A combinação entre escalada do conflito no Oriente Médio, disparada do petróleo e maior cautela das autoridades monetárias reacendeu o debate sobre o ritmo
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Às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta quarta‑feira (18) a partir das 18h30 (horário de Brasília), analistas e gestores consultados em reunião com clientes institucionais promovida pela XP apontam para um cenário mais nebuloso do que o inicialmente projetado no início do ano.
A combinação entre escalada do conflito no Oriente Médio, disparada do petróleo e maior cautela das autoridades monetárias reacendeu o debate sobre o ritmo — e até mesmo o início — do ciclo de cortes de juros no Brasil.
O encontro contou com a participação de Alfredo Binnie e Rafael Morilha, da Kapitalo Investimentos, além dos economistas da XP Caio Megale e Victor Scalet. Embora a maior parte do mercado siga apostando em uma redução de 0,25 ponto percentual da Selic, a equipe econômica da XP se posiciona de forma mais conservadora e vê espaço para manutenção da taxa em 15% nesta reunião, diante da piora expressiva do ambiente global.
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A principal fonte de incerteza segue sendo o desdobramento do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã, que empurrou o preço do barril de petróleo para acima dos US$ 100. Essa nova dinâmica contrasta com o cenário assumido pelo Banco Central em sua última decisão, quando as projeções incorporavam um Brent próximo de US$ 60. Caso a pressão sobre a commodity persista, as expectativas de inflação no horizonte relevante do BC tendem a subir de forma significativa.
No comunicado que será divulgado logo após a decisão, o mercado espera sinalizações sobre o balanço de riscos e sobre a intensidade do possível ciclo de flexibilização.
A avaliação predominante é que o BC deve reconhecer a continuidade da atividade econômica em ritmo consistente, embora inserida em um ambiente de maior volatilidade e incerteza. Já no campo fiscal, os especialistas reforçam que o avanço em medidas de ajuste segue como condição necessária para uma queda mais estrutural dos juros.
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As projeções para o ciclo de cortes também foram recalculadas. O cenário‑base da XP passou a prever quatro reduções consecutivas de 0,50 ponto percentual a partir de abril, com interrupção no segundo semestre, levando a Selic a 13% ao fim de 2026 — acima da expectativa anterior, de 12,50%.
Frustração com Copom pode desencadear reação adversa
Entre todas as discussões, o ponto de maior tensão recai sobre a possível reação dos mercados à decisão desta quarta.
Segundo os especialistas, uma eventual frustração das expectativas de corte — especialmente diante da percepção já disseminada de que o ciclo começaria agora — pode provocar ajustes mais bruscos nos preços dos ativos.
O risco é ampliado pelo forte posicionamento de investidores estrangeiros no Brasil ao longo do ano. Sem um corte inicial, parte do mercado pode interpretar o movimento como sinal de que o espaço para flexibilização futura está menor do que se imaginava, aumentando a aversão ao risco e pressionando câmbio, curva de juros e Bolsa. Em um ambiente global já marcado por instabilidade, o Copom entra na reunião com responsabilidade redobrada e risco elevado de reacender a volatilidade.
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