21 de março de 2026

​EUA x Irã: o que marcou o 21º dia de guerra no Oriente Médio 

No dia do Ano Novo Persa e do fim do Ramadã, Irã e Israel trocam mísseis, Trump chama a Otan de ‘covarde’ e a pressão sobre o Estreito de Ormuz volta ao centro da disputa
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Nesta sexta-feira (20), o conflito no Oriente Médio completa três semanas, no mesmo dia em que se celebra o Ano Novo Persa, no Irã, e o fim do Ramadã. As festividades, porém, não interromperam os combates, que seguem sem sinais de terminar.

Ao longo da madrugada, Israel bombardeou a capital iraniana, Teerã, tendo como alvo estruturas do governo. Enquanto isso, o Irã disparou mísseis contra Israel, atingindo o centro histórico de Jerusalém, segundo os militares israelenses.

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O Irã também atacou uma refinaria de petróleo no Kuwait, e a Arábia Saudita informou ter interceptado um míssil. Um porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana foi morto em ataques atribuídos aos EUA e a Israel.

Em meio à escalada, o secretário-geral da ONU, António Guterres, voltou a se pronunciar e disse haver indícios razoáveis para acreditar que os dois lados do conflito cometeram crimes de guerra.

Trump chama Otan de “covarde”

As declarações diárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a guerra continuaram. Desta vez, ele subiu o tom contra a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) por não ajudar na reabertura do Estreito de Ormuz. “Seria tão fácil para eles, com tão pouco risco. COVARDES – e nós vamos LEMBRAR!”, escreveu em sua rede social, a Truth Social.

Diante da recusa dos membros da aliança, Trump afirmou que “seria legal” se China e Japão ajudassem a liberar o Estreito de Ormuz.

Ele voltou a dizer que os EUA estão em uma boa posição no conflito e que a guerra deve acabar em breve. Questionado se Israel também encerraria a ofensiva quando os EUA decidissem se retirar, respondeu: “acho que sim”. “Nós queremos mais ou menos as mesmas coisas”, declarou.

Sobre um eventual fim da guerra, Trump disse que não deseja um cessar-fogo e que quer conversar com o Irã, mas que “não tem com quem conversar”, insistindo na narrativa de que o governo do país persa foi destruído — apesar de a própria inteligência americana já ter afirmado que ele segue “intacto”.

20 de março de 2026 – Sheikh Mohammed Osseiran visita pessoas deslocadas do sul do Líbano em um abrigo em um centro religioso no dia do fim do Ramadã. Foto: REUTERS/Amr Abdallah Dalsh REFILE – ADDING ID

Novos planos dos EUA

O governo dos Estados Unidos planeja ocupar ou bloquear a ilha iraniana de Kharg para pressionar Teerã a reabrir o Estreito de Ormuz, segundo revelou o site Axios. A ilha responde por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã e já foi alvo de bombardeios.

Outro passo em avaliação em Washington é o envio de tropas terrestres ao Irã, de acordo com a emissora CBS. Segundo a TV americana, oficiais do Pentágono já apresentaram pedidos específicos para deixar pronta a opção de enviar soldados ao território iraniano, enquanto Trump avalia os próximos passos.

Paralelamente, as Forças Armadas dos EUA estão enviando milhares de fuzileiros navais e marinheiros adicionais para reforçar as operações já existentes no Oriente Médio.

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Autoridades iranianas se manifestam

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, divulgou um novo comunicado nesta sexta-feira, por ocasião do Ano Novo Persa. Nele, afirma que os ataques contra Turquia e Omã não foram realizados pelo Irã e acusa os Estados Unidos e Israel de operarem táticas de “bandeira falsa” para afastar os países vizinhos de Teerã.

Khamenei também declarou que os inimigos da República Islâmica estão sendo derrotados na guerra e que o regime se mantém firme, apesar da morte de alguns líderes.

O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, rebateu as falas de Trump sobre estar vencendo o conflito e afirmou que o governo americano está “descolado da realidade”. Segundo Araghchi, o Irã não discutirá a reabertura da passagem pelo Estreito de Ormuz enquanto estiver sob ataque.

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