
“Como o mercado reage hoje a uma interrupção de fluxo precaucional, e não a danos físicos permanentes, qualquer sinalização de normalização deve gerar uma correção rápida nos preços”, acrescentou Sze.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que havia projetado que a campanha norte-americana duraria de quatro a cinco semanas, mas que poderia se prolongar.
Em um evento na Casa Branca, ele disse que ordenou aos militares dos EUA que atacassem o Irã para impedir o desenvolvimento nuclear de Teerã e um programa de mísseis balísticos que, segundo ele, estava crescendo rapidamente.
Wall Street abriu em queda sob efeito da aversão a risco com a escalada da tensão no Oriente Médio, mas o movimento negativo arrefeceu e o S&P 500 fechou praticamente estável.
Na bolsa paulista, a cena externa mais negativa endossou alguma realização de lucros, após o Ibovespa somar alta de 4% em fevereiro, mais uma vez determinada pelo fluxo de estrangeiros, com saldo positivo de R$16 bilhões no mês até o dia 26.
De acordo com relatório da estrategista Emy Shayo, do JPMorgan, após reuniões com investidores nos Estados Unidos, o Brasil ainda é o preferido na América Latina e está entre os “overweight” em mercados emergentes.
Shayo elencou entre os principais fatores para essa visão positiva o ciclo de afrouxamento monetário próximo no país e um posicionamento ainda leve de investidores institucionais locais, enquanto a eleição não é vista como um risco imediato.
Estrategistas da XP revisaram o valor justo que enxergam para o Ibovespa para 196 mil pontos no final do ano, de 190 mil pontos antes, citando a queda dos juros reais longos em fevereiro.
No curto prazo, porém, Fernando Ferreira e equipe destacaram que o índice de Sentimento XP segue em níveis de “otimismo extremo” em 100 (de 0 a 100), “o que normalmente indica potencial para uma realização/correção”.
DESTAQUES
PETROBRAS PN (PETR4) fechou em alta de 4,58% e PETROBRAS ON (PETR3) valorizou-se 4,63%, na esteira da alta do petróleo no exterior. Fontes afirmaram que a estatal está monitorando o conflito antes de eventual decisão sobre preços.
PRIO ON (PRIO3) avançou 5,12%, acompanhada por BRAVA ON (BRAV3), com elevação de 2,84%, e PETRORECONCAVO ON (RECV3), com acréscimo de 3,33%, embaladas também pelo movimento dos preços do petróleo no exterior.
B3 ON (B3SA3) valorizou-se 3,3%, sendo mais um contrapeso relevante. Analistas do Itaú BBA reiteraram recomendação de “outperform” para as ações e elevaram o preço-alvo para os papéis a R$22, de R$17 antes.
VALE ON (VALE3) caiu 0,35%, descolada dos preços futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian (DCIOcv1) subiu 0,87%. No setor, CSN ON (CSNA3) foi destaque negativo, com queda de 2,32%.
ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) caiu 1,81%, em dia misto no setor, com BRADESCO PN (BBDC4) subindo 0,38%. BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) fechou estável, BTG PACTUAL UNIT (BPAC11) perdeu 0,28% e SANTANDER BRASIL UNIT (SANB11) avançou 0,06%.
BRASKEM PNA (BRKM5) recuou 3,55%, tendo ainda de pano de fundo prévia operacional da petroquímica no quarto trimestre do ano passado, com queda nas vendas de resinas e principais químicos no Brasil sobre um ano antes.
MRV&CO ON (MRVE3) cedeu 2,25%, contaminada pelo efeito do conflito no Oriente Médio sobre as taxas dos DIs, em semana também marcada pela divulgação do balanço da construtora. O índice do setor imobiliário (IMOB) perdeu 1,53%.
CVC BRASIL ON (CVCB3), que não faz parte do Ibovespa, fechou em queda de 3,04%, em dia de forte declínio de ações de empresas de viagens no mundo, com o fechamento de importantes hubs no Oriente Médio.
The post Ibovespa sobe blindado por Petrobras em pregão de escalada de tensão geopolítica appeared first on InfoMoney.
InfoMoney