Reorganização ministerial mira reforço da base no Senado, onde dois terços das cadeiras estarão em jogo, e montagem de palanques para a reeleição de Lula
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Com a confirmação da saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda nesta quinta-feira (19) e a aproximação do calendário eleitoral de 2026, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou em fase de reorganização política.
Ministros já começaram a redesenhar seus movimentos, em um processo que deve provocar uma das maiores trocas no primeiro escalão desde o início do terceiro mandato.
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A expectativa no Planalto é que ao menos 20 ministros deixem seus cargos até o início de abril, prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral para quem pretende disputar as eleições.
O objetivo central do governo é estruturar palanques regionais para a reeleição de Lula e, ao mesmo tempo, ampliar a base aliada no Congresso, com atenção especial ao Senado, considerado estratégico para a governabilidade em um eventual quarto mandato.
Haddad, por exemplo, deixa o cargo para concorrer ao governo de São Paulo após afirmar repetidas vezes que não tinha vontade de se candidatar a um cargo público e enfatizar que desejava colaborar com a campanha pela reeleição de Lula.
Batalha pelo Congresso
O Senado ocupa posição central nessa estratégia. Em 2026, 54 das 81 cadeiras estarão em disputa, o equivalente a dois terços da Casa. A avaliação no governo é que ampliar a presença de aliados pode reduzir riscos institucionais, já que cabe ao Senado sabatinar indicados ao Supremo Tribunal Federal e analisar pedidos de impeachment de magistrados.
Nesse contexto, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), deve disputar uma vaga no Senado pelo Paraná, após mudar seus planos iniciais de buscar a reeleição como deputada federal.
Outros nomes do primeiro escalão também são citados como potenciais candidatos à Casa Alta, entre eles Simone Tebet (Planejamento), Rui Costa (Casa Civil) e Marina Silva (Meio Ambiente).
Articulação política
No caso do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), a movimentação segue outra lógica. Ele deve deixar o ministério para retomar o mandato de senador, que vai até 2027. A volta ao Senado pretende reforçar a articulação política e ajudar na costura de alianças eleitorais, sem que ele entre na disputa por um novo cargo neste ciclo.
Outras pastas também devem passar por mudanças relevantes. Camilo Santana (Educação) avalia deixar o ministério até abril e afirma que o cargo o mantém distante do Ceará, onde foi governador e se elegeu senador em 2022. Caso se afaste do governo, a tendência é que atue diretamente nas campanhas de Lula e do governador cearense Elmano de Freitas.
Nos bastidores, o redesenho ministerial já é tratado como parte do xadrez eleitoral. A leitura no Planalto é que a reorganização do primeiro escalão pode fortalecer palanques regionais e reduzir tensões no Congresso durante o período eleitoral.
Veja as principais movimentações em estudo no governo:
Casa Civil: Rui Costa (PT) é cotado para disputar o Senado pela Bahia.Relações Institucionais: Gleisi Hoffmann (PT) deve ser candidata ao Senado pelo Paraná.Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços: Geraldo Alckmin (PSB) tende a disputar a reeleição como vice-presidente.Educação: Camilo Santana (PT) pode deixar a pasta e atuar nas campanhas no Ceará.Transportes: Renan Filho (MDB) é apontado como possível candidato ao governo de Alagoas.Planejamento: Simone Tebet (MDB) é cotada para o Senado.Meio Ambiente: Marina Silva (Rede) também é citada como possível candidata ao Senado.Agricultura: Carlos Fávaro (PSD) deve deixar o ministério para retomar o mandato de senador, que vai até 2027, e atuar na articulação política.Empreendedorismo: Marcio França (PSB) planeja concorrer ao governo de São Paulo.Minas e Energia: Alexandre Silveira (PSD) avalia candidatura ao Senado por Minas Gerais.Secretaria de Comunicação da Presidência: Sidônio Palmeira deve deixar o cargo para atuar no marketing da campanha de reeleição de Lula.
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