2 de abril de 2026

​Qual o saldo da temporada de resultados do 4T25? Veja destaques positivos e negativos 

Temporada mostrou que as empresas mantiveram um desempenho resiliente, embora marcado por sinais mais claros de moderação
The post Qual o saldo da temporada de resultados do 4T25? Veja destaques positivos e negativos appeared first on InfoMoney.  

A extensa temporada de resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) teve fim nesta semana com a visão de números no geral fortes, ainda que apresentando sinais de desaceleração.

Conforme destaca o Santander, a temporada de resultados do 4T25 mostrou que as empresas brasileiras mantiveram um desempenho resiliente, embora marcado por sinais mais claros de moderação, segundo relatório do Santander.

No consolidado das companhias sob cobertura do banco, a receita líquida avançou cerca de 5% na comparação anual, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) cresceu 2% e o lucro líquido registrou alta de aproximadamente 13%.

A visão dos estrategistas, contudo, mostrou bastante variação entre os setores. As empresas domésticas voltaram a liderar o ritmo, beneficiadas por uma dinâmica ainda relativamente favorável de demanda, e aceleraram o crescimento de Ebitda para 13,3% no período — bem acima dos 8,7% observados no terceiro trimestre. Já as companhias de commodities enfrentaram um enfraquecimento significativo, com queda de 4,9% no Ebitda, revertendo o movimento positivo de trimestres anteriores.

Também na visão do BTG Pactual, qualitativamente falando, os resultados do 4T25 deterioraram-se em relação ao trimestre anterior. A diferença entre resultados fortes e fracos diminuiu para 6 pontos percentuais (pp), ante 11 pp no 3T25 e 10 pp no 2T.

No geral, à primeira vista, os resultados (excluindo Petrobras – PETR4 – e Vale – VALE3) parecem bons, com receita e Ebitda ficando 4,4% e 2,0% acima das projeções consolidadas do banco, respectivamente, enquanto o lucro líquido ficou 14,8% abaixo do esperado. No entanto, ajustando pelos resultados da Braskem – BRKM5 (que registrou um prejuízo de cerca de R$ 10 bilhões no trimestre), o lucro líquido teria ficado apenas 3,2% abaixo de suas estimativas.

Leia mais:

Itaú X Bradesco X Santander X Banco do Brasil: qual ação mais atrativa após balanços?

Considerando apenas as empresas domésticas, os resultados ficaram ligeiramente acima das expectativas do BTG. A receita, o Ebitda e o lucro líquido superaram as estimativas do banco em 3,8%, 1,5% e 1,5%, respectivamente, sugerindo que as commodities foram o principal fator de desvio em suas expectativas de lucro líquido.

Já em comparação ao ano anterior, a receita (excluindo Petrobras e Vale) e o Ebitda cresceram 5,4% e 5,4%, respectivamente, enquanto o lucro líquido recuou 6,4%. Quando analisam as empresas domésticas, as receitas cresceram 6% anualmente e o Ebitda expandiu-se 7%, enquanto o lucro líquido também aumentou 5%.

“Embora os resultados tenham sido um pouco melhores do que esperávamos, é importante destacar a grande desaceleração no crescimento da receita observada no 4T25 em comparação com os trimestres anteriores”, avalia. O crescimento da receita, excluindo a Petrobras e a Vale, foi de 10% no 3T25, 8% no 2T e 13% no 1T, em comparação com apenas 5,4% agora.

Para o BTG, taxas de juros extremamente altas estão afetando a atividade econômica em geral, e o consumo mais especificamente, prejudicando os resultados das empresas, avalia.

“Embora esperemos uma tendência semelhante no 1º trimestre de 2026, a isenção de imposto de renda de R$ 5 mil, válida a partir de 1º de janeiro, uma possível redução nas taxas de juros ao longo do ano (projeção é de um corte de 2,5 pontos percentuais em 2026) e uma série de medidas tomadas pelo governo para injetar dinheiro na economia (como gás de cozinha gratuito para famílias de baixa renda, pagamentos em dinheiro a alunos do ensino médio de escolas públicas e outras) podem ajudar a reacelerar a atividade econômica em meados de 2026, acreditamos”, ressaltou o BTG.

Atenção às teleconferências

Na mesma linha, o Santander aponta que a política monetária seguiu como um limitador importante. Com a Selic mantida em 15% durante todo o trimestre (os cortes só tiveram início em março de 2026), executivos demonstraram maior preocupação com os sinais de desaquecimento da economia.

As teleconferências refletiram esse ambiente: termos como “desaceleração” e “incerteza” permaneceram entre os mais mencionados. O PIB do período, que cresceu apenas 0,1% na margem, reforçou a leitura de que a atividade vinha perdendo tração.

Se, por um lado, o tom macroeconômico foi mais cauteloso, por outro, discussões sobre eficiência, digitalização e principalmente inteligência artificial ganharam força. As menções relacionadas a inovação e IA atingiram o nível mais alto desde 2T23, especialmente entre empresas de tecnologia, varejo, bancos e educação — sinal de que a adoção tecnológica tem se consolidado como vetor central tanto para crescimento quanto para controle de custos.

Destaques positivos e negativos

Em nível setorial e empresarial, a dispersão dos resultados permaneceu alta, segundo o Santander, com destaques positivos para Cury (CURY3), Fleury (FLRY3), Itaú Unibanco (ITUB4), Movida (MOVI3), Multiplan (MULT3) e Suzano (SUZB3). Já Grupo Mateus (GMAT3), Hapvida (HAPV3), Minerva (BEEF3), Randoncorp (RAPT4), Stone e Vibra (VBBR3) estiveram entre as principais decepções.

Na visão do Santander, a Cury apresentou margens fortes e lucro acima das estimativas; Fleury teve bom desempenho operacional e superou expectativas no resultado financeiro; Itaú Unibanco reportou lucro em linha com o consenso e manteve tendência sólida de crédito; Movida e Multiplan também superaram projeções; e Suzano trouxe números melhores no segmento de celulose, impulsionada por maiores volumes.

Entre os resultados mais fracos, Grupo Mateus e Hapvida voltaram a decepcionar, com pressões relevantes de margem. Já a Minerva apresentou surpresas negativas em despesas, enquanto Randoncorp sofreu com menor produção no setor de veículos pesados, Stone mostrou avanço limitado em crescimento operacional e Vibra teve Ebitda abaixo das projeções e geração de caixa fraca.

Olhando de forma setorial, os maiores avanços de receita vieram de construção civil e bancos, enquanto papel & celulose e mineração ficaram entre os destaques negativos. Em termos de lucro líquido, utilities (energia e saneamento) e construtoras lideraram os ganhos, ao passo que educação e siderúrgica mostraram quedas relevantes.

The post Qual o saldo da temporada de resultados do 4T25? Veja destaques positivos e negativos appeared first on InfoMoney.

 InfoMoney