1 de abril de 2026

​PMI: Indústria no Brasil sente impacto da guerra com alta da inflação de insumos 

Custos dos insumos atingiu o nível mais alto em 18 meses
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SÃO PAULO, 1 Abr (Reuters) – A atividade ⁠da indústria do Brasil sentiu em março o impacto da ⁠guerra no Oriente Médio, com a inflação dos custos dos insumos atingindo o nível ‌mais alto em 18 meses, embora a recuperação das exportações tenha ajudado a atenuar o ritmo de contração, de acordo com uma pesquisa do setor privado divulgada nesta quarta-feira.

O Índice de ‌Gerentes de Compras (PMI) da indústria brasileira, compilado pela S&P Global, subiu a 49,0 em março, de 47,3 em fevereiro. Esse foi o 11º mês seguido em que o setor registrou contração, com o índice abaixo da marca de 50, mas o ritmo da queda foi o menor desde maio do ano passado.

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A intensificação das pressões sobre os custos no mês foi associada pelos participantes ⁠da ‌pesquisa à guerra no Oriente Médio, iniciada no final de fevereiro, e à alta dos ⁠preços internacionais do petróleo.

Buscando proteger as margens de lucro, os fabricantes aumentaram novamente seus preços de venda em março.

‘Justamente quando o Banco Central reduziu as taxas de juros pela primeira vez em quase dois anos, a alta nos preços internacionais do petróleo e a guerra em curso no Oriente Médio elevaram significativamente as pressões sobre os custos ao ​seu nível mais alto desde setembro de 2024’, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence.

‘Os clientes sentirão o impacto imediatamente, pois os fabricantes ​aceleraram os aumentos de preços em um esforço para proteger suas margens. Isso pode enfraquecer ainda mais a demanda, especialmente porque as empresas relataram que o poder de compra limitado dos consumidores finais está afetando negativamente as carteiras de pedidos.’

O BC reduziu a taxa básica de juros Selic este mês para 14,75%, mas pregou cautela diante do conflito no Oriente Médio.

A ‌produção do setor industrial brasileiro diminuiu em março, mas foi ​a queda menos acentuada desde outubro passado. Alguns participantes da pesquisa indicaram que os esforços de reposição de estoques impulsionaram o crescimento em suas unidades.

A guerra no Oriente Médio também incentivou algumas empresas a se concentrarem na recomposição ⁠dos estoques de contingência.

Os novos pedidos ​diminuíram no mês, com ​as empresas citando demanda fraca e a guerra no Oriente Médio, bem como orçamentos restritos dos clientes e o poder ⁠de compra limitado dos consumidores. No entanto, o ritmo ​de redução foi o mais lento desde dezembro passado.

Os dados do PMI apontaram que sinais tímidos de recuperação nas vendas internacionais limitaram a queda geral no volume total de novos negócios. Após registrarem quedas em ​cada um dos 11 meses anteriores, os pedidos do exterior permaneceram amplamente estáveis, mostrou a pesquisa, uma vez que as tarifas dos Estados Unidos teriam permitido ​que algumas empresas acessassem novos ⁠mercados. No entanto, houve menções a uma queda nas vendas para a Argentina e a China.

Os empregos em fábricas aumentaram pelo ⁠segundo mês consecutivo em março, com as empresas destacando iniciativas de formação de estoques.

As empresas ainda mantiveram uma visão otimista em relação às perspectivas de crescimento, mas o nível geral de confiança caiu para o menor nível em 11 meses em março em meio a preocupações com a concorrência, a guerra no Oriente Médio e a incerteza que as eleições deste ano podem trazer.

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