12 de março de 2026

​Fundos agro da XP passam ilesos por 2025 com alta de mais de 40% na cota 

Ao mesmo tempo, as principais commodities agrícolas — como soja e açúcar — entraram em ciclo de queda de preços, espremendo as margens de quem vive do campo
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O ano de 2025 foi um dos mais difíceis para o agronegócio brasileiro em tempos recentes. Com a taxa básica de juros na casa dos 15% durante praticamente o ano inteiro, o custo do dinheiro pesou sobre os produtores rurais. Ao mesmo tempo, as principais commodities agrícolas — como soja e açúcar — entraram em ciclo de queda de preços, espremendo as margens de quem vive do campo.

Mesmo nesse cenário adverso, os fundos de investimento em agronegócio da XP Asset atravessaram o período sem nenhum caso de inadimplência ou necessidade de renegociação de dívidas. “O desempenho do portfólio em 2025 foi positivo. Passamos o ano inteiro sem nenhuma necessidade de repactuação”, afirmou a gestora, durante apresentação de resultados. A última renegociação envolvendo os fundos havia ocorrido em setembro de 2024, no episódio da AgroGalaxy (AGXY3).

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O resultado se refletiu diretamente no bolso do investidor. O XPCA, fundo listado em bolsa, iniciou 2025 com a cota na faixa de R$ 5,85 a R$ 6,00 e encerrou o ano a R$ 8,40, uma valorização superior a 40%. Para a XP Asset, o desempenho é fruto da gestão criteriosa na concessão de crédito e da confiança dos cotistas.

Segundo a gestora, a estratégia segue baseada na diversificação da carteira e na escolha de produtores com boa governança financeira. “As boas empresas e os bons produtores continuam conseguindo acesso a crédito em condições favoráveis, mesmo com instituições relevantes fechando portas para parte do setor”, destacou.

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Soja bate recorde, mas preço decepciona produtor médio

No campo, o Brasil viveu mais um ano de números impressionantes. A safra de soja de 2025 superou 171 milhões de toneladas, um recorde. A nova safra, que está sendo colhida agora, pode ser ainda maior — consultorias de mercado chegaram a projetar entre 180 e 182 milhões de toneladas, impulsionadas por chuvas bem distribuídas nas regiões Centro-Oeste e Centro-Norte do país.

O excesso de chuvas a partir de fevereiro, no entanto, trouxe problemas. A colheita ficou mais difícil de ser operacionalizada e parte dos grãos foi danificada pela umidade excessiva. No Rio Grande do Sul, a situação foi diferente: o estado enfrenta mais um ano de quebra de safra, embora isso não afete diretamente os fundos da XP, que não possuem exposição àquela região.

O problema maior, porém, está no preço. A soja, que já foi negociada a R$ 180 a saca, recuou para a faixa de R$ 100 a R$ 110. Um acordo entre Estados Unidos e China para compra de soja americana reduziu a demanda chinesa pelo grão brasileiro e derrubou os chamados prêmios de exportação no país. Para o produtor médio, sem proteção de preço, a margem ficou próxima de zero.

A XP Asset ponderou, contudo, que os produtores presentes na carteira dos fundos já haviam travado preços antecipadamente e não foram atingidos por esse movimento. “Nossos produtores rurais estão com pagamentos em dia e conseguindo margens boas”, afirmou a gestora. Além disso, há sinais de que o pior momento para os estoques globais de soja pode ter ficado para trás, com expectativa de equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses.

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Milho barato favorece quem compra, e proteínas batem recordes

No milho, o cenário também foi de oferta abundante. O Brasil colheu quase 140 milhões de toneladas em 2025, enquanto os Estados Unidos — maior produtor mundial — ultrapassaram 425 milhões de toneladas. Com tanta produção, os preços se mantiveram na faixa de R$ 50 a R$ 55 a saca, um patamar que, segundo a XP Asset, é favorável para os fundos. “Nosso portfólio é muito mais comprador de milho do que vendedor. Então, milho barato é positivo para a nossa carteira”, explicou a gestora.

A demanda pelo grão segue aquecida. Nos Estados Unidos, o consumo para produção de etanol continua crescendo. No Brasil, o número de usinas de etanol de milho vem aumentando, o que sustenta a procura interna pelo cereal.

Ano recorde em proteínas animais

Nas proteínas animais, 2025 foi um ano de recordes praticamente em todas as frentes. O Brasil se consolidou como o maior produtor e maior exportador mundial de carne bovina, com mais de 3 milhões de toneladas vendidas ao exterior. A China respondeu por quase metade dessas exportações.

As vendas de frango e de carne suína também bateram marcas históricas. Mesmo com o surto de gripe aviária registrado em Montenegro, no Rio Grande do Sul, no meio do ano, as exportações de frango não foram comprometidas.

Um fator que beneficiou todo o setor de proteínas foi o custo da alimentação animal. Com milho e soja em patamares mais baixos, os gastos com ração caíram, melhorando as margens de pecuaristas, avicultores e suinocultores. “São setores que de fato tiveram um desempenho muito positivo em 2025”, avaliou a XP Asset.

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