Analistas seguem otimistas com a ação e veem baixa recente como exagerada
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Com queda acumulada de 20% em março e de 16,6% em 2026 até a última sexta-feira (13), as ações da Embraer (EMBJ3) são destaque de alta na sessão desta segunda-feira (16), em um dia de ânimo para os mercados. Às 12h05 (horário de Brasília) desta segunda, EMBJ3 subia 5,29%, a R$ 77,77.
Analistas de mercado destacam otimismo com as ações EMBJ3, mesmo após a queda recente, que viram como “exagerada”.
Para o Itaú BBA, a forte queda recente das ações da Embraer abriu uma clara oportunidade de compra, ressaltando que, mesmo após o papel acumular recuo de cerca de 23% no mês e de 16% desde o resultado do quarto trimestre, a ação segue como uma das suas principais escolhas.
Os analistas do BBA avaliam que o mercado reagiu de forma negativa ao aumento da aversão a risco global, em meio à escalada dos conflitos no Oriente Médio (que reacendeu temores de desaceleração do ciclo da aviação), e a um guidance (projeção da empresa) para 2026 abaixo do esperado, que reforçou a percepção de que o melhor momento da companhia já teria passado.
Para o BBA, e em uma avaliação que se assemelha à feita pelo JPMorgan na semana passada, esse movimento foi exagerado e não reflete os fundamentos sólidos da companhia nem a força do atual ciclo da aviação. “Reiteramos recomendação de compra para EMBJ3, com preço-alvo de R$ 98,70 ao final de 2026″, destaca o BBA.
O BBA avalia que o cenário geopolítico tende a se normalizar ao longo do tempo, permitindo que os fundamentos do setor voltem a prevalecer. Hoje, a aviação comercial segue com gargalos de oferta, a aviação executiva está praticamente vendida, e o segmento de defesa continua acelerando.
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“Além disso, o guidance divulgado pela Embraer é visto como conservador, o que abre espaço para surpresas positivas à frente”, destaca o banco.
A empresa conta com uma carteira de pedidos recorde de US$ 31,6 bilhões, o que garante boa visibilidade de receitas até 2026. Entre os principais gatilhos de alta, a equipe de análise destaca resultados trimestrais melhores do que o esperado e a possibilidade de um grande pedido de jatos comerciais na Índia, ligado à parceria com o Grupo Adani, que pode chegar a até 200 aeronaves e movimentar mais de US$ 5 bilhões.
Já do ponto de vista de valuation, a correção ampliou de forma relevante o desconto da Embraer frente aos pares. Atualmente, a ação negocia a cerca de 8,9 vezes o valor da empresa em relação ao resultado operacional (EV/Ebitda) para 2026, um desconto de aproximadamente 20% em relação à Airbus e próximo da média histórica, mesmo com um ambiente de resultados e de indústria mais favorável. Esse preço implica um retorno potencial atrativo ao acionista (IRR) de cerca de 17% sob premissas conservadoras.
Maiores desafios?
Na mesma linha, o BTG Pactual avalia que, desde a divulgação do quarto trimestre, a ação da Embraer parece ter entrado em uma fase de maior desafios, com investidores reagindo de forma mais cautelosa após dois anos de performance muito forte.
“Parte dessa reação provavelmente reflete o tom do guidance de 2026 e a transição mais ampla pela qual a companhia está passando. Depois de um ciclo robusto de crescimento, impulsionado em grande parte pela recomposição de backlog e pela recuperação de rentabilidade nas divisões, a Embraer entra agora em uma fase diferente, mais centrada em execução e entregas do que em acúmulo de pedidos”, apontam os analistas.
Os analistas do BTG avaliam que transições desse tipo podem parecer menos “empolgantes” para o mercado, especialmente em um pano de fundo macro mais incerto, marcado por tensões geopolíticas e petróleo mais alto.
Ainda assim, quando olham com mais distância, os fundamentos seguem sólidos: as quatro divisões estão performando bem, os backlogs (carteiras de pedidos) permanecem robustos e opcionalidades como a plataforma de eVTOL (ou carros voadores) continuam adicionando potencial de alta no longo prazo.
O banco também vê a ação negociando com desconto em relação a pares globais do setor aeroespacial, o que reforça a Embraer como uma tese potencial de expansão de múltiplos. “Na nossa visão, a reação do mercado pós quarto trimestre parece um pouco exagerada, e acreditamos que o momento atual oferece uma oportunidade de revisitar a tese de investimento”, avalia.
O BTG manteve recomendação de compra, ressaltando que a empresa está se tornando cada vez mais uma tese global, após a diversificação de negócios na última década. Ao atualizar o modelo de valuation da Embraer após os resultados do quarto trimestre, incorporando as premissas macro mais recentes do BTG, incluindo curvas revisadas de câmbio e juros. Agora assume 83 entregas de aeronaves comerciais em 2026 (versus 85 antes) e 91 em 2027 (versus 90), além de 168 jatos executivos em 2026 (ante 165) e 183 em 2027 (ante 172). O novo preço-alvo do banco é de US$ 97 por ação (de US$ 79 por ação).
Na semana passada, o JPMorgan também destacou a forte queda das ações como exagerada, seguindo com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 109 para EMBR3 e US$ 84 para o ADR EMBJ.
O banco vê a Embraer negociando a 8,9 vezes o múltiplo de EV (valor da firma)/Ebitda esperado para 2026, contra 11,2 vezes da Air France, 36,1 vezes da Boeing e 12,8 vezes da Bombardier.
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