24 de março de 2026

​Ter muitos ou poucos filhos pode diminuir longevidade, diz estudo; saiba número ideal 

Pesquisa com milhares de mulheres indica que extremos — nenhum ou muitos filhos — estão associados a pior saúde e menor expectativa de vida
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Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade de Helsinque e do Instituto de Pesquisa Médica da Fundação Minerva sugere que mulheres com dois ou três filhos apresentam um envelhecimento biológico mais lento em comparação àquelas que não tiveram filhos ou tiveram famílias numerosas. A pesquisa reforça a ideia de que a maternidade pode influenciar diretamente a longevidade — mas de forma não linear.

O trabalho analisou dados de cerca de 14 mil mulheres, incluindo gêmeas, o que permitiu reduzir a influência de fatores genéticos nos resultados. Os cientistas observaram que tanto a ausência de filhos quanto a maternidade com quatro ou mais crianças estão associadas a sinais de envelhecimento mais acelerado e maior risco de mortalidade ao longo da vida.

Segundo os pesquisadores, o fenômeno pode ser explicado por um equilíbrio biológico e social. A reprodução exige alto gasto energético do organismo — o que pode acelerar o desgaste celular em casos de muitos filhos. Por outro lado, ter poucos ou nenhum filho pode significar menor rede de apoio social na velhice, fator também relacionado a piores desfechos de saúde.

Os dados indicam uma espécie de “curva em U”: o envelhecimento tende a ser mais rápido nos extremos, enquanto um número moderado de filhos estaria associado a melhores indicadores biológicos.

 O estudo também identificou que fatores como idade ao ter filhos, estilo de vida, índice de massa corporal e consumo de álcool podem influenciar os resultados, embora não expliquem completamente a relação observada.

Especialistas destacam que os resultados não devem ser interpretados como recomendação sobre o número ideal de filhos, mas como evidência de que fatores reprodutivos fazem parte de um conjunto mais amplo que impacta o envelhecimento. Aspectos como condições socioeconômicas, acesso à saúde e suporte familiar continuam sendo determinantes para a longevidade.

A pesquisa também concluiu que mulheres que tiveram filhos entre os 24 e 38 años apresentaram maiores indicadores de longevidade, mostrando que a maternidade precoce também impacta na expectativa de vida. O efeito pode estar associado a fatores sociais e econômicos menos favoráveis, bem como às demandas físicas e emocionais de uma maternidade precoce.

— A maternidade precoce foi associada a maior risco de obesidade, deterioração da mobilidade e menor nível educacional, o que pode explicar em parte a relação observada — afirmaram os pesquisadores.

 

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