A Rede Global de Vírus informou estar monitorando a sublinhagem e que não há evidências de que a BA.3.2 esteja associada ao aumento da gravidade da doença
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A publicação de um relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) sobre a variante BA.3.2 do coronavírus reacendeu dúvidas sobre a covid-19.
O documento da principal agência federal de saúde pública dos Estados Unidos aponta que a BA.3.2, identificada pela primeira vez em novembro de 2024, está presente em pelo menos 23 países.
Rede de virologistas monitora nova variante da Covid-19; entenda a BA.3.2
Identificada em 2024 na África do Sul e hoje presente em 23 países, a BA.3.2 preocupa pelo potencial de reinfecção, mas não mostrou, até agora, quadros mais graves de Covid-19
Mais recentemente, no último dia 3, a Rede Global de Vírus informou estar monitorando a sublinhagem. Segundo a entidade, não há evidências de que a BA.3.2 esteja associada ao aumento da gravidade da doença.
“Em vez de sinalizar uma nova ameaça, a BA.3.2 reforça a importância da vigilância constante”, diz a rede, em nota.
A seguir, entenda o que já se sabe sobre a variante, também chamada de “Cicada”, e quais as recomendações dos especialistas.
Quando surgiu a BA.3.2?
A variante descende da Ômicron, que surgiu no fim de 2021, e foi identificada pela primeira vez em novembro de 2024.
Há motivo para alarme?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a sublinhagem não é motivo para alarme.
A BA.3.2 já foi identificada no Brasil?
O Ministério da Saúde afirma que, até o momento, não há registro da variante no Brasil.
Qual a diferença da BA.3.2?
De acordo com Rita Medeiros, médica infectologista e integrante da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a principal diferença da BA.3.2 em relação às outras variantes é o alto número de mutações. A cepa apresenta alterações mais significativas do que as cepas responsáveis pela maioria dos casos de covid-19 nos últimos dois anos.
Uma das características da variante é que ela enfrenta menor resistência da imunidade prévia da população. “Seja pela vacina ou por uma infecção anterior por covid-19”, destaca Rita.
Isso permite que a variante tenha alguma facilidade para escapar da proteção imunológica e um maior potencial para elevar o número de hospitalizações, sobretudo entre os grupos de risco: idosos, imunossuprimidos e pessoas com doenças crônicas.
Apesar disso, a médica reforça que não há evidências de que a BA.3.2 seja mais agressiva do que as variantes anteriores, mesmo com maior facilidade de circulação.
Como fica a vacinação?
Rita destaca a necessidade de as autoridades de saúde atualizarem a composição das vacinas para que elas se adaptem às variantes em circulação, como a BA.3.2. O modelo ideal, segundo ela, seria o da gripe: vacinação anual com imunizantes reformulados a cada campanha para contemplar as novas cepas em circulação.
Mesmo assim, ela ressalta que a população não deve abrir mão da vacinação. Os imunizantes podem ter eficácia reduzida, mas a proteção ainda é relevante, especialmente para pessoas com doenças crônicas, que têm maior risco de desenvolver formas graves da covid-19.
A infectologista ainda enfatiza que, mesmo com o esquema vacinal completo, os reforços são necessários para proteger contra novas variantes. Para a população em geral, a recomendação é de uma dose anual.
“Para pessoas acima de 65 anos, a recomendação é de vacinação a cada seis meses. Além da mudança do vírus, a imunidade das pessoas mais velhas tende a cair mais rapidamente”, detalha a médica.
Posso tomar a vacina no posto de saúde?
Sobre a disponibilidade de imunizantes, o ministério afirma que mantém o envio regular de vacinas e insumos a todos os estados.
Segundo a pasta, até 6 de abril, foram enviadas mais de 4,1 milhões de doses, “quantitativo suficiente para atender a população-alvo definida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI)”. No PNI, os reforços estão previstos apenas para os grupos prioritários.
“A logística de distribuição é coordenada pelo PNI, que encaminha os imunizantes às Secretarias Estaduais de Saúde, responsáveis pelo repasse aos municípios e serviços de saúde, conforme critérios técnicos e operacionais estabelecidos em normativa vigente”, acrescenta o ministério.
Quais os cuidados para evitar a doença?
Além da imunização, os cuidados para reduzir o risco de contrair a doença incluem a higiene das mãos – lavar as mãos após usar o banheiro, antes de preparar alimentos e após o contato com pessoas doentes, por exemplo, diminui a chance de infecção respiratória entre 16% e 21% – e evitar ambientes lotados.
Em caso de sintoma, o ideal é ficar em casa, tanto para o próprio cuidado quanto para não transmitir a doença a pessoas vulneráveis, como indivíduos com câncer ou com doenças pulmonares crônicas.
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