Segundo as mais recentes pesquisas eleitorais, Rafael López-Aliaga e Keiko Fujimori, ambos de linha conservadora, estão à frente nas intenções para o 1° turno da disputa, marcado para 12 de abril
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Assim como aconteceu em 2025 nas eleições presidenciais do Equador, Bolívia e Chile, além da disputa parlamentar na Argentina, e no pleito na Costa Rica em fevereiro passado, os políticos com tendência mais à direita são os favoritos na disputa das eleições para presidente no conturbado Peru, com o 1° turno marcado para 12 de abril. Segundo as pesquisas de intenção de votos, candidatos conservadores têm maiores chances de avançar para o segundo turno, embora o número de eleitores indecisos ainda traga uma dose de incerteza na disputa.
Caso nenhum nome consiga alcançar mais da metade dos votos, um segundo turno está agendado para o dia 7 de junho
Um cálculo feito pelo JP Morgan em análise nesta semana apontou que, quando agregados os principais grupos políticos, os candidatos de direita somam aproximadamente 29% nessa etapa, contra cerca de 7% para os nomes mais à esquerda, com independentes alcançando quase 6% das intenções.
Isso reforça a visão de um primeiro turno inclinado à direita, mas ainda fragmentado, que provavelmente deixará a definição para o segundo turno. Segundo as últimas pesquisas eleitorais, o percentual somado de eleitores que não sabem ainda quem escolher na disputa, somado ao dos que pretendem anular ou votar em branco, ultrapassa a preferência por qualquer candidato: algo entre 40% e 44% da população apta a votar.
Isso fruto de um complicado quadro político interno que opõe o presidente (eleito ou seu substituto) ao Congresso e ao Poder Judiciário. Nos último nove anos, o Peru teve nada menos que nove presidentes. O atual, José María Balcázar, entrou em fevereiro de 2026 no lugar de José Jerí, escolhido em outubro passado para ocupar a cadeira da afastada Dina Boluarte – que era vice-presidente na gestão de Pedro Castillo, eleito em 2021, mas que sofreu impeachment.
Leia também: Congresso do Peru elege José Balcázar como presidente interino
Cédula eleitoral do Peru (Foto: Divulgação/Jurado Nacional de Elecciones – JNE)
Mesmo com essa troca constante no poder, nada menos do que 35 candidatos disputam a vaga de presidente — seriam 36, mas Napoleón Becerra, do Partido dos Trabalhadores e Empreendedores (PTE), morreu num acidente de trânsito no dia 15 de março. O número é tão extenso que o Jurado Nacional de Elecciones (JNE), órgão que organiza a disputa, realizou nesta semana três debates entre candidato de forma escalonada: um com 11 pleiteantes e dois com 12 candidatos cada.
As preferências dos eleitores estão concentradas em candidatos de perfil conservador ou favoráveis a uma condução da economia mais pró-mercado. Mas analistas locais destacam que o porcentual de indecisos tornam qualquer projeção arriscada. Na eleição de 2021, o esquerdista Pedro Castillo surpreendeu no primeiro turno e derrotou Keiko Fujimori no segundo turno por uma diferença de apenas 44 mil votos.
Além da presidência, serão renovadas as 130 cadeiras da Câmara e os 60 assentos do Senado. Neste ano, as projeções são de haverá uma maior distribuição entre os partidos, em especial entre Fuerza Popular, Renovación Popular e Alianza para el Progreso. Com isso, espera-se uma pressão menos intensa sobre o próximo governante, sem processos-relâmpago de pedidos de impeachment, como no passado recente
Veja abaixo quem são os principais pleiteantes ao cargo de presidente do Peru:
Rafael López-Aliaga
(Foto: Reprodução do Instagram/@rafaellopezaliagaoficial)
Líder em quase todas as pesquisas desde o ano passado, com algo entre 11% e 12% das intenções, o empresário Rafael López Aliaga construiu sua história nos setores de infraestrutura, transporte e serviços. Ele já era um defensor de uma agenda de redução do tamanho do Estado e de um uma política fiscal austera antes mesmo de entrar na política. E dizia considerar essas passos importantes para gerar confiança externa e atrair investimentos ao país e, assim, estabilizar a economia.
Aliaga foi candidato à presidência em 2021, com um discurso de fortalecimento da ordem interna e de luta contra a corrupção – na campanha, ele chegou a se definir como o “Bolsonaro peruano”. Apelidado de “Porky” (o personagem Gaguinho, dos desenhos Looney Tunes), ele recebeu pouco menos de 12% dos votos, insuficientes para conduzi-lo ao 2° turno. Mas essa performance catapultou sua carreira política e ele foi eleito prefeito de Lima em 2022.
O político tem construído sua carreira se definindo como um “cristão social”. Membro da Opus Dei no país, costuma criticar o “marxismo cultural” nas escolas e universidades, é militante contra o aborto em quaisquer circunstâncias e se diz contrário ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Próximo de Donald Trump, em dezembro, organizou um memorial a Charlie Kirk, ativista de direita americano assassinado no ano passado.
Keiko Fujimori
(Foto: Reprodução do Instagram/@keikofujimorih)
Filha do falecido ditador Alberto Fujimori, Keiko Fujimori é talvez a política mais ativa do Peru nas últimas décadas e já apareceu à frente de López Aliaga em algumas pesquisas — ela tem entre 9% e 11% das preferências. A primogênita do ex-presidente foi alçada aos holofotes nos últimos anos do mandato de seu pai, cumprindo o papel oficial de “primeira-dama” no lugar de sua mãe, que divorciou-se do ditador e passou a fazer acusações contra ele.
Isso projetou Keiko para a liderança do partido Aliança pelo Futuro. O seu primeiro e maior papel foi o de defender a honra e o legado de seu pai, que foi julgado cinco vezes até 2020 e condenado, após sua extradição em 2007, a um total de 52 anos de prisão por crimes de corrupção e contra a humanidade. Nesse período, ela construiu um novo partido, o Fuerza Popular, que hoje exerce um papel de domínio no Congresso.
Rotulada pelos adversários como uma populista de direita, Keiko foi candidata à presidência do Peru em 2011, 2016 e 2021, sempre sendo derrotada no 2° turno, sempre por margens apertadas.
Sua popularidade foi abalada após denúncias no âmbito da investigação da Operação Lava-Jato, por conta de contribuições da construtora Odebrecht e do grupo financeiro Credicorp de grandes somas de dinheiro em 2011 e 2016. Keiko foi levada à prisão em três oportunidades por conta das condenações.
Mais uma vez, ela traz como mote campanha em 2026 a palavra “Ordem”, num contexto amplo que não se resume só à segurança pública, mas também prevendo modernização do sistema judiciário, disciplina fiscal, aplicação de um choque de desregulação e combate à corrupção.
Carlos Álvarez
Um candidato que tem alternado a 3ª posição nas pesquisas e que tem possibilidade de chegar ao segundo turno das eleições é o ex-comediante e apresentador de televisão Carlos Álvarez, que tem feito uma campanha praticamente toda calcada em propostas radicais em termos de segurança pública. Suas promessas incluem a prisão perpétua por crimes graves e pena de morte em casos flagrantes, mesmo que isso signifique renunciar à Convenção Americana de Direitos Humanos.
Como qualquer candidato de linha populista que se apresenta como “não político”, Álvarez não tem poupado de críticas nenhumas das linhas ideológicas dos adversários durante a campanha. E prometeu dar atenção à infância em termos de saúde e educação. Nas pesquisas, ele tem se mostrado especialmente forte nas zonas rurais do Peru.
Alfonso López Chau
O economista Alfonso López Chau é o mais forte concorrente a presidente do Peru que defende bandeiras da centro-esquerda, mas aparece nas pesquisas com algo entre 4% e 6% das intenções, patamar ainda insuficiente para levá-lo ao segundo turno.
Em seus discursos, ele tem prometido “limpar a casa” e acenado com política para melhora o acesso das classes mais pobres à universidade. Há por parte dele um tentativa de evitar temas de conflito com a classe empresarial. Num evento no ano passado convocado por lideranças empresariais, ele defendeu um diálogo nacional entre todos os entes para devolver o Peru ao rumo do desenvolvimento.
Ele também tem dito acreditar em uma economia de mercado nacional e social e defendido a promoção de Parcerias Público-Privadas (PPPs) que promovam infraestrutura e a tecnologia.
Mas López Chau também tem dedicado um tempo para se defender de ter omitido algumas prisões na década de 1970, que ele atribuiu à sua militância contra regimes opressivos. “Desde muito jovem, minha sensibilidade à injustiça me levou a levantar a voz e protestar nas ruas. Nos anos 70, como tantos peruanos, enfrentei a ditadura em um contexto marcado por perseguições e prisões políticas típicas de regimes autoritários. Por causa dessa oposição democrática, fui privado da minha liberdade”, disse numa entrevista.
Wolfgang Grozo
Outro novato na eleição Wolfgang Grozo, general aposentado e ex-diretor de Inteligência da Força Aérea Peruana (FAP), que tem forte atuação nas redes sociais. Ele também tem uma plataforma fortemente baseada em propostas de segurança, com uso de inteligência e tecnologia contra criminosos. Também propõe prisão perpétua para crimes de corrupção.
Em economia, tem elogiado o papel do empreendedorismo e prometeu recentemente isentar de imposto de renda por dois anos os pequenos empresários que aceitasse legalizar seus negócios.
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