Relatório do banco estrangeiro destaca que ausência de repasse nos preços de combustíveis poderia compensar ganhos da petroleira com alta da commodity
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A dinâmica de que preços altos do petróleo significam ganhos para papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) tem sido consolidada entre analistas do setor. Para o Goldman Sachs, porém, no curto prazo, é possível que a petroleira perca competitividade no diesel e gasolina, enquanto preços do petróleo operarem acima dos níveis históricos.
Na prática, a dificuldade que a petroleira poderia ter para repassar altas através de ajustes nos combustíveis faria com que os benefícios de preços mais altos no petróleo fossem parcialmente compensados.
Prio (PRIO3) abre segundo poço produtor do campo de Wahoo
De acordo com fato relevante da petroleira, o cronograma de abertura dos demais poços segue conforme previsto
“No entanto, essa dinâmica, caso se materialize, poderia durar apenas enquanto os preços do petróleo estiverem significativamente acima dos níveis históricos, momento em que o governo teria incentivo para oferecer subsídios”, afirma o relatório.
O Goldman considera como preferência no setor a PRIO (PRIO3), principalmente por potencial anúncio de remuneração aos acionistas no curto prazo e o avanço do projeto Wahoo. A Petrobras é considerado um nome atrativo, mas em um cenário normalizado.
A visão dos analistas é que o nome é atrativo com preços na faixa dos US$ 70. Se houvesse qualquer fraqueza no curto prazo, seria justamente a oportunidade para que investidores aumentassem sua exposição à petroleira.
O relatório também menciona propostas do governo federal para ou reduzir o ICMS sobre as importações do diesel ou conceder subsídio adicional para as importações do combustível. Qualquer uma das duas propostas, para o Goldman, poderia reduzir a diferença entre os preços dos combustíveis produzidos no Brasil e os preços da alternativa importada.
O argumento é que, qualquer um dos cenários, poderia reduzir também o desconto do preço local do diesel da Petrobras em algo próximo de 10% em relação à importação, fora os ajustes da própria petroleira. A elegibilidade do subsídio de 0,32/litro para a Petrobras dependeria do não reajuste de preços de combustíveis pra cima, outro ponto destacado pelo Goldman.
“Qualquer uma das medidas poderia aumentar a atratividade da alternativa de importação, reduzindo o risco de eventuais desabastecimentos de combustíveis no Brasil (e, assim, diminuindo a urgência de um eventual aumento nos preços do diesel da Petrobras)”, diz.
Os analistas traçaram cenários também considerando a possibilidade de manutenção dos preços em níveis atuais no futuro previsível. No exercício, foram considerados impactos no lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) e fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) da companhia, caso a Petrobras mantenha preços de diesel e gasolina estáveis ao longo do resto de 2026.
Analistas também estimaram, para as projeções, a faixa de preços para o Brent entre US$ 55/barril (como estimado pelo Goldman antes da guerra) e US$ 120/barril (máximo observado recentemente). Houve também a sugestão de que cada aumento de US$ 10/barril se traduz em aumento de 2,3 pontos percentuais no retorno ao acionista por FCF.
Assim, o Goldman projetou:
Com petróleo de US$ 80/barril em 2026, o FCF yield ficaria em 13%;No cenário base, ficaria em 15%.
“Como já havíamos destacado anteriormente, acreditamos que o cenário de preços mais altos de petróleo pode ser um positivo líquido para a PBR — mesmo em um cenário de congelamento de preços de diesel e gasolina”, afirma. Se não os preços não fossem elevados, apenas limitaria o potencial de alta desses volumes.
A Petrobras exporta cerca de 40% de sua produção de petróleo e, assim, capturando 100% do upside de preços mais altos de Brent, enquanto os 60% restantes são em grande parte utilizados nas próprias refinarias da companhia.
Dos volumes que permanecem, aproximadamente 40% são compostos por querosene de aviação, GLP e outros produtos, que tendem a seguir as referências internacionais. Aproximadamente 60% é composto por diesel e gasolina, que seriam impactados pela dinâmica apresentada no relatório.
“Ainda assim, caso um eventual cenário de ausência de repasse nos preços dos combustíveis aumente as preocupações dos investidores quanto à efetividade do estatuto social da Petrobras em blindar a companhia contra possíveis intervenções governamentais, isso poderia gerar uma sobra sobre o preço das ações”, afirma o Goldman.
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