Antes da maturidade no trading, veio a crise que quase custou sua saúde
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A busca por alta performance no trading costuma ser associada a disciplina, foco e dedicação extrema. No entanto, quando o limite entre comprometimento e obsessão desaparece, o custo pode ser alto — e silencioso. Antes de se consolidar como referência no mercado, Bruno Marques enfrentou uma crise que colocou sua saúde em risco e o afastou do gráfico.
No episódio 9 da 4ª temporada do programa Mapa Mental, no canal GainCast, Bruno Marques relembrou o período mais delicado de sua trajetória. Ao revisitar essa fase, ele não fala apenas de mercado, mas de excesso, privação e responsabilidade.
Ao longo de quase duas décadas de atuação, o trader acumula experiência, alunos e resultados. Entretanto, a virada mais profunda da sua carreira não aconteceu em um trade bem executado — aconteceu quando o corpo cobrou a conta.
Seis anos sem dormir
Ainda nos primeiros anos de mercado, Marques integrou um grupo de estudos que operava praticamente 24 horas por dia. Para cobrir os turnos, os integrantes se revezavam enquanto conciliavam faculdade, backtests e reuniões de ajuste operacional. O preço dessa rotina foi pago no sono.
Durante seis anos, a média diária era de três a quatro horas dormidas. No início, segundo ele, a juventude mascarou os sinais de desgaste. Contudo, o impacto veio de forma agressiva.
“Nesses seis anos eu dormia três horinhas, quatro horinhas por dia. Só que eu era novo. Então assim, no início o corpo não sentiu. Depois eu tive inflamação na hipófise por privação de sono. Não dormia. Com 26 anos eu já não produzia testosterona”, relata
O diagnóstico foi direto. Aos 26 precisaria de reposição hormonal pelo resto da vida. “Faço [reposição] desde então. Tem que fazer pela vida toda. Não tem cura”, afirma.
A culpa no mercado
Diante do impacto do diagnóstico, a reação inicial foi emocional. Em vez de enxergar o padrão de comportamento extremo, Marques atribuiu a responsabilidade ao próprio mercado financeiro. “Bicho, estou lascado de saúde, eu joguei a culpa no mercado. A culpa é do mercado. Eu tinha acabado de começar a ganhar dinheiro, só que eu falei: ‘Não, não dá. O mercado acabou com a minha saúde’”, relembra.
A partir desse momento, ele decidiu se afastar. Foram cerca de doze meses longe das operações, em um período marcado por vitimização e tentativa de reorganização pessoal. “Eu me dei uma vitimizada e joguei a culpa no mercado. E nesse momento eu dei uma abandonada no mercado, fiquei um ano fora jogando a culpa no mercado”, admite.
Extremismo silencioso
Com o tempo, a percepção mudou. Ao analisar os próprios hábitos, Marques entendeu que o problema não estava no mercado, mas na maneira como ele conduzia sua rotina. “Só que eu só fui perceber que a culpa não era do mercado, a culpa realmente era minha, que eu que era extremista demais em tudo que fazia”, reconhece.
O padrão não era exclusivo do trading. Segundo ele, em outras atividades profissionais o comportamento era semelhante: excesso de controle, ansiedade antecipada e dificuldade em desacelerar. Ou seja, o mercado apenas evidenciou uma característica já existente.
Portanto, a grande virada não foi técnica, mas comportamental. Ao assumir a responsabilidade, ele rompeu com a narrativa de vítima e passou a encarar a própria postura como variável determinante. “A culpa realmente era minha”, afirma.
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