Percepção negativa do adversário reforça voto por rejeição e limita espaço para mudança
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A eleição de 2026 começa a se desenhar menos como uma disputa entre propostas e mais como um embate entre campos que já não se reconhecem. Um levantamento da AtlasIntel, em parceria com a Arko, captou como os brasileiros enxergam quem vota no campo oposto. Os dados mais recentes indicam um eleitor mais decidido, mas também mais fechado ao diálogo.
Para 57,4% dos entrevistados, eleitores do candidato mais rejeitado são “pessoas manipuladas ou ignorantes”. Outros 31% consideram que esses eleitores têm “falhas graves de caráter”.
O levantamento foi discutido no programa Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney desta sexta-feira (3). A leitura do analista de política da AtlasIntel, Yuru Sanches, é de que essa dificuldade de comunicação já virou parte central do cenário político.
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“Você não enxerga no outro um papel intelectual na sua escolha, enxerga como uma massa de manobra”, afirmou.
A fala traduz um ambiente em que o adversário político deixa de ser visto como alguém com opinião legítima e passa a ser tratado como alguém manipulado. Esse tipo de percepção ajuda a explicar por que a polarização se mantém tão resistente.
Ao mesmo tempo, a própria lógica do voto reforça esse movimento. “Se eu não vou votar por apreço, vou votar porque quero barrar quem eu não gosto”, disse o Sanches ao comentar o comportamento do eleitor.
Na prática, isso significa que a decisão de voto deixa de ser construída apenas por afinidade e passa a ser guiada por rejeição. O eleitor não escolhe necessariamente quem prefere, mas quem considera menos pior em um cenário já delimitado.
Esse padrão aparece em um momento em que os dois polos seguem bastante consolidados. Há uma base fiel de cada lado, mas também um grupo que se posiciona por oposição ao adversário, e não por adesão a um projeto político.
“Você tem esses polos intermediários de rejeição, que entregam um apoio circunstancial”, explicou outro trecho da análise.
Esse apoio circunstancial foi decisivo em 2022 e tende a voltar ao centro da disputa. Mas, desta vez, com um eleitor ainda mais desconfiado e menos disposto a rever posições ao longo da campanha.
O efeito disso é um ambiente mais rígido, em que há menos espaço para mudanças relevantes. A tendência, segundo o analista, é de uma disputa travada, com pouca margem para crescimento fora das bases já estabelecidas.
Com menos debate programático, o foco deve migrar para o confronto direto entre candidaturas. E, nesse tipo de cenário, o caminho mais curto costuma ser explorar fragilidades do adversário.
A AtlasIntel ouviu 4.224 pessoas entre os dias 16 e 23 de março de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06058/2026 e foi financiado com recursos próprios.
O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
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