11 de março de 2026

​Como Maria Silveira deixou o comércio familiar e virou referência no day trade 

A mudança não começou no gráfico, mas na decisão de enfrentar o medo e buscar independência financeira
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A trajetória de Maria Silveira no mercado financeiro não nasceu de um plano calculado. Antes de ser reconhecida pela leitura precisa dos gráficos, ela viveu anos de trabalho em comércio noturno, em uma rotina desgastante e distante de qualquer ambição ligada ao mercado. O público só conhece a fase atual. No entanto, a virada começou muito antes do primeiro trade lucrativo — e longe das telas e dos gráficos.

Convidada do episódio 4 da 4ª temporada do programa Mapa Mental, do canal GainCast, ela detalha como a vida fora do gráfico moldou sua mentalidade para o risco.

Uma rotina que cobrou seu preço

Nascida em Umuarama e criada em Guaratuba, Silveira cresceu em um ambiente de trabalho intenso e autonomia precoce. Desde a infância, conviveu com a lógica de “fazer acontecer” dentro do comércio dos pais, onde passou boa parte da adolescência trabalhando até altas horas.

No entanto, anos depois, com a chegada da pandemia, a estrutura familiar desmoronou. As vendas despencaram, o comércio passou a funcionar apenas duas horas por dia e, consequentemente, a renda desapareceu. Diante desse cenário, a pressão financeira levou Silveira a buscar trabalho fora de casa pela primeira vez.

O alívio, no entanto, durou pouco: a nova rotina tomava todo o seu tempo e energia. “Era das 10 à meia-noite. Eu chegava em casa tinha que tomar um banho e ir dormir para já acordar. Só tomava café e já estava no trabalho de novo”, observa.

Nesse período, surgiu a primeira provocação que mudaria sua vida. A esposa, que sempre dividira o trabalho com ela, acordou certa manhã com uma ideia: estudar investimentos. Silveira não levou a sério no início, mas decidiu confiar e mergulhou nas leituras básicas do mercado.

O plano inicial era aprender a investir — mas, na prática, a falta de capital tornava essa estratégia inviável. Foi justamente essa limitação que abriu espaço para uma alternativa mais dinâmica dentro do mercado financeiro. “A pessoa pode começar a investir com pouco, mas ela tem que ter esse pouco. Tem que sobrar R$200, R$300”, conclui.

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O encontro com o day trade

A virada aconteceu quando descobriu, pela primeira vez, o conceito de day trade. Ao contrário do investimento tradicional, não era necessário ter grandes quantias para começar e, justamente por isso, para quem vivia na instabilidade financeira, aquilo parecia um caminho possível.

Assim, munida de livros e da determinação que sempre guiou sua vida, Silveira iniciou os estudos na conta demo, ainda sem técnica e sem contexto. No entanto, a confiança inicial logo se transformou no primeiro choque de realidade.

Mesmo assim, ela continuou estudando e juntando cada centavo. Comprou um teclado e mouse com R$100,00 economizados, conectou um notebook quebrado emprestado pela irmã à televisão do quarto e montou um “setup” improvisado para operar.

A simplicidade da estrutura não impediu o avanço. Pelo contrário, naquele momento, foi exatamente essa limitação que fortaleceu sua disciplina como trader iniciante. “Eu coloquei o notebook plugado na televisão, sentei na beira da cama porque eu não tinha cadeira, e lá fui eu”, relata.

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O começo no real e o impacto emocional

Com R$500 reunidos após meses de trabalho, Silveira fez sua primeira entrada real. A sensação de evolução durou poucos dias: dobrou o capital na primeira semana, quebrou tudo na segunda. A oscilação de emoções expôs o primeiro grande obstáculo psicológico que enfrentaria no mercado. “Quando eu perdi, meu Deus, eu sou a pior. Não tem cabimento. Como eu posso ter perdido?”, comenta.

Ainda assim, essa frustração, longe de afastá-la, estabeleceu a base que definiria sua trajetória dali em diante. A partir daquele momento, o desafio deixou de ser técnico e passou a ser emocional.

Silveira descobriu que sua verdadeira guerra não era contra o gráfico, mas contra o próprio ego, contra o medo de falhar e contra a necessidade de provar que era boa em tudo o que se propunha a fazer.

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A reconstrução de uma carreira

A partir desse ponto, a vida de Silveira tomou outro ritmo. Ela reorganizou a rotina, ajustou expectativas, aceitou a existência do stop e passou a estudar de forma estruturada.

Os primeiros resultados positivos começaram a surgir quando desenvolveu maturidade suficiente para lidar com perdas e compreender que o processo de evolução exigia tempo, método e autoconhecimento. “Eu aprendi a ler o preço. Eu comecei a me sentir mais segura, foi quando eu comecei a arriscar um pouco mais”, explica.

Esse momento marcou a separação definitiva entre o passado no comércio familiar e o início de uma carreira voltada exclusivamente ao mercado. Com mais clareza emocional, planejamento e técnica, ela percebeu que poderia construir a própria vida — e viver do trade.

A primeira compra feita com dinheiro do mercado, conta ela, foi o cachorro Elliot, símbolo da nova fase. Não era sobre consumo: era sobre independência financeira, autonomia e a confirmação de que o mercado financeiro poderia, de fato, mudar sua vida.

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