Receita encerrou o ano com solidez, mas rentabilidade ficou abaixo do esperado, para especialistas
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A Vivara (VIVA3) divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2025 e do ano fechado nesta quarta-feira (18). Na visão de analistas, a joalheira apresentou receita sólida ao final do quarto trimestre de 2025, mas algumas linhas não corresponderam às expectativas.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da companhia ficou abaixo do esperado pelo mercado, o que causou desconforto entre os investidores.
A ação abriu a quinta-feira (19) com uma das principais quedas do Ibovespa e chegou a recuar mais de 6%. Por volta das 10h30, a VIVA3 caia 6,20%, sendo negociada a 23,16.
Vivara (VIVA3) tem alta de 28,5% no lucro ajustado no 4º trimestre
O resultado foi impulsionado pelo do crescimento do EBITDA e pela melhor alíquota efetiva dado o pagamento de JCP de R$ 41,2 milhões em 2025
Para a XP Investimentos, a principal preocupação dos investidores com o caso de investimento gira em torno da pressão sobre a margem bruta em meio ao aumento dos custos e à dinâmica do fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) decorrente da otimização de estoques. Segundo os analistas, a estratégia de otimização de estoques da companhia pode proporcionar mais espaço para lidar com o aumento dos custos de forma mais gradual.
A margem bruta contraiu 700 pontos-base em relação ao ano anterior, mesmo com o aumento de 16% na receita líquida no período. Já a margem bruta consolidada (excluindo GGF) caiu em relação ao ano anterior e ficou em 68%.
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Para o Itaú BBA, três fatores explicam o resultado: a queima de estoques durante a Black Friday, a estratégia de priorizar volume sobre preço e à subvenção. A margem bruta teria sido o principal vetor negativo, mesmo com receita em linha e dinâmica de caixas/estoques como ponto de destaque.
Analistas do banco consideram que a dinâmica de despesas com vendas deve ser observadas com cautela, uma vez que a linha mostrou seu pico no quarto trimestre, em patamar que não deve ser extrapolado.
“A receita ficou em linha e a dinâmica de caixa/estoques foi um ponto de destaque, mas o trimestre acabou sendo moldado por uma estratégia comercial deliberada da Vivara de priorizar volume em detrimento de preço em subcategorias específicas”, afirma o BBA.
Além dos impactos na margem bruta, o Morgan Stanley destacou falas da administração sobre o aumento das despesas com frete no trimestre. Em relação ao ano anterior, as despesas cresceram 40 pontos-base. A otimização de estoques nas lojas e as despesas com marketing (80 pontos-base em relação ao ano anterior), devido à retomada de eventos em 2025, foram os principais responsáveis.
Fluxo de caixa livre
Apesar das margens operacionais menores, o fluxo de caixa livre operacional melhorou em relação ao ano anterior. Para o Morgan, o resultado foi impulsionado pela melhoria na rotatividade de estoques. Os estoques passaram a ter 578 dias no 4T25 (contra 723 no 3T25 e 625 no 4T24).
Segundo os analistas da XP, o balanço do FCF também se deve à monetização de impostos, responsável por absorver R$ 124 milhões.
A geração de caixa e a inflexão nos estoques foi, na visão do BBA, o lado positivo de um trimestre considerado mais fraco.
“O plano de otimização de estoques (incluindo derretimento de peças de ouro de menor giro, realocação entre lojas e ausência de compras de ouro desde mai/25) está sendo executado conforme o planejado e adiantado em relação ao cronograma, e a administração reiterou o compromisso de seguir nessa trajetória sem impactar receita ou rentabilidade”, afirmam os analistas do BBA.
Impactos no Ebitda
O Ebitda ajustado pré-IFRS16 foi -5% na comparação anual, -12% abaixo da estimativa da maioria e -11% em relação ao consenso. As margens recuaram 6 pontos percentuais ao ano, devido à maior intensidade promocional. O Ebitda ajustado foi de R$ 296 milhões (excluindo GGF e também excluindo um encargo de R$ 42,8 milhões de IPI). O resultado representou uma queda de 0,7 p.p. na comparação anual.
A receita bruta registrou um aumento de 17,5% em relação ao ano anterior, impulsionada pela aceleração das vendas digitais e pela melhoria nas vendas nas mesmas lojas do segmento de Vida, com um crescimento de 9% em relação ao ano anterior. A margem Ebitda ajustada, por outro lado, caiu 6 pontos percentuais na comparação dos 12 meses, 4 p.p. a menos que o consenso.
O lucro líquido atingiu R$ 265 milhões, um aumento de 7% em relação ao ano anterior. O lucro líquido ajustado, por sua vez, caiu 21% em relação ao ano anterior, com margens líquidas ajustadas de -11 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
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