Papa surgiu como um crítico ferrenho da guerra do Irã
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CIDADE DO VATICANO, 2 Abr (Reuters) – Em maio do ano passado, o papa Leão 14 se tornou o primeiro líder norte-americano da Igreja Católica mundial, mas durante os primeiros 10 meses de seu mandato, ele evitou comentários sobre seu país natal e nunca mencionou publicamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Essa era chegou ao fim.
Nas últimas semanas, o papa surgiu como um crítico ferrenho da guerra do Irã. Ele mencionou Trump, pela primeira vez publicamente, na terça-feira, em um apelo direto, pedindo ao presidente que acabe com o conflito em expansão.
É uma mudança significativa no tom e na abordagem que, segundo os especialistas, indica que o papa quer servir como um contrapeso no cenário mundial para Trump e seus objetivos de política externa.
‘Não acho que ele queira que o Vaticano seja acusado de ser brando com o trumpismo por ser norte-americano’, disse Massimo Faggioli, um acadêmico italiano que acompanha o Vaticano de perto.
Leão 14, conhecido por escolher suas palavras com cuidado, pediu a Trump que encontrasse uma ‘saída’ para acabar com a guerra, usando um coloquialismo norte-americano que o presidente e os funcionários do governo entenderiam.
‘Quando (Leão 14) fala, ele é sempre cuidadoso’, disse Faggioli, professor do Trinity College de Dublin. ‘Não acho que isso tenha sido um acidente.’
O cardeal Blase Cupich, de Chicago, um aliado próximo de Leão 14, disse à Reuters que o papa está assumindo o manto de uma longa linhagem de pontífices que pediram aos líderes mundiais que se afastassem da guerra.
‘O que é diferente… é a voz do mensageiro, pois agora os norte-americanos e todo o mundo de língua inglesa estão ouvindo a mensagem em um idioma familiar para eles’, disse o cardeal.
DEUS REJEITA ORAÇÕES DE LÍDERES DE GUERRA
Dois dias antes de fazer um apelo direto a Trump, Leão 14 disse que Deus rejeitou as orações de líderes que iniciam guerras e têm ‘mãos cheias de sangue’, em comentários excepcionalmente vigorosos para um pontífice católico.
Esses comentários foram interpretados por comentaristas católicos conservadores como sendo dirigidos ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que invocou a linguagem cristã para justificar os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã que iniciaram a guerra.
Eles também levaram a uma das primeiras respostas diretas do governo Trump a um comentário de Leão 14.
‘Não acho que haja nada de errado com nossos líderes militares ou com o presidente conclamando o povo norte-americano a orar por nossas tropas em serviço’, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, quando perguntada sobre os comentários do papa.
Marie Dennis, ex-líder do movimento católico internacional pela paz Pax Christi, disse que os comentários mais recentes de Leão 14 e seu apelo direto a Trump ‘refletem um coração partido pela violência implacável’.
‘Ele está se dirigindo a todos os que estão exaustos por essa violência implacável e estão famintos por uma liderança corajosa’, disse ela.
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