Analistas se debruçam sobre novas estimativas enquanto conflito se prolonga
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O petróleo brent pode atingir um recorde de US$ 200 por barril se a guerra com o Irã se prolongar até junho, com o Estreito de Ormuz permanecendo fechado, afirmou a Macquarie Group.
Um conflito que se estenda por todo o segundo trimestre resultaria em preços reais historicamente altos, disseram Vikas Dwivedi e equipe, delineando um cenário com probabilidade de 40%. Uma perspectiva alternativa, com probabilidade de 60%, sugere que a guerra pode terminar no final deste mês, afirmaram.
“Se o estreito permanecer fechado por um período prolongado, os preços precisarão subir o suficiente para destruir uma parcela historicamente grande da demanda global de petróleo”, afirmaram os analistas. “O momento da reabertura do estreito e os danos físicos à infraestrutura energética são os principais fatores determinantes do impacto a longo prazo sobre as commodities.”
O petróleo Brent caminha para um ganho mensal recorde em março, à medida que a guerra entre os EUA, Israel e Irã abala o Oriente Médio, região rica em petróleo. O conflito levou Teerã a impor um fechamento quase completo do Estreito de Ormuz, restringindo severamente o fluxo de energia vital para a economia global.
O fechamento do estreito “fez com que os preços do petróleo bruto e dos derivados disparassem devido à magnitude da interrupção”, apontam os analistas da Macquarie. Antes do conflito, a hidrovia registrava o trânsito diário de cerca de 15 milhões de barris de petróleo bruto e 5 milhões de barris de derivados, afirmaram.
“Dada a incerteza sobre como seria uma vitória, e os recentes ataques à infraestrutura de energia, há um risco de que os preços do precisem subir significativamente primeiro para incentivar um acordo de curto prazo”, dizem.
Somente na sexta-feira, os futuros do petróleo Brent subiram US$ 4,56, ou 4,2%, para fechar a US$ 112,57 por barril. Os contratos futuros do West Texas Intermediate dos Estados Unidos subiram US$ 5,16, ou 5,5%, para fechar a US$ 99,64.
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O preço de referência do Brent subiu 53% desde 27 de fevereiro, um dia antes de os EUA e Israel lançarem ataques contra o Irã, enquanto o WTI subiu 45% desde então. Em uma base semanal, o Brent ganhou cerca de 0,3%, enquanto o WTI ganhou mais de 1%.
Os operadores estão cautelosos com as declarações de Trump sobre as negociações com o Irã. Uma autoridade iraniana disse à Reuters que uma proposta dos EUA transmitida a Teerã pelo Paquistão era “unilateral e injusta”.
“Os investidores continuam focados na longevidade da guerra e não nas manchetes, com qualquer fechamento prolongado do estreito (de Ormuz) ou danos à infraestrutura mantendo um prêmio de risco significativo nos preços”, disse Alex Hodes, analista da StoneX.
Olhando para o cenário adverso, o Morgan Stanley estima que o preço do barril do Brent poderia alcançar entre US$ 150 e US$ 180, o que exigiria uma forte destruição de demanda para reequilibrar o mercado.
Cenários para a commodity
Na visão de Bruno Cordeiro, especialista em energia da StoneX, para os próximos meses, diversos cenários do balanço global de oferta e demanda de petróleo poderão ser desenhados, a depender do período em que se estenda o bloqueio sobre o Estreito de Hormuz.
Considerando o cenário pré-guerra, era esperado que o mercado, assim como nos últimos anos, seguisse trabalhando com um balanço superavitário da commodity, em meio ao avanço da oferta pela OPEP+ e produtores secundários, como Brasil, Canadá, Argentina e Guiana. Paralelo a isso, as expectativas de uma desaceleração do crescimento do consumo para 2026 também apoiava essa tendência.
Já no cenário pós-guerra, a relação entre oferta e demanda se inverte, com a suspensão da entrega de boa parte dos barris fornecidos pelo Golfo Pérsico devendo resultar, em última instância, na criação de déficits elevados, entre 4 e 5 mbpd (milhões de barris por dia).
“Vale destacar que esse cenário considera não só a capacidade atual de escoamento dos países do Golfo Pérsico, como também a liberação dos barris pela IEA, que devem reduzir, no curto prazo, os impactos gerados pela situação no Oriente Médio. Além disso, considera uma retração da demanda como reflexo de políticas públicas de diminuição do consumo em algumas regiões”, aponta.
Nesse sentido, destaca Cordeiro, a falta de um acordo entre EUA e Irã devem resultar, em última instância, na manutenção de preços mais elevados do petróleo, sem uma expectativa concreta sobre quanto as cotações podem subir. “Por outro lado, um eventual alinhamento entre os dois lados e a liberação do estreito deve surtir o efeito contrário, com os futuros passando a operar em uma trajetória de queda acelerada”, conclui.
(com Bloomberg e Reuters)
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