19 de março de 2026

​Com maior peso de estatais na AL, Brasil abre oportunidade assimétrica na B3, diz BBI 

Banco atualizou sua cesta de ações de estatais ou de ações influenciadas pelo governo
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De olho na proximidade do pleito de outubro, o Bradesco BBI atualizou a sua análise das empresas estatais brasileiras e com “golden share” com a visão de que o ciclo eleitoral começa a acelerar a partir de 4 de abril, vendo uma oportunidade assimétrica diante das atuais baixas expectativas.

A cesta conta com oito ações de empresas estatais e que contam com ‘golden share’ (tipo especial de ação preferencial detida geralmente pelo Estado após a privatização de empresas, conferindo poder de veto sobre decisões estratégicas), que têm tido um desempenho inferior, em linha com ciclos anteriores.

Os valuations de muitos desses ativos, como o Banco do Brasil (BBAS3), estão próximos dos níveis relativos mais baixos dos ciclos eleitorais anteriores, avalia a equipe de estratégia.

Além disso, as taxas de juros reais de longo prazo permanecem próximas a recordes e precificando pouca opcionalidade eleitoral.

“Temos ‘empresas influenciadas pelo Estado’ como Banco do Brasil e Vale [VALE3] em nosso portfólio modelo da América Latina, como um dos nossos principais temas ‘ofensivos’ no Brasil (overweight, exposição acima da média do mercado) à medida que o ciclo eleitoral se acelera, junto com sensíveis às taxas de juros e proxies do mercado de capitais.

O banco ainda ressalta que o Brasil possui a maior proporção de empresas estatais (definidas como uma participação governamental de mais de 20%) em seu mercado de ações entre todos os grandes mercados emergentes – até mesmo a China.

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O governo federal detém controle direto ou indireto ou participações significativas, ou ‘golden share’, em nove grandes empresas listadas, desde Petrobras (PETR3;PETR4) e Banco do Brasil até Vale e Embraer (EMBJ3). Juntos, eles somam 36% de peso no índice Bovespa.

Governos locais e estaduais têm participações significativas semelhantes em outras oito companhias, de Cemig (CMIG4) a Taesa (TAEE11), adicionando mais 6% de peso do índice. “Se as ‘estatais’ fossem um setor, seriam o maior do Brasil, à frente do peso de 38% do setor financeiro”, aponta a equipe de análise.

As principais estatais do Brasil negociam com um desconto médio de 28% em relação aos pares dos mercados emergentes, representando uma redução de 19% no múltiplo de preço sobre lucro (P/L) do Brasil.

O BBI também vê um custo de avaliação e flexibilidade de gestão para as ‘ações com golden share’ restantes. As empresas com participação do governo normalmente atuam nos setores de commodities, utilities e financeiros ‘mais antigos’, e têm ficado atrás no desempenho do mercado de ações de longo prazo entre os emergentes.

A visão do BBI é de que essas companhias tenham um papel significativo, porém menor, no restante da América Latina, representando mais de 20% dos índices do mercado de ações na Argentina (YPF) e Colômbia (Ecopetrol, ISA, GEB, ETB), além de posições menores, principalmente históricas, no Chile e no Peru, ocupadas por meio de organizações estatais de desenvolvimento, e nenhuma no México.

Assimetrias, na visão do Bradesco BBI

O banco atualizou a cesta de peso igual das oito principais empresas influenciadas pelo Estado brasileiro. Isso inclui aqueles controlados pelo governo federal (Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Seguridade – CXSE3), onde o governo continua a deter uma participação minoritária ou indireta significativa (Axia – AXIA6, BB Seguridade – BBSE3) ou uma golden share (Vale, Embraer, IRB).

O BBI excluiu a JBS (BDR: JBSS32) da carteira, com a participação sendo detida pelo BNDES.

O relatório observa que o mercado ainda não precifica de forma significativa os desdobramentos políticos. A cesta de oito estatais monitorada pelo banco segue atrasado em relação ao MSCI Brazil, e os juros reais continuam em níveis de estresse. Até mesmo o índice “greed versus fear” da Petrobras permanece contido, apesar do petróleo a US$ 100.

Isso parece uma situação assimétrica , com o processo político prestes a acelerar a partir daqui, com o prazo de renúncia de 4 de abril para membros do Executivo que buscam cargos públicos e o prazo para filiação partidária, enquanto os ativos mais sensíveis a isso ficaram atrás do índice no último ano.

O Banco do Brasil, por exemplo, está sendo negociado com o maior desconto P/BV (Preço sobre Valor Patrimonial) em relação ao concorrente local do setor privado Itaú (ITUB4) e ao universo mais amplo das empresas financeiras que já tiveram em um ano eleitoral. Isso reflete o ambiente difícil de qualidade dos ativos que enfrenta, mas pode aumentar a opcionalidade do ciclo eleitoral. A Petrobras também é descontada em relação aos pares, embora o índice ‘ganância versus o medo’ dos analistas de energia esteja acima da média.

Assim, para o Bradesco BBI, “as estatais brasileiras” entraram no ciclo eleitoral de 2026 com baixa atenção do mercado e valuations deprimidos, criando espaço para movimentos assimétricos de recuperação conforme a disputa eleitoral evolui. No portfólio recomendado da casa, Banco do Brasil e Vale aparecem como apostas preferenciais para capturar esse potencial.

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