Apesar do conflito no Irã ter aumentado os riscos para empresas do setor aeroespacial, a casa avalia que a recente desvalorização das ações foi excessiva, abrindo um ponto de entrada
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Após uma queda de cerca de 27% em relação às máximas recentes, a XP elevou a recomendação da Embraer (EMBJ3) de neutra para compra e passou a adotar preço-alvo para o fim de 2026 de R$ 92 por ação (US$ 70 por ADS). Às 11h18, as ações da fabricante de aeronaves caíam 1,56, a R$ 75,08.
Apesar do conflito entre EUA e Irã ter aumentado os riscos para empresas do setor aeroespacial — especialmente diante da alta nos preços do combustível de aviação — a casa avalia que a recente desvalorização das ações foi excessiva, abrindo um ponto de entrada.
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A XP destaca que, historicamente, esses movimentos atuam mais como sinal de risco macro do que como determinante consistente do desempenho das ações.
Por outro lado, a casa vê fatores mitigadores pouco precificados. A carteira de pedidos mais diversificada e robusta da Embraer é considerada um elemento importante de redução de risco, com encomendas atuais cobrindo cerca de 120% das receitas estimadas para aviação comercial até 2029.
Nesse contexto, a recente compressão de múltiplos parece exagerar os riscos da divisão comercial, sobretudo à medida que outras áreas ganham relevância na geração de fluxo de caixa livre.
Após a queda recente, a XP avalia que as ações negociam a múltiplos entre 20x e 16x para 2026-27, níveis considerados mais atrativos diante da melhora no perfil de crescimento, maior diversificação de receitas e múltiplas avenidas de expansão. Com desconto de cerca de 17% em relação a pares globais, a Embraer passa a apresentar maior atratividade relativa dentro do setor.
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A XP também projeta um lucro antes de juros (EBIT) ligeiramente acima do consenso para 2026, incorporando os resultados recentes e o guidance da companhia, além da recente isenção tarifária nos EUA. A estimativa é de EBIT de US$ 818 milhões, cerca de 4% acima do consenso.
Analistas ainda ressaltam que o desempenho no curto prazo pode seguir pressionado enquanto persistirem as tensões no Oriente Médio e os preços elevados do combustível, embora choques desse tipo tendam a se normalizar ao longo do tempo.
Nesta semana, o Bradesco BBI também manteve a recomendação de desempenho acima da média (outperform) para a Embraer e ajustou levemente o preço-alvo para o fim de 2026 para US$ 88, incorporando os resultados do quarto trimestre de 2025 e o guidance para 2026.
Na avaliação do banco, a decepção com o guidance está principalmente ligada à premissa de pagamento de tarifas dos EUA ao longo de 2026, embora essas tarifas não estejam mais em vigor desde o fim de fevereiro. Sem esse efeito, haveria potencial de alta de 1 ponto percentual na margem EBIT, o que poderia gerar um avanço de cerca de 11% no EBIT em relação ao guidance.
Sobre o impacto do petróleo, o BBI destaca que a Embraer possui atualmente um backlog de aproximadamente cinco anos na aviação comercial, acima da média histórica. Na aviação executiva, a carteira está em cerca de três anos, também superior ao padrão histórico. Esse cenário, na visão do banco, aumenta a previsibilidade, mesmo em um ambiente de desaceleração de pedidos devido aos preços elevados do petróleo. Embora exista risco de adiamento nas entregas por parte dos clientes, o banco acredita que esse fator é administrável.
De forma geral, o BBI espera continuidade na melhora de entregas e margens, com expansão do EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) nos próximos anos.
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