Caso de US$ 2,5 bilhões em servidores de IA é o mais relevante da ofensiva dos EUA contra o contrabando de tecnologia avançada para a China e derruba as ações da Super Micro em até 29%
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Os Estados Unidos denunciaram um cofundador da Super Micro por desviar ilegalmente bilhões de dólares em servidores equipados com chips da Nvidia para a China, iniciando seu caso de maior destaque até agora sobre o suposto contrabando de tecnologia de IA restrita para o país asiático.
Promotores americanos acusaram Yih-Shyan “Wally” Liaw de participar de um esquema para enviar servidores montados nos EUA, contendo os chips mais avançados da Nvidia, para a China, em violação aos controles de exportação dos EUA. Liaw e outras duas pessoas ligadas à companhia teriam vendido a tecnologia de IA por meio de uma empresa no Sudeste Asiático, sabendo que os equipamentos seriam posteriormente enviados para a China.
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Também foram acusados no caso Ruei-Tsang “Steven” Chang, que atuava como gerente no escritório da empresa em Taiwan, e Ting-Wei “Willy” Sun, um prestador de serviços externo descrito pelas autoridades americanas como um “resolvedor” (“fixer”) que teria ajudado no desvio.
A acusação marca o maior caso de contrabando de chips já perseguido pelos promotores dos EUA desde que começaram a restringir os embarques da Nvidia para a China em 2022. Ela vem na esteira de várias prisões em menor escala no ano passado, depois que o governo Trump prometeu reprimir violações das regras impostas para impedir que a China use aceleradores de IA americanos para obter vantagem militar.
Queda nas ações
As ações da empresa despencaram até 29% nas negociações iniciais em Nova York nesta sexta-feira, a maior queda intradia desde 30 de outubro de 2024.
A Super Micro é uma grande montadora de servidores de IA com componentes de última geração da Nvidia, competindo com empresas como a taiwanesa Foxconn Technology Group. A companhia, sediada em San Jose, Califórnia, responde por cerca de 9% da receita da Nvidia, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Liaw, cidadão americano, e Sun, cidadão de Taiwan, foram presos na quinta-feira, de acordo com um comunicado do escritório do procurador dos EUA em Manhattan, Jay Clayton. Chang, cidadão taiwanês, permanece foragido.
Liaw e Sun fizeram suas primeiras aparições em um tribunal federal em San Jose, Califórnia. Seus advogados não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
A Super Micro afirmou em comunicado que colocou Liaw e Chang em licença administrativa e encerrou a relação com Sun. A empresa disse que vem cooperando com a investigação do governo e que continuará a fazê-lo.
A conduta supostamente praticada pelos réus “contraria as políticas e os controles de compliance da companhia, incluindo esforços para contornar leis e regulamentos aplicáveis de controle de exportação”, disse a Super Micro na nota. A empresa afirmou manter “um programa robusto de compliance e estar comprometida com a plena observância de todas as leis e regulamentos aplicáveis de controle de exportações e reexportações dos EUA”.
“Empresa-1”
Os promotores afirmaram que, a partir de 2024, os réus e outros envolvidos promoveram a venda de US$ 2,5 bilhões em servidores da Super Micro para a empresa do Sudeste Asiático, identificada nos documentos judiciais apenas como “Empresa-1”, com a intenção de que fossem repassados à China. Segundo a acusação, os clientes chineses recebiam os produtos “carro-chefe” da Super Micro — servidores que incorporam os chips B200 e H200, controlados pela Nvidia — em caixas sem identificação.
Esses servidores eram muitas vezes montados nos EUA e enviados inicialmente para instalações da Super Micro em Taiwan, depois entregues à “Empresa-1”, no Sudeste Asiático, e, por fim, encaminhados a compradores na China por meio de corretores terceirizados, disseram os promotores.
Cerca de um quinto do valor total das remessas ocorreu no intervalo de apenas algumas semanas no ano passado, pouco antes de os EUA passarem a exigir licenças para o envio de chips de IA ao Sudeste Asiático, como parte de um arcabouço de restrições globais a chips da era Biden — estrutura que a equipe de Trump depois derrubou.
“Precisamos acelerar isso antes de 13 de maio!”, teria escrito Liaw a um executivo da Empresa-1 em janeiro de 2025, quando esses controles globais de exportação foram anunciados pela primeira vez, com implementação prevista para meados de maio. Os EUA atualmente não exigem licença para envio de chips de IA da Nvidia para países como Malásia, Cingapura e Tailândia.
“Conformidade rigorosa é uma prioridade máxima para a Nvidia”, disse a designer de chips sediada em Santa Clara, Califórnia, em comunicado. “Continuamos trabalhando em estreita colaboração com nossos clientes e com o governo em programas de compliance, à medida que os regulamentos de exportação vêm sendo ampliados.”
Não é a primeira vez que os EUA efetuam prisões por suposto contrabando de chips da Nvidia para a China.
Em novembro, dois cidadãos chineses e dois cidadãos americanos foram acusados de participar de um esquema que teria usado uma falsa empresa imobiliária em Tampa, na Flórida, como fachada para movimentar centenas de chips por meio da Malásia e, finalmente, para a China.
Em agosto, dois cidadãos chineses foram acusados de usar uma empresa sediada em El Monte, Califórnia, para exportar chips avançados de IA da Nvidia sem obter as licenças governamentais necessárias.
A Nvidia afirmou que não fornece suporte nem serviços para produtos enviados ilegalmente à China.
Liaw, de 71 anos, cofundou a Super Micro em 1993, segundo um perfil no site da empresa, e fazia parte de seu conselho de administração. Desde 2022, ele atuava como vice-presidente sênior de desenvolvimento de negócios.
Liaw, Chang, 53, e Sun, 44, são cada um acusado de conspiração para violar controles de exportação, crime que prevê pena máxima de 20 anos de prisão, caso sejam condenados. Eles também respondem por conspiração para contrabandear bens dos EUA e conspiração para fraudar os EUA, acusações que podem resultar em até cinco anos de prisão cada.
Os promotores disseram que os réus e outros executivos da Empresa-1 prepararam documentos e comunicações falsos para garantir que as remessas fossem aprovadas internamente. Para enganar a equipe de compliance da Super Micro e um agente de controle de exportação do Departamento de Comércio dos EUA, eles repetidamente montaram servidores “dummy” (de demonstração, sem funcionamento) nos locais onde a Empresa-1 supostamente deveria estar armazenando os equipamentos que já haviam sido enviados à China.
© 2026 Bloomberg L.P.
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