Instituição financeira revisa estimativas para o quarto trimestre de 2025 e ajusta preços-alvo priorizando empresas expostas ao ciclo de queda de juros
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Os analistas da JPMorgan divulgaram nesta quinta-feira (5) suas expectativas dos balanços do quarto trimestre de 2025 (4T25) para companhias do setor de educação. Em relatório, é explicado que trimestres pares tendem a trazer resultados menos relevantes por conta da ausência de captação de alunos, mas ainda há pontos interessantes que podem ser revisados.
O documento destaca como ponto positivo a Ânima (ANIM3) no 4T25 por conta da consistência da companhia, e espera que o balanço mostrará que a empresa está bem preparada para se beneficiar dos cortes na Selic.
Quando se trata de Cogna (COGN3) e Ser (SEER3), as maiores do setor, os analistas esperam que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de ambas apresente uma queda de cerca de 10%. Sobre Yduqs (YDUQ3), há expectativa de vir 3% acima do consenso, e Afya (Nasdaq: AFYA) e Ânima, “mais ou menos em linha com o consenso”.
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Veja a análise do JPMorgan de cada companhia:
Afya
A recomendação para a Afya segue neutra, com um preço-alvo estabelecido em US$ 22,00. O JPMorgan justifica essa posição pela ausência de gatilhos imediatos de valorização, apesar de reconhecer que a operação é premium e extremamente bem gerida. O banco pontua que, devido à sua baixa alavancagem, a Afya tende a ser a “menos beneficiada pelos cortes na Selic” em comparação aos concorrentes mais endividados, que possuem maior exposição financeira.
Em termos de desempenho operacional para o encerramento de 2025, o banco estima que o Ebitda ajustado cresça 9% em relação ao ano anterior, atingindo aproximadamente R$ 1,749 bilhão nas projeções para 2026. Embora o número esteja 1% acima do consenso do mercado, ele representa uma desaceleração quando comparado à expansão de 15% registrada no terceiro trimestre. A estabilidade das margens é explicada por investimentos pesados em educação continuada e uma base de comparação anual mais rigorosa.
A receita líquida deve avançar 9%, impulsionada por um aumento de 14% no segmento de pós-graduação e 8% no curso de medicina, onde os tickets médios devem subir 2%. Apesar disso, o lucro ajustado deve crescer apenas 1%, perdendo tração frente aos 17% do período anterior. Segundo o relatório, os analistas enxergam a Afya como uma “operação premium e bem gerida no Brasil”, mas favorece outros nomes do setor por questões de exposição médica ou previsibilidade.
Ânima
A Ânima é classificada pelo JPMorgan como a principal escolha para investidores que buscam se beneficiar do ciclo de queda dos juros no Brasil. Com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 9,00, a instituição acredita que a companhia “deve ser a principal beneficiária do ciclo de flexibilização monetária entre as empresas cobertas”, algo que os analistas acreditam não estar precificado ainda.
Para o quarto trimestre de 2025, o banco espera um crescimento de receita de 5,1%, chegando a R$ 4,202 bilhões no consolidado anual. Os segmentos de Ensino a Distância e Inspirali (medicina) devem liderar esse avanço, ambos com expansão de 9%. A margem Ebitda deve permanecer estável em 32,8%, refletindo um controle rigoroso de custos em um período de transição operacional que o banco descreve como um “trimestre normal”.
Embora o lucro ajustado para o trimestre seja projetado com um saldo negativo de R$ 15 milhões, os analistas elevaram as estimativas de lucro para 2026 e 2027, ficando até 13% acima do consenso do mercado. A tese de investimento é reforçada pela visão de que, segundo o JPMorgan, a Ânima enfrenta menores riscos dos impactos da nova regulamentação do ensino a distância, o que oferece maior previsibilidade ao investidor em relação aos seus pares.
Cogna
A análise para a Cogna aponta para um quarto trimestre de 2025 bastante desafiador, com uma desaceleração mais forte. A projeção é que a receita suba apenas 5%, uma queda brusca em comparação aos 19% registrados no terceiro trimestre. Esse movimento é explicado pelo desempenho mais tímido da Kroton e pelo “adiamento das entregas do programa nacional de livros para 2026”.
No que diz respeito à rentabilidade, o banco prevê uma contração expressiva de 4,3 pontos percentuais na margem Ebitda ajustada, considerado uma “provável decepção”. Esse recuo deve levar a um resultado operacional 11% abaixo do consenso do mercado, totalizando uma queda de 7% no Ebitda ajustado em termos anuais.
Diante dessas pressões operacionais, os analistas reduziram o preço-alvo da ação de R$ 6,50 para R$ 6,00. No entanto, a recomendação permanece de compra, fundamentada na “combinação de perspectiva sólida de crescimento e valuation atraente”. O banco aposta em uma recuperação futura dentro da contribuição da educação básica (K12), que segue expandindo em ritmo acelerado.
Ser Educacional
A Ser Educacional é vista como um ativo de alto potencial de valorização, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 19,50. A tese foca na transformação do mix de receitas; a expectativa é que a participação dos cursos de medicina alcance 30% até 2031. O banco a define como um “player descontado com boas perspectivas operacionais à medida que continua a maturar suas vagas de medicina”.
Para o quarto trimestre de 2025, o banco projeta uma receita líquida com crescimento de 9%, acompanhando o consenso. Apesar disso, o Ebitda ajustado de R$ 601 milhões deve vir 10% abaixo do esperado pelo mercado, pois os analistas enxergam uma expansão de margem de apenas 0,4 ponto percentual. De acordo com o documento, “espera-se resultado abaixo do Ebitda, pois o consenso está muito otimista com as margens”.
Mesmo com a redução marginal nas estimativas de lucro, o banco mantém o otimismo com a maturação das 480 vagas de medicina conquistadas nos últimos dois anos. O JPMorgan acredita que a execução operacional consistente deve reduzir a percepção de risco, apesar de listar como ameaça a “pressão nos tickets médicos pelo aumento de oferta de vagas”. O lucro projetado para 2026 é de R$ 217 milhões.
Yduqs
Para a Yduqs, o relatório mantém uma postura neutra, observando que a empresa dificilmente atingirá suas metas de lucro por ação (LPA) estabelecidas para 2025. Os analistas esperam um LPA de R$ 1,52, ficando abaixo do intervalo projetado de R$ 1,70 a R$ 2,00. O banco justifica a cautela ao afirmar que, “ao mudarmos o foco do fluxo de caixa livre (FCF) de volta para os lucros, nos tornando menos otimistas com a empresa vs pares”.
Em termos operacionais, a receita deve apresentar uma aceleração para 7%, superando os 5% do trimestre anterior. O destaque positivo fica para o segmento Premium e para o ensino presencial, que deve crescer 11%.
O Ebitda ajustado da Yduqs é projetado em R$ 450 milhões, o que representa um crescimento de 14% ano a ano e supera as expectativas do mercado em 3%. O banco destaca que acredita que a “expansão de margem de 1,7 p.p. embutida no consenso seja tímida”, e projeta uma melhora de 2,5 pontos percentuais. Mesmo assim, o preço-alvo foi mantido em R$ 21,00, condicionado ao cenário macroeconômico brasileiro.
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