19 de março de 2026

​EUA descartam proibir exportação de petróleo e gás apesar da alta dos preços 

Após reunião de JD Vance com executivos do setor, governo Trump rejeita restringir exportações em meio à pressão por gasolina cara e temor de novos choques globais de energia
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A Casa Branca não planeja proibir a exportação de petróleo e gás, disse um funcionário do governo Trump nesta quinta-feira, após uma reunião entre o vice-presidente JD Vance e executivos do setor de óleo e gás.

“Restrições à exportação de petróleo e gás não estão em consideração”, afirmou o funcionário.

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A reunião, realizada na sede do American Petroleum Institute, ocorre enquanto o presidente Donald Trump enfrenta intensa pressão política para responder à alta dos preços de combustíveis por causa da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Também participaram outros importantes integrantes do governo, incluindo o secretário de Energia, Chris Wright.

As eleições legislativas de novembro vão depender em grande medida da percepção dos americanos sobre o custo de vida, e as pesquisas mostram que o presidente tem sido mal avaliado na condução da economia. O preço médio do galão de gasolina chegou a US$ 3,88 nesta quinta-feira, de acordo com a American Automobile Association, quase US$ 1 a mais do que há um mês, antes do início da guerra.

Um banimento das exportações de petróleo poderia desorganizar os mercados globais, desestimular a perfuração de xisto e, no fim, não ajudar tanto assim os motoristas americanos, dizem especialistas. O Congresso suspendeu, em 2015, uma proibição de 40 anos à exportação de petróleo bruto, redesenhando os fluxos globais, mudando o equilíbrio geopolítico e abalando economias inteiras. Os EUA se consolidaram como o maior produtor de petróleo do mundo, e o óleo americano passou a ser exportado para mais de 50 países, com volumes que frequentemente superam os de qualquer país da Opep, exceto a Arábia Saudita.

Embora limitar a exportação de derivados de petróleo pelos EUA — como gasolina e diesel — pudesse garantir mais oferta para os consumidores domésticos, especialistas alertam que a medida pode sair pela culatra e ter efeitos indesejados, como levar refinarias da Costa do Golfo a reduzirem a produção, resultando em preços mais altos.

“Proibir a exportação de derivados ou de petróleo bruto seria contraproducente para reduzir os preços nas bombas, incitaria compras de pânico e provocaria novas altas nas cotações globais”, disse Bob McNally, presidente da Rapidan Energy Group, consultoria com sede em Washington. “Proibições de exportação também destruiriam a reputação dos EUA como ‘arsenal de energia’ confiável e desestimulariam investimentos de longo prazo no setor.”

Os preços do petróleo bruto dispararam desde o início da guerra com o Irã, no mês passado. O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz — estreita passagem no Golfo Pérsico que responde por cerca de 20% do comércio marítimo global de petróleo e da oferta de gás natural liquefeito — despencou. O fornecimento de derivados de petróleo, incluindo diesel, gasolina, querosene de aviação, combustível marítimo e nafta — usada na produção de plásticos e combustíveis rodoviários — também foi abalado.

Enquanto isso, a escalada de ataques à infraestrutura de energia no Oriente Médio, incluindo um ataque de míssil iraniano à maior planta de gás natural liquefeito do mundo, no Catar, elevou o risco de pressões inflacionárias de longo prazo.

A ideia de proibir a exportação de derivados foi cogitada durante o governo do presidente Joe Biden, em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, mas enfrentou críticas de petrolíferas e refinarias domésticas, que afirmaram que restringir exportações iria desorganizar os mercados globais, prejudicar a segurança nacional e, na prática, elevar os preços de combustíveis nos EUA.

© 2026 Bloomberg L.P.

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