Escalada da guerra no Oriente Médio e tensão em temas econômicos e de segurança travam confirmação do encontro
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A planejada visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Donald Trump, no Estados Unidos, pode demorar mais do que o previsto inicialmente e ocorrer numa janela até julho. Os dois governos tentaram promovê-la no início de março, depois na segunda quinzena do mês, mas nunca chegaram a um agendamento concreto.
Sem uma data definida ou qualquer sinal recente da Casa Branca, um interlocutor do governo brasileiro nega que a viagem a Washington esteja descartada, mas já admite que janela se alargou para o fim do primeiro semestre. As duas presidências seguem em contato, bem como os respectivos corpos diplomáticos.
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Para esse ator do governo, o prolongamento da guerra com o Irã, as dificuldades enfrentadas pelos EUA diante do alastramento do conflito no Oriente Médio e a elevação dos custos econômicos foram os fatores principais a atrapalhar a visita.
Como mostrou o Estadão, o prolongamento da guerra com o Irã era um fator de preocupação e já atrapalhava o cronograma tentado antes. Agora, para o Planalto o momento político não é favorável e a Casa Branca não deve oferecer datas antes de chegar a uma solução no Oriente Médio.
O governo Lula observou que outro encontro presidencial de Trump acabou afetado e adiado por cerca de um mês e meio. Inicialmente, a Casa Branca previa que o americano viajasse a Pequim, para conversar com o presidente Xi Jinping, entre 31 de março e 2 de abril. Mas, semanas atrás, a data foi reagendada para 14 e 15 de maio, e confirmada pela China.
Desde janeiro, quando Lula e Trump conversaram por telefone e combinaram o mês de março como horizonte para a viagem, houve diversas manifestações críticas do petista ao americano, sobretudo por causa da guerra no Oriente Médio.
Além disso, outras decisões que afetam a relação bilateral vieram a público. Uma delas foi a suspensão do tarifaço pela Suprema Corte americana. Em paralelo, o governo Trump abriu novas frentes de investigação sobre práticas comerciais, inclusive sobre o Brasil.
Recentemente, Lula determinou a revogação do visto de um funcionário americano próximo da família Bolsonaro, que viria ao País para um fórum de terras raras e pretendia visitar na cadeia o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores, discussões comerciais e econômicas também não tiveram avanços, com a recusa do Brasil, em fevereiro, em aderir a uma frente americana para explorar e criar reservas de minerais críticos e terras raras, excluindo a China, discussões sobre a regulação de big techs e uma proposta de cooperação contra o crime organizado.
O governo não descarta ainda que o Departamento de Estado decida de fato, de forma unilateral, designar como terroristas as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), o que contraria o governo brasileiro. O Palácio do Planalto recebeu indicações de interlocutores do governo Trump de que a decisão teria sido postergada.
Interlocutores do mercado financeiro fizeram chegar ao governo brasileiro o temor de que as sanções pudessem prejudicar a operação de bancos brasileiros, por onde integrantes de facções tenham tentado passar o fluxo de recursos ilegais, cuja origem não era conhecida pelas instituições.
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