Em entrevista, presidente afirmou que ‘o preço do gás não vai subir’; ele também disse que a PEC da Segurança vai permitir a criação de um ministério de combate ao crime organizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o governo está “fazendo tudo possível para que a guerra irresponsável do Irã não chegue ao povo”, ao comentar os impactos do conflito internacional em entrevista à TV Record, da Bahia.
— Agora, a guerra continua. O Trump disse que ia acabar num dia, mas não acabou. Estamos fazendo tudo possível para que a guerra irresponsável do Irã não chegue ao povo. Não vamos permitir que chegue no bolso do caminhoneiro e da dona de casa. O preço do gás não vai subir — disse.
Na entrevista, Lula também voltou a defender mudanças na área de segurança pública e afirmou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em discussão no Congresso pode ampliar o papel da União no combate ao crime organizado.
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— O papel do governo federal na segurança pública é muito restrito, basicamente repassar dinheiro, e é pouco diante da necessidade dos estados. Quando a PEC for aprovada, a gente vai saber qual é o papel da União, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e o que precisa ser feito — afirmou.
Segundo o presidente, o país vive um cenário de escalada do crime organizado e precisa de uma atuação mais direta e coordenada do governo federal.
— Nós estamos numa guerra contra o crime organizado. A gente não pode esperar. É preciso ter uma ação mais efetiva, mais coordenada, para chegar nessas organizações — declarou.
A proposta é vista no Planalto como instrumento para reorganizar competências entre União, estados e municípios e ampliar a atuação das forças federais. O texto aprovado pela Câmara reforça o papel da Polícia Federal em investigações de alcance interestadual ou internacional e prevê maior integração entre os entes federativos.
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A fala ocorre em meio a uma estratégia do governo de reforçar sua agenda na área de segurança, tema que ganhou centralidade no discurso do Planalto. Nos bastidores, auxiliares avaliam que a iniciativa busca responder à pressão da oposição e consolidar uma marca de enfrentamento ao crime organizado com potencial de repercussão eleitoral.
Esse movimento inclui também a tentativa de ampliar a cooperação internacional em casos envolvendo investigados que vivem fora do país. Ao relatar uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou ter solicitado apoio para a captura de suspeitos.
— Nós queremos essa pessoa no Brasil. É para combater o crime organizado? Então nos entregue os nossos bandidos.
Entre os casos citados está o do empresário Ricardo Magro, controlador do grupo Refit, que vive em Miami e é alvo de investigações da Polícia Federal sob suspeita de sonegação bilionária.
— Essa pessoa mora em Miami. Nós mandamos para o presidente Trump a fotografia da casa dele, o nome dele. E nós queremos essa pessoa no Brasil.
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Dentro do governo, o caso é tratado como exemplo da atuação contra crimes de grande escala e passou a integrar o discurso político como demonstração de que as ações não se limitam a delitos de menor potencial ofensivo, mas alcançam estruturas empresariais complexas.
Além da cooperação internacional, a estratégia do Planalto inclui o avanço de propostas legislativas consideradas estruturantes na área de segurança.
A PEC ainda precisa ser analisada pelo Senado antes de ser promulgada e está parada desde que chegou à Casa, sem despacho para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sob responsabilidade do presidente Davi Alcolumbre, em meio ao desgaste na relação com o governo.
Nesta quinta-feira, Lula cumpre agenda em Salvador, com foco em obras de mobilidade urbana e habitação financiadas pelo Novo PAC. Pela manhã, o presidente visita as obras do VLT na região da Calçada, onde será assinada ordem de serviço para intervenções na linha 1 do metrô, com investimento de R$ 1,52 bilhão. Também estão previstas entregas de obras de contenção de encostas em áreas da capital baiana. A agenda inclui ainda a participação do governador Jerônimo Rodrigues e do ministro da Casa Civil, Rui Costa.
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