2 de abril de 2026

​Durigan nega que aumento do gasto público impactou no crescimento da dívida pública 

Novo ministro da Fazenda sustentou que resultados fiscais dos anos anteriores não foram responsáveis pelo aumento do endividamento público
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, respondeu a críticas de que a equipe econômica não conseguiu conter o aumento do endividamento público. A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) aumentou de 78,7% em janeiro para 79,2% em fevereiro, informou o Banco Central nesta semana.

Em entrevista à GloboNews nesta quarta-feira (1), o titular da Fazenda sustentou que os resultados fiscais de 2023, 2024 e 2025 não foram responsáveis pelo aumento de endividamento público.

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“Não é verdade dizer, ‘ah, aumentou muito o gasto, por isso o Brasil tem um endividamento maior’. Isso está errado. Porque a gente foi diminuindo estruturalmente o déficit primário, o déficit, que é o resultado da conta pública para o nosso telespectador, ao fim de cada ano. Nós fomos diminuindo, hoje nós temos um resultado neutro, muito próximo do zero, se não zero, porque a gente tem calamidades, como tivemos no Rio Grande do Sul, agora temos respostas à guerra do Irã”, argumentou.

Segundo Durigan, o que responde pelo aumento do endividamento público nos últimos anos é a taxa de juros, “que não é causada – os juros altos – pelo excesso de gastos do governo, mas por outras questões, não são questões simples, são questões da geopolítica, da volatilidade do câmbio”.

Sobre medidas para segurar as despesas obrigatórias, o ministro afirmou: “Eu acho que a gente fez em grande medida. Eu acho que faltou fazer mais. Eu sempre acho que nós temos que fazer mais. A gente recompôs o fiscal do País e não é verdade dizer que com aumento de tributo”. Durigan citou “uma série de revisões de privilégios” e problemas de arrecadação que foram herdados pelo atual governo, como subvenção de ICMS e não pagamento de tributos por parte de bets e fundos fechados.

“Tem uma série de coisas que é da democracia e de um país que quer ser justo, minimamente justo, cobrar tributo. As pessoas pagam tributo no seu fundo de investimento, no seu salário que recebe no mês e algumas pessoas que não pagavam, estão pagando.”

Durigan ainda admitiu que o controle de gasto terá que ser feito pelo próximo governo. “A gente teve um avanço, mas não um avanço necessário para conter gastos obrigatórios. Nisso eu te dou razão. Mas o que o próximo governo precisaria fazer, qualquer que seja ele, é manter o esforço fiscal que nós fizemos.”

Na visão do ministro, com uma trajetória decrescente da taxa de juros, é possível endereçar o tema da dívida, “que é um tema que me preocupa, para deixar na mesa”. Por fim, ele defendeu o arcabouço fiscal elaborado em 2023, dizendo que é uma boa regra fiscal. “Teve excepcionalização, que, do meu ponto de vista, não é devido. Teve, a gente precisa melhorar, aprimorar e fortalecer a regra fiscal do País. Porque muita gente diz, ‘ah, o arcabouço não sobrevive’. Sobreviveu e sobreviveu bem. Agora, de fato, o tema da dívida pública, em razão da nossa taxa de juros, é um tema que tem que ser tratado agora e pelo próximo governo”, concluiu.

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