23 de março de 2026

​IA redefine o valor do trabalho humano e exige aprendizado contínuo nas empresas 

O tema ganhou destaque recente no South by Southwest (SXSW), evento global de inovação realizado em Austin, nos Estados Unidos
The post IA redefine o valor do trabalho humano e exige aprendizado contínuo nas empresas appeared first on InfoMoney.  

O avanço da inteligência artificial tem gerado mudanças no mercado de trabalho, não apenas nas tecnologias adotadas pelas empresas, mas também nas competências mais valorizadas pelos profissionais. Em meio à automação de tarefas, cresce a demanda por habilidades humanas e pela capacidade de aprendizado contínuo.

O tema ganhou destaque recente no South by Southwest (SXSW), evento global de inovação realizado em Austin, nos Estados Unidos. Especialistas apontaram que, diante da evolução acelerada da tecnologia, competências como comunicação, pensamento crítico e adaptabilidade tendem a ganhar mais relevância no ambiente profissional.

Leia também: Empresas passam a organizar carreiras por habilidades — e não apenas por cargos

“A inteligência artificial está transformando a forma como trabalhamos, mas não substitui aquilo que é essencialmente humano”, afirmou Borja Castelar, ex-diretor do LinkedIn para América Latina e Europa. “A vantagem competitiva estará na capacidade de combinar tecnologia com pensamento crítico, comunicação, empatia e tomada de decisão.”

A discussão observada no SXSW converge com estudos globais recentes. O relatório “Global Human Capital Trends 2026”, da Deloitte, indica que empresas vêm ampliando o foco em competências humanas para lidar com ambientes mais incertos e complexos. Já levantamento da Udemy aponta aumento na procura por cursos relacionados à inteligência artificial combinada a habilidades de liderança e tomada de decisão.

Segundo a consultoria Hays, cerca de 50% das empresas já utilizam inteligência artificial para complementar atividades de equipes, enquanto uma parcela reduzida relata substituição direta de funções. O dado reforça o uso predominante da tecnologia como ferramenta de apoio.

Leia também: O escritório voltou — e com novo papel nas empresas

Do domínio técnico à adaptabilidade

A mudança também aparece em projeções sobre o futuro do trabalho. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, 50% da força de trabalho global deverá precisar de requalificação até 2030, em função da adoção de novas tecnologias.

Nesse contexto, o aprendizado contínuo — ou lifelong learning — tem ganhado espaço como exigência crescente nas organizações. Assim, cursos de curta duração e micro-certificações passam a ser utilizados como forma de atualização rápida, especialmente em áreas ligadas à inteligência artificial e análise de dados.

Leia também: Saúde mental entra na gestão de risco e passa a integrar métricas corporativas

Empresas adaptam gestão de talentos

Nas empresas, essas mudanças começam a se refletir em práticas de gestão de pessoas.
Na Totvs, por exemplo, a experiência do colaborador é monitorada por meio de pesquisas periódicas de clima e indicadores como eNPS (Employee Net Promoter Score) e taxa de rotatividade, utilizados para identificar necessidades de desenvolvimento e orientar ajustes em estratégias de engajamento.

Já na Nestlé Brasil, a combinação entre ferramentas digitais e encontros presenciais é utilizada para manter a conexão entre líderes e equipes. Segundo a companhia, a interação contínua entre gestores e colaboradores é considerada um fator relevante para o desenvolvimento profissional em um ambiente de trabalho mais dinâmico.

Nos dois casos, além da posição ocupada, passa a ganhar importância a capacidade de adaptação e evolução contínua dos profissionais dentro da organização.

Leia também: Diversidade e inclusão entram na meta e passam a influenciar gestão nas empresas

Novo equilíbrio entre tecnologia e fator humano

A combinação entre inteligência artificial e habilidades humanas aponta para um modelo de trabalho em que tecnologia e profissionais atuam de forma complementar.

Nesse cenário, o diferencial tende a estar menos no domínio isolado de ferramentas e mais na capacidade de interpretá-las e aplicá-las ao contexto do negócio — como destacado por Borja Castelar no SXSW.

Para as empresas, o desafio envolve não apenas a adoção de novas tecnologias, mas também o desenvolvimento de competências que permitam extrair valor dessas ferramentas.

Leia também: Empresas transformam atração e desenvolvimento de talentos em ativos estratégicos

Os dados de estudos recentes e os exemplos observados em empresas também indicam mudanças na forma como organizações avaliam talentos e estruturam o desenvolvimento profissional, com maior ênfase em adaptabilidade, aprendizado contínuo e habilidades humanas. Em um mercado em acelerada transformação, saber aprender passa a ser tão relevante quanto saber fazer.

The post IA redefine o valor do trabalho humano e exige aprendizado contínuo nas empresas appeared first on InfoMoney.

 InfoMoney