Mísseis e drones atingem instalações de gás e petróleo em países do Golfo, Estreito de Ormuz segue quase fechado e preço do barril passa de US$ 110, ampliando a crise energética global
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O Irã mirou novos alvos em países árabes do Golfo durante a noite e nesta sexta-feira (3), horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fazer novas ameaças contra a infraestrutura iraniana para pressionar Teerã a iniciar negociações de paz.
Abu Dhabi suspendeu as operações em sua maior unidade de processamento de gás natural após um incêndio causado por destroços de um projétil interceptado. É a segunda vez que as operações são interrompidas na instalação de Habshan desde o início da guerra. Não houve registro de feridos.
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Horas antes, um ataque de drone provocou um incêndio na refinaria de petróleo de Mina Al Ahmadi, no Kuwait, com capacidade de 346 mil barris por dia. A mídia kuwaitiana informou que não havia relatos imediatos de vítimas e que equipes trabalhavam para conter as chamas. As autoridades também disseram que uma usina de energia e dessalinização de água foi atacada na madrugada de sexta-feira, causando danos a alguns componentes.
A Arábia Saudita informou ter interceptado vários drones no início da manhã.
Na quinta-feira, Trump publicou um vídeo de uma ponte destruída e afirmou que haveria “muito mais por vir” se o Irã não aceitasse um acordo para encerrar o conflito, que já dura quase cinco semanas e desencadeou uma crise global de energia.
O Irã manteve o tom desafiador. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que ataques a estruturas civis “não vão obrigar os iranianos a se render”. O país tem dado poucos sinais de que aceitará as exigências de Trump para a paz e apresentou suas próprias condições — em grande parte inaceitáveis para EUA e Israel.
A CNN informou que cerca de metade dos lançadores de mísseis do Irã continuam intactos — apesar de mais de 12 mil ataques dos EUA e de Israel desde o início da guerra, no fim de fevereiro — e que milhares de drones de ataque unidirecionais ainda permanecem no arsenal iraniano. A avaliação pode incluir lançadores atualmente inacessíveis, mesmo que não tenham sido destruídos, segundo a CNN, que citou três fontes familiarizadas com o assunto.
Trump sinalizou, nesta semana, que pode estar disposto a retirar as forças americanas do conflito em duas a três semanas, mesmo que o estratégico Estreito de Ormuz continue, na prática, fechado. Aliados dos EUA na Europa, no Oriente Médio e na Ásia intensificam esforços para garantir que a passagem — por onde normalmente transita um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializado no mundo — seja reaberta em breve.
Mais de 40 países se reuniram virtualmente na quinta-feira para discutir planos, em um recado a Trump sobre a preocupação com a crise deflagrada pelo bloqueio de Ormuz, que fez disparar, no último mês, os preços de energia e de outras commodities.
Segundo pessoas a par das conversas, o grupo foi claro ao defender que os EUA incluam uma solução para o Estreito de Ormuz em qualquer negociação de cessar-fogo com o Irã. Ainda assim, a reunião mostrou que a coalizão de países considera necessário começar a se preparar para a possibilidade de ter que reabrir o estreito sem a participação americana. Nações como França e Reino Unido já disseram que opções militares dificilmente funcionarão e que é preciso um cessar-fogo.
O estreito permanece, praticamente, fechado. O Irã parece ter apertado ainda mais o controle na quinta-feira, quando sua imprensa noticiou que o governo está elaborando um protocolo com Omã para monitorar o tráfego marítimo. Isso exigiria que embarcadores pagassem pedágio ao Irã, segundo o vice-ministro das Relações Exteriores do país. Omã, que fica na outra margem do estreito, ainda não comentou as informações.
A passagem está oficialmente em águas internacionais, e qualquer tentativa do Irã de assumir controle sobre o tráfego deve ser fortemente contestada por potências ocidentais e pelos Estados árabes do Golfo.
Ainda assim, alguns poucos navios conseguem cruzar a rota. Uma embarcação porta-contêineres sinalizada como de propriedade francesa deixou recentemente o Estreito de Ormuz, naquele que parece ser o primeiro trânsito conhecido de um navio ligado à Europa Ocidental desde o início da guerra, informou a Bloomberg.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve votar, provavelmente nesta sexta-feira, uma resolução que apoiaria uma série de medidas para reabrir Ormuz.
O Bahrein, com apoio da Jordânia e de países árabes do Golfo como os Emirados Árabes Unidos, é o autor da proposta, segundo os Emirados. A resolução forneceria “uma base jurídica clara para que todos os Estados possam se mobilizar e apoiar a passagem segura”, afirmaram os EAU em uma publicação no X (antigo Twitter).
No mercado de petróleo, o WTI — principal referência nos EUA — fechou acima de US$ 110 por barril na quinta-feira, pela primeira vez desde 2022. Combustíveis continuam em alta em todo o mundo, com o diesel na Europa ultrapassando US$ 200 por barril.
Os mercados de petróleo estão fechados nesta sexta-feira devido ao feriado de Páscoa.
Trump tem alternado entre apresentar os esforços diplomáticos como produtivos e ameaçar mais destruição — inclusive contra infraestrutura civil e energética. No início da semana, ele ameaçou atacar instalações de energia e usinas de dessalinização de água do Irã se o estreito continuar fechado — uma ação que poderia ser considerada crime de guerra pelas Convenções de Genebra.
O presidente já havia dito que o Irã tem até 6 de abril para reabrir Ormuz ou ver suas usinas de energia destruídas. Não está claro se esse prazo continua valendo.
Trump sofre pressão crescente dentro dos Estados Unidos para aliviar o choque de energia, que levou o preço médio da gasolina no país a superar US$ 4 por galão. É o maior nível em quase quatro anos.
Ele insiste que os preços cairão rapidamente assim que a guerra terminar. Trump afirma que o conflito foi necessário para impedir o Irã de obter uma bomba nuclear — algo que Teerã sempre negou buscar — e para destruir seu estoque de mísseis.
Na quinta-feira, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, pediu a saída imediata do chefe do Estado-Maior do Exército, general Randy George. O Pentágono não apresentou justificativa.
Um prolongamento do conflito traz riscos políticos para Trump e para o Partido Republicano, às vésperas das eleições legislativas de novembro. Pesquisas mostram que muitos americanos desaprovam as operações militares contra o Irã e que cresce a preocupação com o impacto econômico da guerra.
Mais de 5 mil pessoas já morreram no conflito, quase três quartos delas em território iraniano, segundo órgãos governamentais e a ONG iraniana Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA. Pouco mais de 1,3 mil pessoas morreram no Líbano, onde Israel trava uma guerra paralela contra o Hezbollah, aliado do Irã.
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