24 de março de 2026

​Inflação de alimentos em alta? Veja possíveis impactos para frigoríficos e atacarejo 

A alta no petróleo já provocou, por exemplo, um aumento no preço do diesel, que logo foi refletido em uma elevação nos preços do frete
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Com a guerra no Oriente Médio e o aumento nos preços do petróleo, os riscos para a inflação de alimentos no Brasil aumentaram. Para os analistas do Goldman Sachs, essa escalada de preços pode exercer pressão adicional sobre custos ao longo da cadeia de suprimentos, impactando mais ou menos algumas empresas do setor.

A alta no petróleo já provocou, por exemplo, um aumento no preço do diesel, que logo foi refletido em uma elevação nos preços do frete. O Brasil transporta cerca de 60% de sua carga por caminhões, tornando a cadeia de alimentos altamente sensível ao diesel.

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Mesmo com o movimento deflacionário notado em fevereiro, após a situação com o Oriente Médio, é possível que essa pressão adicional se traduza em maiores preços ao longo de toda a cadeia. O banco estima que haja um aumento de frete e energia, maiores prazos de entrega, uma alta na demanda global por exportações, elevação nos riscos de médio prazo para a safra 2026-27 e maiores custos de embalagens.

Preços escalados

Com a aversão a risco geopolítico, o que costuma acontecer historicamente é a valorização do dólar, pressionando moedas emergentes. Segundo os analistas, com o real mais fraco, os custos de insumos importados aumenta.

Ao mesmo tempo, as exportações brasileiras se tornam mais competitivas. Essa combinação, de acordo com o banco, pode levar os exportadores a priorizarem mercados externos, diminuindo a oferta doméstica e pressionando ainda mais os preços.

Os custos de produção também podem subir. Atualmente, o Brasil importa 80–85% de suas necessidades de fertilizantes. Grande parte desses insumos vem de países do Golfo, afetado pela guerra. Apesar dos fertilizantes da safra atual já terem sido comprados, o período de compra para a safra do próximo ano ocorrerá entre abril e agosto.

Segundo o Goldman, os produtores poderão enfrentar um “triplo impacto negativo” na próxima compra, com fertilizantes mais caros, frete elevado e câmbio desfavorável.

Segmentos mais protegidos

Indústrias de bens essenciais, como proteínas animais, devem estar mais protegidas, conforme os analistas. Por esse motivo, o banco reiterou a recomendação de compra para JBS (BDR: JBSS32) e MBRF (MBRF3). Até a reaceleração da inflação de alimentos é vista como potencialmente positiva para o Assaí (ASAI3), que o Goldman também manteve a recomendação de compra.

Apesar de toda a apreensão, historicamente, dados do Goldman mostram que a indústria de bebidas e alimentos consegue repassar custos. O que costuma acontecer, de acordo com os analistas, é uma defasagem desse repasse de um a dois trimestres. “O debate não é se haverá reajuste, mas quando e quanto”, afirmam.

Mesmo antes do conflito no Oriente Médio, a análise anterior do banco já contemplava um ano misto para custos de insumos no Brasil. Mesmo com o dólar mais fraco e uma estimativa de safra mais robusta, o banco esperava, também, um ciclo de gado mais apertado e pressões contínuas sobre embalagens e alumínio. “A recente escalada do conflito no Oriente Médio introduz o que consideramos uma nova camada de incerteza que afeta simultaneamente diversas áreas”, explicam.

Apenas no último mês, essa “camada de incerteza” já provocou movimentos relevantes de preços em algumas matérias-primas, como petróleo Brent, frete, manteiga, alumínio, trigo, leite e milho.

Enquanto empresas de proteínas podem ser mais resilientes, o Goldman acredita que restaurantes sofram maior risco, com pressão de custos e consumidores sensíveis ao preço.

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