26 de março de 2026

​JBS (JBSS32): diversificação e resiliência sustentam balanço e ação salta após 4T 

A JBS, na visão do Bradesco BBI, reportou um 4T25 consistente, com números amplamente em linha com as estimativas do banco
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A JBS (BDR: JBSS32) que é listada nos EUA, valorizava-se mais de 8%, após mostrar lucro de US$ 415 milhões no quarto trimestre, enquanto a receita líquida atingiu um recorde de US$ 23,06 bilhões. A companhia ainda aprovou dividendo de US$1 por ação. Às 13h45 (horário de Brasília), os papéis subiam 8,19%, a US$ 17,04, no mercado americano.

A JBS, na visão do Bradesco BBI, reportou um 4T25 consistente, com números amplamente em linha com as estimativas do banco, refletindo melhora operacional em diversas divisões e geração de caixa expressiva.

A receita consolidada alcançou US$ 23,1 bilhões, avanço de 16% no comparativo anual, apoiada por crescimento em todas as unidades de negócio. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado somou US$ 1,7 bilhão, queda de 8% na comparação anual e margem de 7,3%, com destaques para a recuperação sequencial da Seara e do segmento de bovinos nos EUA. O lucro líquido permaneceu estável em US$ 415 milhões, refletindo a compensação entre maiores despesas financeiras e reversão de imposto de renda.

A geração de fluxo de caixa livre foi robusta em US$ 990 milhões, impulsionada por liberação de US$ 877 milhões em capital de giro. No consolidado de 2025, o FCF (fluxo de caixa livre) recuou para US$ 400 milhões, limitado por um consumo de capital de giro de US$ 852 milhões e capex (investimentos) de US$ 2,1 bilhões, alta de 42% anual e compatível com o plano de investimentos da companhia.

A alavancagem permaneceu estável em 2,7x, o que permitiu o anúncio de dividendo adicional de US$ 1/ação, a ser pago em junho de 2026 (yield de 6,3%). P

Na visão do BBI, o trimestre reforça a capacidade da JBS de navegar um ambiente global desafiador, marcado por spreads pressionados em aves nos EUA, oferta apertada de gado no mercado norte americano e incertezas sobre o ritmo de normalização da Seara após o choque de exportações do 3T25.

“Avaliamos que a empresa conseguiu entregar desempenho positivo diante desses vetores adversos, especialmente ao registrar melhora operacional em segmentos críticos e manter alavancagem controlada”, aponta o banco.

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Ainda assim, o panorama para 2026 permanece menos favorável do ponto de vista do ciclo de proteínas: a disponibilidade de gado nos EUA deve continuar diminuindo, reduzindo a probabilidade de inflexão nas margens de bovinos; PPC e Seara iniciam o ano com uma base de resultados mais fraca; e o avanço de cerca de 10% no alojamento de matrizes no Brasil em 2025 tende a gerar maior oferta ao longo de 2026, elevando o risco de compressão adicional das margens domésticas. Esses fatores devem limitar a aceleração de lucros do setor no curto prazo e reduzira visibilidade para catalisadores positivos relevantes.

Apesar disso, o BBI vê a JBS em posição diferenciada frente aos pares, combinando balanço saudável, capacidade de execução, disciplina de capital e valuation descontado —elementos que sustentam nossa visão construtiva e a mantêm como nossa única preferência no universo de proteínas.

O Itaú BBA também destaca um quarto trimestre sólido, com Ebitda ligeiramente acima do consenso, sustentado principalmente pelo desempenho acima do esperado da carne bovina nos EUA e pela resiliência das margens (rentabilidade) da Seara, mesmo em um cenário global ainda desafiador para proteínas.

“A diversificação entre proteínas e geografias, somada à disciplina operacional, ajudou a companhia a atravessar pressões do ciclo do gado e ruídos relacionados à gripe aviária”, avalia.

Além disso, a forte geração de caixa permitiu redução de alavancagem e retorno de capital aos acionistas, com dividendos anunciados de US$ 1 por ação (cerca de 6% de retorno).

Em relação ao valuation, o BBA aponta que a JBS segue negociando a múltiplos inferiores aos pares globais, com valor da empresa em relação ao Ebitda (EV/Ebitda) abaixo de 6 vezes, contra patamares históricos entre 7 vezes e 8 vezes para empresas comparáveis, mesmo considerando margens normalizadas. “Esse desconto, aliado à execução operacional consistente e à solidez financeira, sustenta a tese construtiva para o papel, o que sustenta nossa recomendação de ‘compra’ para a ação negociada em Nova York, com preço-alvo de US$ 20 ao fim de 2026”, avalia a equipe de análise.

Para a XP Investimentos, no lado positivo: (i) a JBS Australia superou projeções pode levar a revisões de lucros; (ii) a Seara superou seu principal concorrente; (iii) US Pork entregou um trimestre sólido e acima do esperado; (iv) a margem positiva em US Beef foi inesperada; e (v) o FCF (fluxo de caixa livre) foi forte, em R$ 5 bilhões, acima da projeção da XP em R$ 3,8 bilhões.

Ainda assim, além de um trimestre decepcionante para JBS Brazil e PPC, observa piora nas condições do ciclo do frango no Brasil e nos EUA, juntamente com as piores margens já registradas para o setor de carne bovina nos EUA no primeiro trimestre (com a forte recuperação de margens observada ao longo de março ainda sendo avaliada quanto à sua sustentabilidade).

“Em alguns momentos, criticamos a JBS por sua exposição a todas as proteínas e regiões, o que limita a possibilidade de capturar ciclos específicos de commodities; porém, a excelência operacional e a gestão do passivo da Companhia mudaram seu perfil de geração de valor ao acionista”, aponta a XP. Ainda assim, com um cenário tão volátil quanto possível (guerra no Irã, surtos de gripe aviária, escrutínio governamental, greves de trabalhadores), a diversificação de lucros é mais do que bem-vinda, finaliza.

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