Rui Costa adotou um estilo voltado para o acompanhamento das ações do governo e focado em cobranças duras aos integrantes do primeiro escalão
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O ex-governador da Bahia Rui Costa se desligou na quinta-feira do comando da Casa Civil sem conseguir nacionalizar o seu nome no jogo político nacional, apesar da importância do cargo que ocupava, e, por causa disso, em desvantagem na disputa pelo posto de sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao longo de três anos e três meses no posto, houve uma série de atritos com colegas da Esplanada.
À frente da pasta responsável por articular e coordenar as ações dos demais ministérios, Rui Costa adotou um estilo voltado para o acompanhamento das ações do governo e focado em cobranças duras aos integrantes do primeiro escalão, semelhante ao que foi visto na época de Dilma Rousseff (2005-2010). No começo do mandato, Lula chegou a dizer que o chefe da Casa Civil era a sua “Dilma de calças”.
Petistas que participaram dos dois governos avaliam, porém, que a ex-chefe da Casa Civil que depois chegou à Presidência tinha mais visão estratégica do governo, enquanto Rui se tornou uma espécie de “ministro check list”, com foco quase exclusivo na verificação se os cronogramas dos projetos estavam sendo cumpridos.
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O chefe da Casa Civil também não conseguiu transformar a nova versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que estava sob o seu guarda-chuva, em uma grande marca da gestão Lula reconhecida pela população. Cortes no orçamento, fizeram com que o investimento fosse direcionado para intervenções locais que poderiam render dividendos eleitorais ao petista. Em vez de ferrovias, hidrelétricas e refinarias, emblemas de edições anteriores do PAC, as apostas passaram a ser as inaugurações de postos de saúde e creches ou a entrega de ambulâncias. Procurado, Rui Costa não se manifestou.
Mesmo assim, o ex-governador da Bahia ganhou a confiança de Lula. Os dois não tinham uma convivência prévia e sua indicação para o cargo, no fim de 2022, foi avalizada pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). De acordo com integrantes do governo, o presidente foi conquistado pela dedicação do ministro ao trabalho e por ter conseguido se colocar como um anteparo, barrando projetos inconsistentes elaborados pelas pastas. Com gabinete no quarto andar do Planalto, Rui teve inúmeras reuniões interrompidas ao longo dos 39 meses no cargo para atender imediatamente as convocações para descer ao gabinete presidencial no andar de baixo.
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Embates com Haddad
O chefe da Casa Civil teve como seu principal antagonista dentro do governo o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que em determinado momento chegou a evitar reuniões com ele, sem a presença de Lula. Nesses casos, o responsável pela equipe econômica mandava o então secretário executivo, Dario Durigan, representá-lo. Rui Costa também teve atritos com os colegas Carlos Fávaro (Agricultura), Márcio França (Empreendedorismo), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Carlos Lupi (Previdência).
De acordo com uma liderança influente do PT da Bahia, o ex-governador do estado chegou ao Planalto com plano de repetir a trajetória de Dilma, que da Casa Civil foi alçada por Lula a presidenciável. Em 2020, quando o atual presidente estava com os direitos políticos cassados por causa das condenações na Lava-Jato, o então governador da Bahia chegou a colocar na rua um projeto para concorrer ao Planalto. A anulação das sentenças contra Lula pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no começo de 2021, porém, enterraram os planos do baiano.
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Agora, novamente, o presidente impediu que o baiano levasse adiante o seu plano nacional ao descumprir a promessa, feita durante a campanha de 2022, de não tentar um quarto mandato. Rui também não buscou usar o cargo que ocupava para nacionalizar o seu nome. Concentrou as suas agendas fora de Brasília na Bahia e também priorizou os veículos de seu estado quando decidiu dar entrevistas. O chefe da Casa Civil teve, ao longo de três anos e três meses, eventos na Bahia em, pelo menos, 76 dias, assim como na sua despedida do cargo na última quinta-feira, quando acompanhou o presidente em um anúncio de verbas para o metrô e o VLT em Salvador.
O retrospecto na Casa Civil, principalmente os atritos acumulados, não colocam hoje Rui Costa como um nome do PT para a sucessão de Lula a partir de 2030. No partido, hoje, Haddad e Camilo Santana são considerados as alternativas mais viáveis.
Rota recalculada
Sem espaço na cena política nacional, Rui Costa recalculou a rota. Concorrerá ao Senado agora e pretende voltar ao governo da Bahia em 2030. De olho nisso, tentou influenciar na escolha do vice do atual governador, Jerônimo Rodrigues, mas acabou derrotado com a permanência de Geraldo Júnior (MDB) no posto. O emedebista havia feito críticas a Rui Costa em um grupo de WhatsApp que se tornaram públicas.
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Com a saída de Rui Costa, a expectativa é que a Casa Civil tenha, com ex-secretária executiva Mirian Belchior, a mesma linha de atuação, com a manutenção das cobranças duras aos demais ministros. Para um petista experiente, a nova ministra, por causa da sua experiência como titular do Planejamento e outros postos nos governos anteriores de Lula e de Dilma, tem um conhecimento mais profundo da estrutura federal.
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