2 de abril de 2026

​Leão 14, o primeiro papa norte-americano, surge como crítico incisivo de Trump 

Papa surgiu como um crítico ferrenho da guerra do Irã
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CIDADE DO VATICANO, 2 Abr (Reuters) – ⁠Em maio do ano passado, o papa Leão 14 ⁠se tornou o primeiro líder norte-americano da Igreja Católica mundial, mas durante ‌os primeiros 10 meses de seu mandato, ele evitou comentários sobre seu país natal e nunca mencionou publicamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Essa era chegou ‌ao fim.

Nas últimas semanas, o papa surgiu como um crítico ferrenho da guerra do Irã. Ele mencionou Trump, pela primeira vez publicamente, na terça-feira, em um apelo direto, pedindo ao presidente que acabe com o conflito em expansão.

É uma mudança significativa no tom e na abordagem que, segundo os especialistas, indica que o papa quer servir como ⁠um ‌contrapeso no cenário mundial para Trump e seus objetivos de política externa.

‘Não acho ⁠que ele queira que o Vaticano seja acusado de ser brando com o trumpismo por ser norte-americano’, disse Massimo Faggioli, um acadêmico italiano que acompanha o Vaticano de perto.

Leão 14, conhecido por escolher suas palavras com cuidado, pediu a Trump que encontrasse uma ‘saída’ para acabar com a guerra, usando um coloquialismo norte-americano ​que o presidente e os funcionários do governo entenderiam.

‘Quando (Leão 14) fala, ele é sempre cuidadoso’, disse Faggioli, professor do Trinity College de Dublin. ‘Não acho que ​isso tenha sido um acidente.’

O cardeal Blase Cupich, de Chicago, um aliado próximo de Leão 14, disse à Reuters que o papa está assumindo o manto de uma longa linhagem de pontífices que pediram aos líderes mundiais que se afastassem da guerra.

‘O que é diferente… é a voz do mensageiro, pois agora os ‌norte-americanos e todo o mundo de língua inglesa estão ​ouvindo a mensagem em um idioma familiar para eles’, disse o cardeal.

DEUS REJEITA ORAÇÕES DE LÍDERES DE GUERRA

Dois dias antes de fazer um apelo direto a Trump, Leão 14 disse que Deus rejeitou as ⁠orações de líderes que iniciam ​guerras e têm ‘mãos ​cheias de sangue’, em comentários excepcionalmente vigorosos para um pontífice católico.

Esses comentários foram interpretados por comentaristas católicos conservadores ⁠como sendo dirigidos ao secretário de Defesa ​dos EUA, Pete Hegseth, que invocou a linguagem cristã para justificar os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã que iniciaram a guerra.

Eles também levaram a uma das ​primeiras respostas diretas do governo Trump a um comentário de Leão 14.

‘Não acho que haja nada de errado com nossos líderes militares ou ​com o presidente conclamando ⁠o povo norte-americano a orar por nossas tropas em serviço’, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, quando ⁠perguntada sobre os comentários do papa.

Marie Dennis, ex-líder do movimento católico internacional pela paz Pax Christi, disse que os comentários mais recentes de Leão 14 e seu apelo direto a Trump ‘refletem um coração partido pela violência implacável’.

‘Ele está se dirigindo a todos os que estão exaustos por essa violência implacável e estão famintos por uma liderança corajosa’, disse ​ela.

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